05/10/2011

Redson e o A.C.X.O.

Passado o susto (não a tristeza) pela morte do Redson, quero compartilhar com os leitores do Factor Zero um momento bem pouco conhecido da carreira desse ícone do punk nacional. Em 1981, Redson gravou uma demo tape com quatro músicas. Fez tudo: baixo, bateria, guitarra, voz... e gravou nos fundos de sua casa, no cômodo onde o Cólera ensaiava (e outras bandas também, como o Olho Seco e o Anarcoólatras).
Redson chamou a experiência de A.C.X.O. e, apesar de ser uma gravação de qualidade bem precária, mostra a sua genialidade como compositor. Sempre gostei muito dessas faixas que mostram o Redson numa fase mais revoltada, antes de sua militância pacifista. Não tenho nada contra esse outro lado, mas acho que ele era mais criativo quando não era tão panfletário.
Musicalmente, as músicas do A.C.X.O. têm um pouco de Cólera (claro, ele também compôs 98% do repertório da banda), tanto que duas entraram para o repertório do grupo e estão no primeiro LP (o tosco, mas ótimo, Tente Mudar o Amanhã). Uma foi Anjos do Beco e a outra 11 e 6, esta última com novos acordes e mudanças na letra (passou a se chamar Amnésia).
O registro vale como curiosidade para os fãs e resgata essa fase mais "despojada" do Redson, como mostram esses versos de da faixa Contato:  "Tou revoltado com o barulho do motor / Tou revoltado com a fumaça do cigarro / Tou revoltado com a falta de recurso /E com a deturpação do meu pensamento".
A título de curiosidade, Redson teve outro projeto paralelo ao Cólera, lá por 83 ou 84, na fase em que os punks não podiam tocar em nenhum lugar de São Paulo, chamado Rosa Luxemburgo, uma banda "new wave", da qual, infelizmente, não tenho nenhum registro. 


Descanse em paz, guerreiro!

Obs: este post foi atualizado. A memória me traiu! Como bem lembrado pelo Risto nos comentários, o nome correto do projeto é A.C.X.O. e não "A.X.O."... neurônios, quem precisa deles??? 

Clique aqui para baixar a demo do A.C.X.O. 




28/09/2011

Luto

Acabo de receber a notícia de que o Redson, vocalista do Cólera, morreu. Grande amigo dos bons tempos, um verdadeiro guerreiro, com quem tive a honra de conviver. Descanse em paz, amigo, pois foi por ela que você lutou a vida inteira!

29/03/2011

O Warsaw Pakt original



Não, este não é um texto sobre a primeira encarnação do Joy Division (que eu gosto muito), mas sim sobre o Warsaw Pakt que fez Ian Curtis e seus amigos mudarem o nome do grupo, primeiro para Warsaw e, depois, Joy Division. História bem conhecida aliás. O que não é muito comentado é a (curtíssima) trajetória do Warsaw Pakt original.
Formado em Londres no início de 77, o grupo não chegou a um ano de duração, mas escreveu seu capítulo na história do punk e do rock. E não foi só por causa do lance do nome. O único LP que lançaram, Needle Time, foi o primeiro disco de rock a ser gravado em um processo revolucionário para a época. Tudo foi feito em 21 horas, desde a gravação até a bolacha chegar às lojas. Não tenho muita certeza, mas o fato até entrou para o Guiness Book. Na verdade, eles foram cobaias da Island Records para uma experiência de gravar diretamente para o acetato, sem qualquer tipo de mixagem ou remasterização (se você não conhece o processo de fabricação de um vinil, então veja este vídeo: http://youtu.be/xUGRRUecBik). Acredito que tratou-se de um teste para lançar discos ao vivo 24 horas depois do show. Não sei o que virou a experiência depois, mas o Warsaw Pakt não foi lá muito beneficiado. Apesar de o LP ter vendido cinco mil cópias em uma semana, a Island não quis fazer outra prensagem e nem contratar a banda, além de destruir a fita master da gravação. Sem explicar nada para o grupo. Isso fez com que o disco se tornasse uma raridade muito rapidamente. No Brasil, vi uma cópia apenas (que, infelizmente não era minha). Por essas e outras que tenho certeza que a tal indústria fonográfica tem mesmo é que se foder. Usaram e abusaram do poder para lançar um monte de merda e acabar com boas bandas.

