09/12/2009

Radio Birdman: a lenda dos homens pássaros

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02/09/2009

The Middle Class: velozes e furiosos (de verdade)


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27/08/2009

The Controllers: a bomba de neutrons


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22/07/2009

Punk-Reggae Party II - Basement 5


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11/07/2009

The Members: Punk-Reggae Party, o som dos subúrbios


Quando resolvi criar esse blog, o primeiro nome que me veio à mente foi "Sound of the Suburbs". Referência a uma música do THE MEMBERS e à essência do punk rock. No fim optei por Factor Zero por motivos já explicados. Por isso, até agora não sei porque ainda não havia postado algo mais substancial sobre essa que considero uma das melhores bandas da primeira era punk. Mas nunca é tarde.
Muito comparados ao Clash (com razão) e ao Ruts (nem tanto), o Members é uma autêntica banda dos subúrbios londrinos, o que explica, em parte, a forte influência do reggae no som deles. A associação punk-reggae foi um fenômeno quase exclusivamente de Londres, já que foi daquelas quebradas que saiu a horda de desempregados responsável pela explosão punk de 76 e o som que predominava por lá antes do punk era o "pub rock" e o reggae (o que não falta na periferia londrina é jamaicano e afins). Outra característica marcante da banda eram as letras com temas mais ligados ao cotidiano e a tiração de sarro do que à política.
O Members foi formado em Camberley, uma espéce de cidade satélite de Londres, em 1976, por Nicky Tesco (vocal) e Jean-Marie Carroll, ak.a. JC (guitarra). Nos primeiros meses a formação sofreu muitas mudanças até se estabilizar com a dupla mais o baixista Nigel Bennett, o guitarrista Chris Payne e o baterista Adrian Lillywhite (irmão de Steve, o famoso produtor musical). A primeira aparição em vinil foi na coletânea Streets (um dos discos mais importantes da primeira era punk, já postado aqui no FZ) com a faixa Fear in the Streets, um manifesto contra os cabeças ocas nazistas do National Front (a palhaçada é antiga). A música também foi o único registro da formação original, com o guitarrista Gary Baker, e uma das primeiras produções de Steve Lillywhite. Meses depois, lançaram um compacto pela Stiff Records, com Solitary Confinement e Rat Up a Drain Pipe. A primeira, um clássico; a segunda, um reggae (ou ska, como queiram). Solitary é uma letra autobiográfica de Nick, sobre um cara que sai dos subúrbios e vai para Londres, onde se perde na solidão da metrópole. A mesma história de muita gente, o que ajudou a banda a conseguir a simpatia da molecada. Na época, poucas bandas cantavam sobre pequenos dramas pessoais ou problemas comuns do dia a dia.
A aproximação com o reggae e uma pegada mais melódica, com uso de metais, era outro diferencial do Members, o que também afastava o público mais radical. O flerte de Nick com o ritmo jamaicano começou por volta de 72/73, quando era estudante em Liverpool. É bom lembrar que o "movimento" 2 Tone surgiria apenas alguns anos depois e não dá para negar que o Members ajudou a pavimentar o caminho para o fenômeno que teve expoentes como The Specials, Madness, The Beat e outros tantos.
No final de 78 o Members era uma das mais famosas bandas punks do Reino Unido e a Virgin Records não perdeu tempo para contratá-los. O primeiro lançamento pela nova gravadora foi o compacto The Sound of the Suburbs, um clássico tanto em termos de som como letra.


Same old boring sunday morning
Old dad’s out washing the car

Mum’s in the kitchen cook sunday dinner

Her best meal, moaning while it lasts

And Johnny is upstairs in his bedroom sitting in the
dark
Annoying the neighbors with his punk rock electric
guitar

This is the sound of the suburbs


Every lousy monday morning

Heathrow jets go crashing over our home

Ten o’clock, broadmoor siren driving me mad

Won’t leave me alone
The woman next door just sits inside and cries

She hasn’t come out once ever since her husband died

Youth Club Groups used to wanna be free

Now they want Anarchy
They play too fast, they play out of tune
Practice in the singers bedroom
Drums quite good, the bass is too loud
And I can’t hear the words

This is the sound of the suburbs

Saturday morning family shoppers
Crowding out the center of town

Young blokes sitting on the benches
Shouting at the young girls walking around
And Johnny just stands there
In his window looking at the night
Says “Hey, what you listening to?
There’s nothing there!”
That’s right


Uma perfeita descrição do dia a dia dos subúrbios, com um acorde "clashniano", mas totalmente original. No lado b, a instrumental Handling the Big Jets acabou apenas preenchendo espaço, mas a bolachinha vendeu, na época, cerca de 250 mil cópias, algo bem incomum para uma banda punk. Isso ajudou - e muito - para que tivessem todo apoio em termos de produção para gravarem o primeiro LP. Tiveram o tempo que precisassem no estúdio e ainda contaram com a produção de Steve Lillywhite, que já começava a ganhar experiência e fama (trabalhava na época com o Siouxsie and the Banshees). O resultado foi o excelente At Chelsea Night Club (apesar do título, não é ao vivo), um disco indispensável em qualquer coleção que pretenda cobrir a melhor época do punk rock (76-82). Não gosto de "analisar" discos (melhor quem ouve fazer isso por conta própia), mas para este vou abrir uma exceção. Marca registrada do grupo, o LP começa com um instrumental (nos shows também faziam isso). A segunda faixa, Sally, já mostra a energia e criatividade do Members, ao mesclar acordes básicos com partes de reggae (algo que se tornaria muito comum nos anos 90, em grupos da linha do Sublime). A terceira faixa - uma de minhas favoritas - é Soho a Go-Go, que começa lenta e depois vai ganhando corpo em um acorde melódico, porém, pesado. Don't Push poderia ter sido incluída pelo Clash em London Calling que ninguém notaria que não era uma música deles. Na sequência, para fechar o lado A do LP (em CD isso não existe!) vem uma versão mais bem produzida de Solitary Confinement. O lado B abre com com o empogante e sananíssimo "punkabilly" Frustated Bagshot e segue com Stand Up and Spit, um reggae de refrão instigante antes de uma outra regravação, desta vez, The Sound of The Suburbs. Depois, a satírica Phone in Show, mais um roquinho sacana sobre masturbação precede a faixa mais comercial do disco é Love in a Lift, outro reggae com quase cinco minutos de duração e que termina com guitarras pesadas em alta velocidade. A última faixa, Chelsea Night Club, é a mais punk de todas, com acorde simples e vocais agressivos. Para muita gente, o maior clássico deles. Enfim, é um disco para muitos gostos, que os mais radicais podem considerar "comercial", mas é apenas rock'n'roll (ou punk rock) com molho reggae (ou ska). At Chelsea... foi bem recebido por público e crítica e colocou o Members no patamar de bandas grandes, além de tornar o grupo idolatrado entre a molecada suburbana.
Depois desse lançamento, o grupo manteve o ritmo de trabalho com uma média de quatro shows por semana e, nem bem colheram todos os frutos do disco, estavam em estúdio mais uma vez para conceber o single Offshore Bank Business. A música que dá título à bolachinha é um reggae que fala sobre as falcatruas financeiras de grandes empresas em paraísos fiscais. Isso em 1979! Uma letra que caberia perfeitamente nos dias atuais, marcados por uma "crise" (golpe) econômica evidentemente gerada pela ganância especulativa do mercado financeiro. Além disso, o compacto saiu um ano antes da explosão 2 tone. Nem precisa falar mais, né?
E, para mostrar que ainda tinham o punk na veia, no início de 1980 colocaram nas lojas outro single, com Killing Time e GLC, faixas em um estilo próximo ao Oi. Os dois compactos prenunciavam o que viria no segundo LP: mais versatilidade. The Choice is Yours foi o título escolhido para o disco, na prática, uma continuação do primeiro. No entanto, a produção, desta vez a cargo de Rupert Hine, tendo em vista que Steve já não estava mais tão disponível (nem para a banda do irmão!), não conseguiu manter a qualidade. Não que seja ruim, mas Rupert não conhecia o Members, nem o punk, nem o reggae, era apenas um produtor pop da área de "fabricação de hits" da Virgin. Apenas após o disco lançado é que ele foi assistir um show da banda. Pecado mortal. Mas o disco é bom. Aliás, muito bom. Há momentos puramente pop, como Romance e flertes com o som "new wave", como em Phisycal Love. Mas a banda ainda era o The Members e a energia punk se faz presente em Goodbye to the Job, Flying Again e Muzak Machine. Gosto muito também de Police Car, Gang War e Brian Was, tanto pelas letras como pelo som um pouco mais lento, porém, com o espírito punk setentista. O reggae, já com uma tendência mais para o ska, aparece na instrumental The Ayatollah Harmony que abre o disco e também em Clean Men. Em resumo, o Members mantinha-se à frente de seu tempo e, óbvio, pouco compreendidos na época. Estranhamente, The Choice is Yours teve melhor repercusão nos EUA que na Inglaterra.
Como não conseguissem vendas estupendas, o descontentamento da Virgin não demorou a se manifestar. E da banda também. Assim, o contrato com a major foi rompido. Em consequência, eles voltariam ao estúdio apenas na segunda metade de 1981, pelo selo Genetic, de Mike Rushent (Human League) amigo do empresário da banda, Ian Grant, ligado à Arista e à IRS. A partir daí, o Members assumiu uma posição claramente comercial, abandonou de vez o "som do subúrbio" e passou a fazer o som das pistas de dança, com um estilo disco, funk, soul, etc. Em 1983, lançaram o terceiro LP, Uprhythm Downbeat, um disco decepcionante, que sepultou o passado glorioso da banda. O LP saiu apenas nos EUA, aliás, nessa época o grupo praticamente mudou-se para a terra do Tio Sam em clara tentativa de fazer sucesso por lá com o "novo" som. Não funcionou e história acabou ainda em 83, após mais uma das muitas tours que fizeram pela América do Norte.

Baixe aqui At Chelsea Night Club, aqui The Choice is Yours e aqui os Singles (que juntei em um arquivo, já que nunca foram lançados em um só disco)


THE MEMBERS FACTS
  • Durante um bom tempo o Members existiu apenas na cabeça de Nick Tesco, que para impressionar garotas e enturmar-se falava para todo mundo que tinha uma banda, mas não tinha. Mentiroso! Então, certo dia um tal de Mike Kingsley (empresário e proprietário de um estúdio) o viu usando uma máquina de escrever em uma festa e perguntou o que fazia. A resposta: "estou escrevendo uma canção". Então o cara concluiu que ele tinha uma banda e disse que gostaria de ouvir o som... Nick não negou e em uma semana arrumou alguns músicos e fez três ou quatro sons (um deles, GLC, faixa que seria lançada em compacto alguns anos depois). JC entraria no grupo pouco depois. O fato é que em pouco tempo o Members saía da imaginação de Nick e tornava-se realidade.
  • As primeiras cópias de The Choice is Yours saíram com uma gravata do Members (um símbolo da banda) de brinde.
  • Uprhythm Downbeat foi lançado com alguns anos de atraso na Inglaterra, com o título Go West, pela Albion Records, sem autorização da banda.
  • Após o fim do Members, JC Carol formou o JC Mainmen e mais tarde o JC and the Disciples, ainda em atividade. Em 1985, participou como acordeonista no LP Que Sera Sera, de Johnny Thunders (o disco tem ainda participações de Steve Bators, Perry Nolan, Steve Jones e Paul Cook, entre outros).
  • Nick Tesco, por sua vez, ainda nos anos 80, lançou um single com o rapper nova iorquino J. Walter Negro e depois trabalhou como ator com o diretor finlandês Aki Kaurismäki na série de filmes que criou o grupo fictício Leningrad Cowboys (que depois, tornou-se uma banda de verdade).
  • Em 2006, o Members reuniu-se para comemorar o aniversário de JC Carroll e desde então voltaram a tocar esporadicamente. Inclusive, recentemente lançaram uma regravação de Offshore Bank Business, com o título International Financial Crisis. Nick Tesco não faz parte do Members ressuscitado, que tem Nick, Chris e Nigel (que também toca com o reformado Vibrators) da formação original.

20/06/2009

THE SILLIES - De quando éramos sujos e malvados

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04/06/2009

Louve ao Senhor e passe pelo (Impatient) Youth

Bill Martin on guitar, Paul Casteel on bass, Chris Coon on drums.
At the Geary Street Theatre, San Francisco, 1978

(Thanx to Chris Coon, who sent me this historical photo)


De volta ao mundo das bandas desconhecidas e não reconhecidas, o FZ relembra o (IMPATIENT) YOUTH. Trata-se de um grupo da cidade de Vallejo, ao norte de San Francisco, onde realmente se firmaram. Com um som melódico recheado de referências sessentistas, o (I.)Y. ajudou a pavimentar o caminho para o "estilo californiano". Conviveram com grupos como The Dils, Avengers, Sleepers, Dead Kennedys, entre outros. No entanto, jamais conseguiram se firmar entre as bandas consideradas de "primeira linha" (odeio categorizações, afinal música é gosto pessoal, totalmente subjetiva).
As raízes do (I.)Y. estão no ainda mais obscuro grupo de rock Faze, que tinha em sua formação o guitarrista e vocalista Bill Martin e o baterista Chris Coon. Os dois, influenciados pelas bandas pioneiras do punk da Costa Oeste norte-americana, deixaram o Faze para fazer um som mais agressivo. No início o baixista era um cara chamado Michael, que logo seria substituído por Paul Casteel, que empresariava o grupo. Essa primeira encarnação do (I.)Y. durou pouco mais de um ano, até Paul e Chris resolverem formar o Woundz (com Paul trocando o baixo pelos vocais).
Bill Martin, que era o verdadeiro fundador do grupo e quem compunha as músicas deu sequência ao trabalho com Mark Anderson no baixo e Christopher Fisher nas baquetas. Com essa segunda formação, o (I.)Y. conseguiu um pouco mais de exposição, já que a música Praise the Lord and Pass the Ammunition foi incluída na histórica coletânea Not So Quiet in The Western Front. O disco, um álbum duplo, não só apresentou ao mundo a nova safra californiana (e de Nevada), com 47 bandas - entre as quais Dead Kennedys, Social Unrest, 7 Seconds, Vicious Circle, M.I.A., Pariah, etc. - como trazia a edição zero da Maximum Rock'nRoll, revista/zine que marcou época no início dos anos 80.
Mas, talvez em consequência da explosão do hardcore, o som mais melodioso do (I.)Y. não chamou a atenção. Além disso, nunca conseguiram um bom contrato ou uma boa produção. Enquanto estiveram em atividade, além da faixa da Not So Quiet..., lançaram apenas um compacto, com seis faixas e chamado simplesmente (Impatient) Youth, patrocinado totalmente pela própria banda, que fez suas últmas aparições em 1981. Também fizeram um split de 7" com o Mutants, '78 on 45, no qual aparecem com duas faixas gravadas ao vivo.
Em 1990, o selo alemão Lost and Found resgatou gravações antigas do grupo e lançou o EP Frontline, com quatro faixas. No embalo, ainda sairia o LP Don't Listen, com 16 músicas. Uma merecida homenagem póstuma, curiosamente realizada do outro lado do Atlântico. Aliás, não consigo entender porque o (I.)Y. não teve reconhecimento em sua terra natal. A banda era bastante criativa,com ótimas letras e atitude. Talvez estivessem no lugar errado e no momento errado (nos anos em que estiveram ativos, o HC predominou nos EUA).
Depois desses lançamentos da Lost and Found, Bill Martin (desta vez, como Billy Ray Martin) tentou ressuscitar o grupo ao lado de sua esposa, Suzy Mae Martin, e do baterista Curt Anderson, que produziu o maxisingle All for Fun, com cinco faixas (nunca ouvi este disco, mas sempre li que é bem fraquinho...). Não deu em nada e a terceira encarnação também naufragou. Com tantas "reuniões" que andam ocorrendo por aí, é possível que uma quarta apareça. Difícil será conseguir recuperar a energia original das duas primeiras fases (na verdade, uma só, com duas formações diferentes).

Baixe os compactos (I.)Y., Frontline e '78 on 45 e o LP Don't Listen



(Impatient) Facts
  • O grupo deveria abrir para o The Clash no Kezar Pavillion, no giro norte-amerccano da London Calling Tour, mas na última hora o produtor da tournê, Bill Graham, comunicou a banda que não tocariam, sem maiores explicações.
  • Depois do Woundz, Paul Casteel fundou o Black Athletes. Já Chris Coon, tocou com o No Alternative. Os dois ainda estiveram juntos no House of Wheels. Ambos se mantêm em atividade. Recentemente, Paul cantou em uma das muitas aparições do Negative Trend. Longe do punk rock, Chris lançou um disco solo em 2008, chamado License to Departure, recheado de teclados, mais para o jazz ou "art-rock".
  • Muita gente pensou que Praise the Lord... fosse uma versão punk de uma canção de guerra, feita por aviadores-combatentes dos EUA durante a II Guerra Mundial, mas a letra de uma não tem nada a ver com outra, só o título.
Praise the Lord original:
Down went the gunner, a bullet was his fate
Down went the gunner, then the gunners mate

Up jumped the sky pilot, gave the boys a look

And manned the gun himself as he laid aside The Book, shouting

Praise the Lord and pass the ammunition!

Praise the Lord and pass the ammunition!
Praise the Lord and pass the ammunition and we'll all stay free!

Praise the Lord and swing into position!

Can't afford to sit around and wishin'

Praise the Lord we're all between perdition
and the deep blue sea!

Yes the sky pilot said it

You've got to give him credit
for a son-of-gun-of-a-gunner was he,
Shouting

Praise the Lord we're on a mighty mission!
All aboard, we're not a - goin' fishin

Praise the Lord and pass the ammunition and we'll all stay free!


A versão do (Impatient) Youth:
Praise the Lord and pass the ammunition!
Praise the Lord and pass the ammunition!

Praise the Lord and pass the ammunition!

God is on our side...

Battling over the book, slaughtering over the psalms

Onward Christian soldier with your sword and cross

Putting the fear of god into heathen flesh

The blood easily washed off of the Christian hand

Cleansed in the river of lies promise of salvation

From the mouth of madmen’s interpretations

Don’t forget the golden rule

The man with the gold is making the rules

Praise the Lord and pass the ammunition!

Praise the Lord and pass the ammunition!
Praise the Lord and pass the ammunition!
God is on our side...


26/05/2009

UK Subs: subversão à inglesa

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13/05/2009

A travessia do Mar Vermelho com os Adverts


I wonder what we'll play for you tonight
Something heavy or something light
Something to set your soul alight
I wonder how we'll answer when you say
"We don't like you - go away,
come back when you've learned to play

I wonder what we'll do when things go wrong
When we're half-way though our favourite song
We look up and the audience has gone
Will we feel a little bit obscure
Think 'We're not needed here,
we must be new wave - they'll like us next year'

The wonders don't care - we don't give a damn
The wonders don't care - we don't give a damn
The wonders don't care - we don't give a damn

Os versos acima são de One Chord Wonders, primeira música lançada pelo ADVERTS, uma das bandas pioneiras da cena punk inglesa de 76-77. A história desse grupo, que considero um dos mais originais (até hoje não ouvi nenhuma banda parecida), começa em 1974, em Torquay, uma pequena cidade litorânea da região sul da Inglaterra, onde Tim Smith era vocalista do Sleaze, uma obscura banda de rock que não saiu dos pubs locais. Nessa época, Tim conheceu uma garota que tinha o apelido de Gaye Black. Os dois se tornaram amigos e ele a ensinou a tocar baixo. No verão de 75 o Sleaze acabou e a dupla resolveu fazer as malas e mudar-se para Londres com a firme intenção de montar uma banda.
Mesmo sem encontrar os demais membros escolheram o nome: primeiro seriam os One Chord Wonders, depois, num bate papo, surgiu The Adverts, nome que ficou. Além de comporem algumas músicas, a dupla tornou-se frequentadora assídua de shows do Stranglers e dos Pistols. Então resolveram anunciar no Melody Maker que precisavam de "um guitarrista especial que não fosse especial". Um tal Howard Boak respondeu ao anúncio e foi aprovado. No entanto, acabou por adotar outro apelido: Howard Pickup ("boak" é uma expressão do norte da Inglaterra para vômito, mas era difícil explicar isso). Ao mesmo tempo Tim resolveu criar um nome mais artístico: juntou o Smith, nome mais popular da Inglaterra, com o do eletrodoméstico mais comum do país e tornou-se TV Smith. Howard foi o responsável por levar a banda a ensaiar em um estúdio (até então, Tim só sabia o que era ensaio em garagens e quartos de amigos, com aparelhagens tranqueiras).
O quarto elemento foi Laurie Muscat, indicado por John Towe, baterista do Generation X (que também esteve no Chelsea), que ensaiava no mesmo estúdio e também era companheiro de trabalho de Howard em uma loja de discos. Desesperados por um baterista, eles admitiram Laurie mesmo sem ouvi-lo. Logo no primeiro ensaio descobriram que ele não sabia tocar porra nenhuma e pediram a Towe para passar uma noção a ele. "Ele era totalmente sem talento, então obviamente era a pessoa ideal para a banda", conta TV em uma entevista à revista Goldmine, em 1997. O batera adotou o apelido de Laurie Driver e não demorou a a aprender o básico. Ainda em 76 gravaram uma demo tape com cinco músicas e em pouco tempo estavam prontos para encarar um palco.
Em 15 de janeiro de 77 o Adverts fez sua estréia como banda de abertura para o Generation X no lendário Roxy Club (claro que o amigo John Towe foi importante para conseguirem a "boquinha"). Logode cara chamaram a atenção por terem uma mulher como baixista, o que era incomum no então ainda mais machista mundo do rock'n'roll. E ainda por cima era bonitinha. Tornaram-se quase que uma banda residente do Roxy - com uma dezena de shows em cerca de três meses - e logo conseguiram lançar o primeiro single, pela Stiff Records (da qual já falei em post anterior). O compacto chamou a atenção não só pelo som, mas também pela capa, com o rosto de Gaye em super close. Apesar de ser considerada uma das melhores capas de discos punks por muita gente (inclusive o próprio TV Smith hoje admite tratar-se de um clássico), na época a banda torceu o nariz. Primeiro, a própria Gaye ficou chateada, pois tinha verdadeira aversão por estrelismos. Considerava-se integrante do grupo e que todos os quatro Adverts tinham a mesma importância. Ela tinha consciência de que estava naquela capa apenas por uma questão sexista e não buscava tal exposição, queria apenas ser "música", não musa. Depois, a banda como um todo não gostou pois tinham feito uma sessão de fotos para aquela capa e jamais imaginariam que um só deles estamparia a "mardita". Para promover o single, fizeram uma tour patrocinada pela Stiff, ao lado do Damned. Mas o vínculo com a Stiff estava comprometido, tanto pela controversa capa como pelo fato de o selo estar centrado no Damned. Como já tinham um empresário, Michael Dempsey (figura lendária do underground londrino, falecido em 1981), não demoraram a conseguir um contrato com um selo maior, a hoje extinta Anchor Records, que tinha ligações com a norte-americana ABC Records, do grupo Paramount (a escolha pelo selo levou em conta uma possível divulgação nos EUA, claro). Antes de lançarem o segundo single foram convidados para uma Peel Session. Isso com menos de seis meses de existência.
Em agosto de 77, saiu o segundo compacto com Gary Gilmore's Eye e Bored Teenagers, dois dos maiores clássicos do Adverts, que chegou ao 18º posto na parada de singles ingleses. O êxito ajudou o grupo a ser indicado para abrir uma série de shows de Iggy Pop em sua tour pelo Reino Unido. Um sonho para Gaye, fan declarada do agora "vovô do punk". Dois meses depois da tour, em novembro, lançaram Safety in Numbers/We Who Wait, sem a mesma repercursão do single anterior.
Depois de quase um ano tocando direto e os três singles reconhecidamente entre os melhores de 77, estava na hora do álbum. Para a gravação escolheram nada menos que o consagrado estúdio Abbey Road. Antes do LP, porém, lançaram mais um single com No Time To Be 21 e New Day Dawning. Em fevereiro de 78 finalmente foi lançado o clássico Crossing the Red Sea with The Adverts. Adquiri este disco por volta de 81 e devo tê-lo ouvido umas 200 vezes em uma semana. Até hoje sinto algo diferente quando roda New Church, On the Roof, Bombsite Boys, Great British Mistake, On Wheels...
Após o lançamento do LP, shows, shows e mais shows. Como até então praticamente não haviam saído de Londres, iniciaram uma tour continental. No entanto, antes mesmo de completarem o giro pela Irlanda, Laurie foi atacado por uma hepatite e a excursão teve de ser interrompida. Fora de combate, o baterista foi substituído por... John Towe, que já não estava mais no Gen X. Mas o novo integrante não se adaptou e deixou o "cargo" após poucas apresentações. As baquetas passaram então para Rod Latter, ex-The Rings (tocou no The Maniacs também).
Depois da excursão pela Europa, os desentendimentos com a Anchor Records começaram. A banda e Dempsey (o empresário) queriam tentar o mercado dos EUA, mas a ABC não acreditava no potencial das bandas punks inglesas e não quis lançar o LP, apesar de muitas cópias terem atravessado o Atlântico, nem investir em uma tournê. Assim, deixaram o selo e assinaram com a RCA. O primeiro single pela nova gravadora, lançado em novembro de 78, foi o excelente Television's Over/Back From the Dead. A produção ficou a cargo de Tom Newman, o mesmo do chatíssimo Tubular Bells de Mike Oldfield. Back... também marcou o inicio de uma parceria entre TV Smith e o tecladista Richard Strange, do Doctors of Madness, banda hoje classificada como "proto-punk". Parecia o prenúncio de uma grande trabalho. O grupo gastou praticamente oito meses para conceber o segundo LP. Nesse meio tempo, o tecladista Tim Cross, que também trabalhara com Mike Oldfield entrou para o grupo. E só há uma palavra para definir Cast of Thousands: decepcionante. O disco não tem nada a ver com o primeiro. Sem energia, sem pegada e musicalmente pretencioso, mas claramente sem inspiração. Eles não precisavam gravar outro Red Sea, nem ter feito outro disco punk, mas também não precisavam fazer algo tão fraco. Ignorado pelo público e pela mídia, o fracasso iniciou o fim ao grupo que também já estava dilacerado. Após aguns shows como quinteto, Howard Pickup simplesmente desapareceu e o Adverts ficou sem guitarrista. Em seu lugar entrou Paul Martinez. Depois, Latter também abandonou o barco e o irmão de Paul, Rick, ficou em seu lugar. Ainda gravaram uma Peel Session, a quarta, em outubro de 79. Mas sem público, castigados pela mídia e ignorados pela RCA, fizeram a última aprsentação em 27 de outubro de 79, no Slough College. Howard Pickup morreu de câncer no cérebro, em 11 de julho de 1997.

Baixe aqui Crossing the Red Sea With The Adverts e aqui o Singles Collection


ADVERTS FACTS
  • O Sleaze, a primeira banda de TV Smith, chegou a gravar um LP por conta própria, do qual foram prensadas apenas 50 cópias, distribuídas para amigos e familiares. Uma das músicas deste disco, Listen don't think, foi reformulada pelo Adverts e rebatizada como New Boys.
  • Gary Gilmore's Eyes foi baseada em uma das mais tétricas histórias da época. Gilmore era um assassino norte-americano condenado a morte que pediu insistentemente para ser executado antes do tempo e que seus olhos fossem doados para transplante, já que "o coração não servia para nada"! Mas na época muita gente confundiu o personagem com Gary Gilmour, um famoso jogador de críquete.
  • Apesar de ajudar a atrair público e atenção da mídia, além de contribuir para que outras minas se aventurassem nos palcos, o fato de Gaye Advert ter se tornado uma espécie de musa punk atrapalhou um pouco a banda, sempre vista como o grupo da "baixista sexy". Alguns tablóides chegaram a comentar qu ela era a vocalista mais sexy de Londres. No máximo, ela fazia um ou outro backing volcal. O tom de voz de TV Smith realmente parece feminino, mas nas capas dos discos tinha os créditos... coisas da gloriosa imprensa musical!
  • O engenheiro de som de Crossing the Red Sea... foi John Leckie, o mesmo do aclamado álbum Dark Side of the Moon do Shit Floyd.
  • Gaye Advert foi convidada por Ari Up para ser uma das Slits, mas recusou, pois "preferia ficar em companhia de garotos".
  • No Crossing the Red Sea... original as faixas Gary Gilmore's Eye e New Day Dawning ficaram de fora e só foram incluídas no relançamento em CD.
  • TV Smith seguiu carreira solo e está em atividade (confira o site oficial). Gaye Advert, que mora com ele, aparece eventualmente em shows do companheiro, mas oficialmente retirou-se do mundo da música. Laurie Driver e Rod Latter também não se envolveram mais com música.

04/05/2009

Pequenos Gigantes V - Good Vibrations Records

Foto recente de Terri Hooley

Nos anos 70, Belfast era uma cidade tão segura quanto Bagdá é hoje. A Irlanda do Norte, ou Ulster, sofria com uma onda de violência por motivos políticos e divergências religiosas que dividem o país até os dias atuais. A diferença é que depois de muitas mortes sem sentido, alguns acordos foram selados e a situação está bem mais tranquila, embora não totalmente resolvida. Mas esse tópico não é sobre a política e a divisão religiosa do Ulster (confesso que não entendo muito bem o que realmente acontece por lá), mas sobre a GOOD VIBRATIONS RECORDS, o principal selo independente e maior responsável pela divulgação do punk norte-irlandês. A importância desse selo é tão grande que relatar sua história é também contar a história do punk naquele país.
O punk rock na Irlanda do Norte surgiu quase que ao mesmo tempo que na Inglaterra. Claro que a proximidade geográfica tem tudo a ver com isso. Mas também a situação político-social do Ulster deu sua "contribuição" ao colocar nas ruas uma geração de jovens sem perspectiva de futuro. "No future" na Irlanda do Norte dos anos 70 não era apenas verso de música. Para muitos jovens, entrar em grupos paramilitares (o IRA era apenas um deles, na verdade, existiam muitos) era o caminho natural. Morrer era muito fácil.
Em tal cenário e com Londres a apenas alguns quilômetros, o punk rock, com toda sua agressividade, além de poder ser tocado com instrumentos baratos e em qualquer esquina, naturalmente conquistou espaço e logo surgiram diversas bandas. Uma característica bastante curiosa de muitos grupos do período inicial (76-78) do punk na Irlanda do Norte, era fazerem um som mais melódico, que oscilava entre o punk rock, o power pop e a new wave.Para isso contribuiu o fato de o glam rock de grupos como T-Rex, Sweet e New York Dolls fazerem bastante sucesso por lá. E é com lembrar que Rory Gallagher, vocalista e guitarrista do Thin Lizzy, é de Belfast. Outro fator que abriu espaço para os punks foi que o rock estava praticamente morto.
As primeiras bandas punks norte-irlandesas (das quais falarei mais em post específicos) foram Rudi, The Undertones e The Outcasts. Entre os pioneiros menos famosos e com existência bem mais efêmera estão The Deotnators, DC9 e Starjets. Todos formados entre 75 e 76.
A cena punk/new wave do Ulster revelou ainda nomes como Boomtown Rats, Radiators From Space e Stiff Little Fingers, mas esses três se mandaram para Londres bem cedo, pois notaram que em seu país, teriam bem poucas chances de gravar alguma coisa. E é aí que entra o herói desse post, um ex-hippie chamado Terri Hooley.
Dono de uma pequena loja de discos em Belfast, que já se chamava Good Vibrations ("homenagem" a uma música do Beach Boys), Hooley simpatizou com o punk após assistir o Rudi e o Outcasts. Conversou com as bandas e resolveu dar uma força para eles conseguirem shows. "Ninguém queria gigs punk naquela época e a única maneira de conseguirmos fazer um era ligar para os locais e dizer que estava organizando uma festa de 21 anos de sua filha e que tocariam algumas bandas. Quando eles descobriam que na verdade era uma gig punk, era tarde demais...", conta Hooley numa entrevista de 2008 ao jornal Belfast News Letter (leia o texto completo aqui).
Depois de organizar um show com sete bandas que acabou em grande confusão e a polícia mandando todo mundo para casa na base da porrada (sem novidades aqui), Hooley sentiu que era hora de por mais lenha na fogueira. Como a possibilidade daquelas bandas gravarem era praticamente zero, arregaçou as mangas e deu vida ao selo GOOD VIBRATIONS. A essa altura, final de 77, o Reino Unido já fervia com o fenômeno punk. Belfast já fora visitada pelo Clash (em um show que entrou para a história por ter sido cancelado pouco antes de começar, o que transformou o local em que se realizaria em um campo de batalha) e outros grupos. O Stiff Little Fingers já lançara seu primeiro single, com Alternative Ulster, revelando que em Belfast tinha muito mais que bombas e grupos paramilitares.
O primeiro compacto da GV foi Big Time/Number One, do Rudi, que saiu em abril de 78, Apesar de ter mandado para rádios e revistas do Reino Uido inteiro, a repercursão des lançamento foi zero. Depois seguiram-se singles do Victim e do Outcasts. Então em setembro, sai o EP Teenage Kicks do Undertones, banda que a princípio nem Hooley queria gravar. O fato é que o disco foi ignorado até cair nas mão de John Peel, que ficou tão entusiasmado ao ouvi-lo que, inusitadamente, o tocou duas vezes seguidas, algo que jamais acontecera em seu programa (e, muito provavelmente, em toda a história da BBC).
Aí, nosso herói deu uma grande prova de integridade. Na manhã seguinte, a Sire Records procurou a banda para contratá-los. Eles aceitaram mas queriam Hooley como empresário. Só que ele se recusou com o argumento de que não estava de saída de Belfast, pois queria ficar lá e colocar a Irlanda do Norte no mapa da música.
O êxito comercial do Undertones impulsionou a GV, que em um espaço de dois anos lançou 15 compactos (incluindo cinco de bandas não irlandesas, cmo o The Bears, já postado aqui no FZ) e dois álbuns. Mas, para variar, Terry Hooley, além de muito honesto com as bandas, não tinha o senso comercial necessário para o ramo e não suportou uma das muitas crises econômicas vividas por seu país. A Good Vibrations fechou as portas em 1980. Ainda fez alguns lançamentos entre 81 e 83, mas já com muito mais dificuldades que no próprio início.
Nos anos 90, com a volta do interesse pelo punk rock, o selo voltou a respirar, porém, uma vez mais não resistu à feorocidade do mercado e voltou a fechar. Uma boa contribuição para esse breve renascimento do selo foi uma frase de Curt Cobain, quando passou por Belfast e foi hospitalizado: "Eu não ligo se morrer aqui, porque é o lar da Good Vibrations Records". Em 2000, a GV reapareceu com um CD-single do grupo Twinkle e um álbum (em CD) do Social Scum, chamado Ooops.
Confira a discografia do selo no site irishrock.org
Para conhecer um pouco do trabalho de Terri Hooley e das bandas pioneiras do punk norte-irlandês, baixe a coletânea GOOD VIBRATIONS SINGLES COLLECTION (parte 1 aqui e parte 2 aqui), com faixas dos primeiros anos deste importantíssimo selo das bandas Rudi, Victim, Outcasts, Undertones, XDreamysts, The Idiots e outras.

30/04/2009

A ressurreição do Death


Olá! Obrigado pelo interesse, mas o FACTOR ZERO está em novo endereço: 

https://factorzeroblog.wordpress.com

Hi! Thanx for your interest, but we've changed our address. Please visit us at 




https://factorzeroblog.wordpress.com/


25/04/2009

Raízes Germânicas parte 3 - Male, os pioneiros de Düsseldorf


De volta à história do punk alemão, o FZ apresenta o MALE, que tem em seu DNA fatores dos dois posts anteriores sobre o assunto: a veia e a consciência política do Ton Steine Scherben e a sonoridade básica e agressiva do Big Balls and the White Idiot. No entanto, o Male não é uma simples reunião dessas influências, pelo contrário, é difícil achar traços aparentes das duas bandas no som deles.
Formado no final de 76, o Male reivindica para si o pioneirismo no punk alemão, o que muita gente aceita, por não considerar o Big Balls "punk autêntico". Mas outros grupos também estão nessa "disputa", a meu ver inútil e infrutífera, como o The Neat, de Dortmund. Não vou entrar nesse mérito porque defendo a tese de que o punk é um fenômeno urbano espontâneo, portanto, não foi criado por ninguém. São muitos os "pioneiros" do punk: toda uma parcela da juventude mundial da metade dos anos 70, que vivia em médios e grandes centros urbanos, revoltada com algum tipo de repressão, opressão, exclusão, etc, e que esperava encontrar isso na música ou em outras formas de arte. O rock, que desde os anos 50 era o modo de "arte" mais próximo do que sentiam esses jovens, perdera a condição de porta voz desse sentimento constestador, totalmente absorvido pela indústria cultural. No entanto, a molecada, sem perspectiva, reapropriou-se do que era seu e deu nova roupagem e linguagem ao velho e bom rock'n'roll. Curioso que, como em um ciclo sem fim, a indústria cultural absorveu o punk também, e mais tarde até o hardcore...


O Male é da cidade de Düsseldorf e foi criado por por Jürgen Engler (vocal e guitarra), Bernward Malaka (baixo) e Stefan Schaab (guitarra), todos amigos de escola que tiveram contato com o punk inglês (Engler, através de um artigo de jornal mostrado por seu pai, enquanto Schwaab e Malaka ouviram Eddie & the Hot Rods e Sex Pistols no rádio) e decidiram que era aquilo que queriam fazer. Depois, convidaram Claus Ritter para a bateria. As primeiras apresentações foram em escolas locais. Com letras politizadas, a mensagem do Male estava associada também ao cotidiano, às angústias de quatro garotos que ainda não tinham 18 anos quando a banda foi formada. Opressão policial, censura e consumo são alguns dos temas que aparecem nas letras do Male (e de trocentas mil bandas do mundo todo na época).
Apesar de ter surgido em 76 e terem feito algumas apresentações em 77, o Male só chamou a atenção do restante do país em 78, quando participaram de festivais punks em Hamburgo e Berlim. Em vinil, o grupo só apareceu em 1979, com o LP Zensur & Zenzur, este sim, sem qualquer dúvida, o primeiro álbum punk com letras totalmente em alemão (até então, apenas alguns compactos haviam sido lançados no país). Pode não ser um grande disco, um clássico instantâneo, mas vale pela importância histórica e tem faixas muito boas, como Vaterland, Planspiel e Polizei. Particularmente acho o disco um pouco "frio" e difícil de se gostar na primeira audição. Logo após o LP lançaram também o single Clever & Smart/Casablanca, em que a influência do Clash aparece mais nitidamente, principalmente no lado b.
Em 80, o Male parecia estar no auge e tinha tudo para enfim tornar-se uma banda "grande". Convidados para abrirem o show do Clash, em Berlim, tiveram uma exposição que jamais sonharam. No entanto, a apresentação não saiu como planejada. Foi a gota d'água e após o concerto, que deveria ser o grande impulso para a carreira do Male, o grupo dissolveu-se. "Já não era mais o meu mundo, eu queria fazer algo novo", declarou Engler em entrevista recente ao jornal WZ. E fez: juntamente com Malaka fundou o Die Krupps, grupo de música eletrônica - uma tradição em Dusseldorf, lar do Kraftwerk - que ajudou a construir as bases para o que hoje é conhecido como "rock industrial". No início o grupo era bem mais experimental, depois, passou a misturar as guitarras pesadas do heavy metal com os sintetizadores, algo comum hoje, mas revolucionário naquela época. Schwaab e Ritter, por sua vez, fundaram primeiro o Freunde der Nachten e, depois, o Alright Bros, também com som eletrônico.
A importância do Male para o punk alemão pode ser medida nas palavras de Campino, vocalista do Toten Hosen, a banda mais conhecida daquele país atualmente e que abriu vários shows do Male quando ainda eram chamados ZK: "Se não fosse o Male, talvez o Toten Hosen não existisse".
Baixe o histórico Zensur & Zensur e também a coletânea Grosseinsatz 1977-1994



MALE FACTS
  • Logo na estreia, o Male queimou uma bandeira alemã no palco, o que acabou sendo um grande escândalo, afinal, estavam dentro de uam escola. Também o modo como se vestiam fez com que fossem marginalizados em Düsseldorf. Tudo o que queriam...
  • Em um dos shows da banda em Berlim, em 78, na platéia estavam David Bowie e Iggy Pop, que acabou conversando com o grupo nos bastidores.
  • Um dos motivos do fracasso no show com o Clash, que acabou por motivar o fim da banda, foi não poderem passar o som antes da apresentação. Primeiro porque chegaram duas horas atrasados, por estarem bêbados, depois porque tiveram que esperar acabar um jogo de futebol (?) no ginásio.
  • Em 1990, Jürgen Engler agitou uma reunião do grupo que gravou quatro músicas antigas (Wie Bonnie und Clyde, Die Ewigen Verlierier, Sirenen e Irgendwann...). As faixas apareceram na reeedição em CD de Zensur & Zensur e também numa coletânea de raridades do grupo chamada Grosseinsatz 1977-1994.
  • Uma nova reunião foi organizada para comemorar os 25 anos do Male, em 2002, quando fizeram shows em várias cidades alemãs. Atualmente, o site da banda (http://www.male-punkrock.de) anuncia que eles estão em estúdio.

11/04/2009

Entrevista - Redson (Cólera)


O CÓLERA é uma das bandas pioneiras do punk brasileiro, ao lado de Condutores de Cadáver, Restos de Nada e AI-5. Mas diferente dos outros mantém-se em atividade desde sua criação e neste ano completa sua terceira década de existência. Assim, nada melhor que uma entrevista com o mentor e dessa verdadeira instituição do punk nacional, o guitarrista Redson Pozzi.
Além dos irmãos Redson (guitarra e voz) e Pierre (bateria), a formação inicial do Cólera tinha o Hélio no baixo. Depois, Val assumiu as cordas bases e ficou até os anos 90, quando fo substituído por Josué Correira, que mais tarde dara lugar a Fábio Bossi. No entanto, desde 2002 Val retornou e a formação original segue fazendo shows e deve lançar ainda este ano mais um cd.
A importância do Cólera para o punk tupiniquim está muito além do som. O Cólera sempre foi uma das bandas mais ativas do cenário e deu muita força para outros grupos existirem. Foi na aparelhagem do Cólera que o Anarcoólatras e outros grupos aprenderam os primeiros acordes. Na garagem dos Pozzi, no Capão Redondo, nasceu o Olho Seco. Lá também o Ratos de Porão gravou sua primeira demo tape. A disposição de Redson ajudou a abrir portas de muitos lugares para shows punks, inclusive em outras cidades. O Cólera foi a primeira banda punk brasileira a tocar no exterior (excluindo o Mutantes, talvez tenha sido o primeiro grupo de rock brasileiro a fazer shows na Europa). Para facilitar o lançamento dos discos da banda, Redson foi um dos fundadores (sairia depois) da Ataque Frontal, selo que até hoje atua para a existência do punk nacional, inclusive trazendo bandas gringas e lançando outras tantas nacionais.
Como a história deles é bem conhecida, resolvi fazer uma entrevista com o Redson para registrar no FZ mais esse capítulo da história do punk no Brasil.

FZ - Antes do Cólera, o que vc fazia? Como e quando começou a tocar guitarra?
Me interessei em tocar guitarra com 11 anos. Montei a primeira banda com 12, a segunda e a terceira com 14 e a quarta, com quinze. Com 17 anos montei minha quinta banda, o Cólera, ou seja, em outubro de 1979. Antes disso, eu já frequentava o point de roqueiros que era a estação São Bento do metrô, em SP. Durante três anos eu ia com meu violão Rei tocar pra galera durante três, quatro horas seguidas. Rolava desde The Doors, AC/DC, até Ramones, Ultravox. Com isso, fui convidado a tocar guitarra numa banda de punk rock de Pirituba, que se chamava Tropa Maldita.

FZ - Como conheceu o punk rock?
Com o primeiro álbum dos Pistols, mas não foi o que me deu a referência para tocar punk rock. Foi mesmo o The Clash, com seu primeiro LP. Daí veio Stranglers, UK Subs, Stiff ...

FZ - Quando e como resolveu formar o Cólera? Por que Cólera?
Em outubro de 79, conheci o Helinho na Estação São Bento, estávamos munidos de violões. Lá mesmo, depois de fazer um som juntos, decidimos montar uma banda. O nome veio de uma reportagem no jornal: “Cólera mata milhares de porcos no sul do país.”

FZ - Quem eram os primeiros integrantes? Qual, ou quais foram as primeiras músicas?
Eu no baixo e vocal, Pierre na bateria e Helinho na guitarra.

FZ - No começo, a banda tinha vocalista (Kino, se não me engano), porque saiu?

Ele era brother meu de rolê e, antes do Cólera, estávamos cogitando fazer um som juntos. Em janeiro de 1980, ele entrou como backing vocal. Depois que o Val entrou tocando baixo e eu fui pra guitarra, o Kino ficou mais três meses com a banda e teve que mudar de SP, daí perdemos contato até hoje.

FZ - E o Val? Quando entrou na banda?
Maio de 1980.

FZ - Quais eram as maiores dificuldades no começo?
Equipamento, pois não haviam opções, era caro e muito ruim. As tretas eram uma barreira frequente e o lance de não ter onde tocar, gravar, etc... Hoje temos aqui em Sampa um circuito urderground espetacular que é visitado por bandas da Europa, Japão, América Latina e América do Norte.

FZ - Onde e como o Cólera se apresentou pela primeira vez? Como foi?
Em 12 de dezembro de 1979 na escola municipal CETAL (hoje é ETAL). Foi ao lado de Restos de Nada e Condutores de Cadávers. Tocamos as 11 músicas que fizemos durante os dois primeiros meses da banda . A galera curtiu e pediu mais...daí, sem mais sons pra tocar, fizemos um som ali, na hora, um punk rock repente, chamado Desratear.

FZ - Depois de tanto tempo, como vc avalia as primeiras gravações do Cólera (Grito e Tente Mudar o Manhã)?
Fudidas em ambos os sentidos!

FZ - No LP "Pela Paz em Todo Mundo" o Cólera adotou uma postura mais politizada. Parece que houve uma espécie de "guinada" pacifista nas mensagens. Como foi esse processo?
O pacifismo foi uma veia que eu tinha desde minhas primeiras bandas de rock, antes do Cólera. Também músicas como Viralatas, Zero Zero.. Com as músicas que foram surgindo nos anos anteriores, era inevitável que fosse um álbum temático e que tudo seria com uma nova linguagem; as cores, pois os punks só usavam preto e branco...he he he, os arranjos, letras e a mensagem central: Pela Paz em Todo Mundo.

FZ - Como vc vê hoje a explosão do punk no Brasil no início dos anos 80? E a que atribui a decadência vivida por esse "movimento" a partir de 84/85?
Bem não vejo uma decadência mas sim altos e baixos com uma recente e positiva transformação. Naquela época, tivemos um ímpeto de fazer, de acreditar. Éramos basicamente um pouco mais de um mil. A situação e estilo de vida da época eram de precariedade, ditadura militar e desinformação. Atualmente, a parada não existe somente em Sampa ou Rio, mas é no país todo. Existem centenas de pessoas na cena sem saber o que fazem e porque fazem parte daquilo, mas por outro lado, há uma quantidade significativa e crescente de pessoas acreditando no D.I.Y. Viajo muito pelo Brasil em tours e posso afirmar que o que vejo é gente colocando a mão na massa, tendo resultado e crescendo sua idéia. Hoje, com internet, circuito para shows e tudo o que dispomos de recursos está rolando uma febre de lançamento de CDs produzidos pelas próprias bandas. Numa época em que venda de CD está em baixa, a cena punkrock continua realizando suas produções sem parar. Acho que cada época tem seu valor e significado.

FZ - O que vc lembra da primeira tour européia? Vc ainda tem contato com o pessoal que recebeu o Cólera por lá? Como aconteceu o convite? Vcs ganharam dinheiro lá?
Não ganhamos cash, perdemos. Nas duas tours mais recentes, 2004 e 2008, encontramos muitos amigos de 1987 na Bélgica, Alemanha e Áustria. O convite: como os LPs do Cólera vendiam muito bem na Europa, um fã da Bélgica propôs pra banda ir pra lá e fazer alguns shows. Daí emprestamos dinheiro pra comprar passagens e pagar as taxas que eram bem altas e tinha
um tal de empréstimo compulsório do governo. Conseguimos resolver e fomos com 18 shows marcados. Cinco meses depois voltamos com um total de 56 shows realizados em 10 países da Europa.

FZ - Como e porque se deu a ruptura da banda com a Ataque Frontal? Vc tem alguma mágoa com Renato Filho?
Não. Eu quis sair. Não falávamos a mesma língua.

FZ - E as hostilidades do RDP? Como vc encarou isso? Vcs chegaram a ter alguma treta física?
Faz anos que tudo isso está resolvido. Ontem mesmo tocamos juntos em Sampa, no Combat Rock, com Clemente, Mingau e Ari, recebemos os convidados, João Gordo, Jão, Sandra (Mercenárias), Daniel Beleza... Sem seqüelas...

FZ - Nos anos 90, o Cólera deu um tempo ou havia acabado?
O Cólera está realizando atualmente a tour: “CÓLERA 30 ANOS SEM PARAR!”

FZ - Vc já fez diversos projetos paralelos pode falar deles?

AXO = eu tocava tudo sozinho. Montei em 1982 e fiz uma demo nos Estudios Vermelhos.
Rosa Luxemburgo = foi um projeto com influências de Ultravox, Depeche Mode, com pegadas de funk antigo e letras em português. Durou de 1984 até 1992. Eu era o vocal.
BIKE: Toquei bateria neste projeto que tocava sons pra andar de bike. Durou 1 ano (1990).

FZ - Hoje vc considera que o Cólera é mais reconhecido que antes? Pq?
Melhoramos nossa forma de mostrar nossa idéias.

FZ - Quantas tours já fizeram no exterior?

Três: 1987, 2004 e 2008.

FZ - Como vc compara o público punk de hoje e dos anos70/80?
Hoje é mais amplo e as pessoas são bem sedentas por música ao vivo cantada em português e com conteúdo. Antes, dava-se preferência pro som de fita mais do que pras bandas.

FZ - Qual é o disco do Cólera que mais vendeu? E qual vc considera o melhor?
Pela Paz. Nenhum é melhor, é como filho, cada um é cada um. Claro que, atualmente, estou mais envolvido no próximo.... he he he he

FZ - Quais são os próximos projetos?
CD de inéditas: ACORDE ACORDE ACORDE e DVD “CÓLERA 30 ANOS SEM PARAR!

FZ - Fique à vontade para tecer quaisquer comentarios adicionais.
Deixar um salve pra todos que fazem alguma coisa legal, um som, zine, desenho....muita saúde pra todos.

FZ - Ah, posso disponibilizar alguns sons do Cólera para o povo baixar? Gostaria de disponibilizar o Tente Mudar o Amanhã. Mas se vc tiver alguma objeção dê um toque...
Pega no my space/coleraoficial, somente as que estão lá é que pode disponibilizar.

Cólera no Myspace
Comunidade Cólera no Orkut
Site oficial do Cólera




Discografia
1982 - Grito Suburbano (coletânea, participa com quatro faixas)
1984 - Tente Mudar o Amanhã (LP)
1985 - Cólera/RDP - Split ao Vivo
1986 - Dê o Fora(EP 7", lançado na Alemanha)
1986 - Pela Paz em Todo Mundo (LP)
1987 - É Natal (EP 12")
1988 - European Tour 87 (LP ao vivo)
1989 - Verde não Devaste (LP)
1991 - Mundo Mecânico Mundo Eletrõnico (LP)
1998 - Caos Mental Geral (LP)
2002 - 20 Anos Ao Vivo (CD)
2004 - Deixe A Terra Em Paz (CD)
2004 - The Best of Alemanha (CD)
2006 - Primeiros Sintomas (CD)

10/04/2009

04/04/2009

UM ANO NO AR

O Factor Zero chega a um ano de vida com muito mais "a fazer" do que realizado. Sei que nesses 12 meses poderia ter postado mais regularmente, mas esse é meu ritmo. Se não estou a fim de fazer, não faço mesmo. Por outro lado, acho que o blog conseguiu cumprir o papel a que se propôs: mostrar que o punk rock foi muito mais que o sucesso de algumas bandas. Acho que consegui trazer à luz sons pouco conhecidos no Brasil e histórias de grupos não tão obscuros, mas cuja trajetória poucos realmente sabiam. O maior objetivo do Factor Zero é contar a história deste fenômeno urbano mundial através da história das bandas. Missão que a princípio calculei concluir em cinco anos. Assim o que fiz até aqui deveria representar um quinto de tudo a ser feito, o que me faz suspeitar que devo "trabalhar" em um ritmo um pouco mais intenso...
Quanto a repercursão do blog, não posso me queixar. Consegui atingir uma média de mais de 100 acessos diários nos últimos seis meses e perto de cinco mil downloads dos arquivos disponibilizados. Talvez seja pouco comparado aos superblogs, mas é muito mais do que eu esperava (na verdade, eu não esperava porra nenhuma, só queria fazer o blog). O melhor, porém, foi conhecer pessoas interessadas pelo assunto e dispostas a discutir os posts, fazerem sugestões, correções, acrescentar informações, etc. A esses amigos devo a motivação em continuar o blog.

MUITO OBRIGADO E SAUDAÇÕES ANÁRQUICAS A TODOS!

Strongos

02/04/2009

Direito ao trabalho e ao reconhecimento


O bairro londrino de Chelsea atualmente é mais conhecido pelo time de futebol que leva seu nome e, curiosamente, tem seu estádio - o Stamford Bridge - no bairro vizinho de Fulham. Mas a área é também famosa na cidade como um bairro boêmio, local de encontro de artistas marginais. Não por acaso, tem uma ligação muito forte com a música underground e, claro, as raízes do punk inglês, tanto que batiza uma das bandas pioneiras do fenômeno. CHELSEA, a banda, surgiu em agosto de 1976 e seus componentes também não moravam no bairro! O nome surgiu apenas como referência aos anos 60, já que a região era a casa de várias bandas de rock daquele período. O grupo foi formado a partir do vocalista Gene October e a primeira formação contou ainda com o guitarrista William Broad, a.k.a. Billy Idol, o baixista Tony James e o baterista John Towe. Ainda sem nome, apresentaram-se pela primeira vez como LSD, abrindo para o Throbbing Gristle, grupo de música eletrônica (não dance). Em novembro de 76, depois de de três apresentações, Gene ficou sozinho, já que os outros três integrantes saíram para formar o Generation X.
Gene não se abalou e rapidamente recrutou o guitarrista Marty Stacey e o baixista Bob Jessie. No entanto, antes mesmo de arrumar um novo baterista os dois novos integrantes também deram no pé. Insistente Gene colocou anúncios no Melody Maker - na época era o melhor caminho para arrumar alguém a fim de tocar - e logo a banda estava reformada, com James Stevenson na guitarra, Henry Daze no baixo e Carey Fortune na batera. Outra mudança foi o conteúdo das letras, que ficaram mais politizadas. O primeiro single foi lançado pelo selo Step Forward, depois de uma negociação mal sucedida com a Polydor. E a estréia em vinil foi um clássico: no lado A, Right to work (uma letra que casaria muito bem com os dias atuais, marcados pelo desemprego em massa) e, no b, The Loner, mais lenta.

RIGHT TO WORK
Standing around just

For seven days a week
I won't even get no singing on fee
I feel ripped off, yeah
Hey, what about you?
Where was I born

What are we gonna do?

But this I say
We have the right to work

I don't even know what tomorrow will bring
But let me tell you, having no future is a terrible thing
Standing around just waiting for a career
I don't take drugs and I don't drink beer
But this I say
We have the right to work
Yes we do!
I don't even know what tomorrow will bring

Having no future is a terrible thing
Standing around just waiting for a career
I take lives and drugs
And I'm pissed up yeah
Cause I'm a nutter
We have the right to work

Ainda em 77, sairia o segundo single, com High Rise Living e No Admission. Apesar de não ser tão bom quanto o primeiro, tem qualidade, em uma linha mais melódica. Após o lançamento deste compacto e uma tour pela Inglaterra, seria a vez de Daze e Fortune deixarem a banda. Novamente reformado, agora com dois guitarristas (Stevenson e Dave Martin) mais o baterista Steve J. Jones e o baixista Geoffey Miles, o Chelsea entrou em estúdio para gravar seu esperado primeiro LP. O disco levou o nome da banda e saiu com dez faixas. Um dos melhores daquele ano, sem dúvida. A destruidora abertura com I'm on fire, uma das melhores músicas da época, anuncia que as muitas mudanças na formação não tiraram o fôlego do grupo. Destaco ainda a instigante Decide, a "clashniana" Twelve Men e o "hino" Trouble is the Day.
Após mais uma mudança na formação, desta vez, Chris Bashford no lugar de Steve J. Jones, sai o terceiro compacto, Urban Kids/No Flowers. A bolacha apresenta um Chelsea mais maduro e consistente. Entre 79 e 80, com October, Stevenson, Martin, Bashford e Myles o Chelsea viveu seu auge. Nessa época sai o segundo LP, na verdade, uma coletânea com várias músicas dos primeiros compactos e algumas inéditas. Na Inglaterra, o disco foi lançado com o nome Alternative Hits e nos EUA, No Escape. Particularmente, gosto mais deste do que do primeiro, talvez pela diversidade sonora em consequência de ser mais uma coletânea.
Em 1980, depois do cancelamento de uma tour pelos EUA, a banda, mais uma vez se desintegrou. James Stevenson foi para o GenX, enquanto Myles e Martin formaram o obscuro The Smart. Quando tudo levava a crer que o Chelsea acabara, Gene - com a companhia dos guitarristas Nic Austin e Stephen Corfield, do baixista Tim Griffin e do baterista Sol Mintz - manteve o grupo em atividade. Antes de entrar em estúdio para gravar o terceiro (segundo, na verdade) LP, Corfield debandou e Paul Linc assumiu as baquetas. Novamente um quarteto, a banda produziu Evacuate, um disco muito mais trabalho que os anteriores. Um grande disco, pouco valorizado na época de seu lançamento (1982), em que o hardcore predominava de um lado e o pop barato de outro.
Depois deste disco, o grupo manteve-se em atividade até 83, incrivelmente, sem mudanças na formação. Seguiu-se um breve período em que Gene partiu para a carreira solo. Como não conseguiu destaque, retomou o nome Chelsea. Entre 1986 e 1994, o grupo (Gene, na verdade) lançou os apenas medianos álbuns Original Sinners, Rocks Off e Underwraps, cada um com uma formação diferente. Mais um hiato seguiu-se até que em 1999 o grupo (assim como uma centena de outros) voltou à ativa com Gene, Bashford, Stevenson e Myles. Desde então, o Chelsea tem feito turnês esporádicas e lançou alguns CDs com regravações de seus clássicos, até que em 2005 chegou à lojas Faster Cheap and Better Looking o primeiro de inéditas após o retorno. Por sinal, um disco muito bom, ainda que não tão criativo quantoos lançamentos do período 76-84. Essa é a história resumida do Chelsea, a banda, muito melhor que o time e outras Chelseas por aí....
Baixe aqui Chelsea, o primeiro LP e aqui, Alternative Hits (No Escape).

O Chelsea de 82, época de Evacuate

CHELSEA FACTS
  • Nos anos 70, Gene October tentou a carreira de ator. Além de alguns filmes pornôs fez uma pequena ponta em Caravaggio, película com temática gay. Também trabalhou em musicais como Urgh! A Musical War e Jubilee, filme que tem Right to Work na trilha sonora.
  • Em 76, foi Gene quem conveceu o dono do Roxy, até então um clube exclusivamente gay, a abrir as portas para bandas punk.
  • O Chelsea tinha estreitas relações com os membros do The Police, muito devido à amizade com o produtor musical Miles Copeland, irmão de Stewart, baterista da banda de Sting. Este, aliás, chegou a tocar com o Chelsea, em 82, em pequenos shows, quando o grupo ficou sem baixista. Antes, em 79, o Police abriu para o Chelsea em uma rápida turnê pelo Reino Unido.
  • Outra figura conhecida que passou pelo Chelsea foi Topper Headon, o batera do Clash. Ele participou do álbum Underwraps.
  • O guitarrista James Stevenson é um dos membros do Gene Loves Jezebel, banda pop/new wave relativamente bem conhecida e que chegou a fazer sucesso por aqui nos anos 80. Ele também trabalhou com o The Cult e com Beki Bondage, a beldade vocalista do Vice Squad.
  • No Scape, faixa de abertura do segundo LP, é uma música do The Seeds, banda garageira dos anos 60 que muita gente considera como um dos precursores do punk.