A história dos caras começou mesmo em 1975, quando o guitarrista Andy Colquhoun se juntou ao The Rockets, um grupo do circuito pub rock de Londres que tocava mais covers do que músicas próprias. A banda chegou a ficar conhecida no underground londrino, mas não resistiu às constantes mudanças na formação. Mas as coisas não iam bem para eles em 77 e Andy, juntamete com o vocalista Jimmy Coul e o guitarrista John Manly, resolveu deixar o grupo e formar o Warsaw Pakt. O baixista era Chris Underhill e no início o batera foi Wolf Marlander, mas este ficou por pouco tempo e foi substituído por Lucas Fox. Esta foi a formação que fez a história do Warsaw Pakt. Depois da experiência do "LP mais rápido do mundo", eles ainda lançaram um compacto com as faixas Safe and warm e Sick'n'tired e fizeram vários shows, inclusive abrindo para o The Clash e o Damned. Mas em março de 1978, o grupo se dissolveu. Em 1979, ex-integrantes do grupo juntaram forças e lançaram uma fita K7 com gravações raras, chamada See you in court.  


Warsaw Facts
  • Stewart Copeland tocou em alguns shows com o The Rockets e quando o Warsaw Pakt estava começando convidou Andy Colquhoun para conhecer o vocalista de uma banda que ele estava formando. Andy teria se recusado a juntar-se ao grupo. O vocalista era um tal Sting e a banda, o The Police. 
  • Antes de tocar com o Warsaw Pakt, Lucas Fox foi batera da primeira formação do Motörhead. Nos anos 80, foi baterista do Sisterhood, banda criada por Andrew Eldritch após ter saído do Sisters of Mercy.  
  • Depois do fim do WP, Andy Colquhoun integrou o Tanz Der Youth, grupo pos-punk de Brian James, o guitarrista dos dois primeiros LPs do Damned. Andy tocou ainda com o Pink Fairies e na banda do ex-MC5 Wayne Kramer.
  • O vocalista Jimmy Coul se juntou ao obscuro The Argonauts e depois se retirou do cenário musical. Dos demais ex-integrantes do grupo não consegui saber mais nada.
Para conhecer conhecer melhor esta lenda do punk rock baixe os dois únicos lançamentos clicando nos links abaixo

Warsaw Pakt - Needle Time LP
Warsaw Pakt - See You In Court K7




18/03/2011

THE OUTCASTS - Os adolescentes rebeldes do Ulster



Olá! Obrigado pelo interesse, mas o FACTOR ZERO está em novo endereço: 

https://factorzeroblog.wordpress.com

Hi! Thanx for your interest, but we've changed our address. Please visit us at 




https://factorzeroblog.wordpress.com/

10/03/2011

De volta, no mesmo ponto

Não o Factor Zero não morreu. Está de volta exatamente de onde parou. Na sequência da saga do punk canadense é hora de voltar a Vancouver que, como já disse, desenvolveu também uma rica cena punk (e alternativa) em 77. E a primeira banda a fazer um som punk por lá foi o The Furies, embora um outro grupo, formado só por minas, tenha surgido quase ao mesmo tempo: o The Dishrags (na verdade, elas eram de Victoria, que fica ao lado de Vancouver). Ambos tiveram uma vida bem curta, mas não há banda que tenha surgido depois, na época, claro, que não os cite como referência.



THE FURIES - O Furies começou no início de 77 e acabou no mesmo ano, ou seja, não chegaram a completar um ano de existência. A primeira apresentação deles foi em maio e a última, em setembro. Mas o fato de terem sido os pioneiros do punk em Vancouver chamou a atenção da mídia local. Nos poucos meses em que estiveram em atividade apareceram em jornais, revistas e até em um programa de televisão, o que contribuiu para que outros jovens resolvessem formar suas bandas. Certamente, se não tivessem existido, o punk floresceria em Vancouver da mesma maneira - era inevitável, lá com em todas as partes do mundo - mas eles deram o ponta pé inicial e merecem ser lembrados por isso.
A ideia de montar o Furies foi do guitarrista e vocalista Chris Arnett que convidou os amigos de faculdade Malcom Hasman (baixo e vocal) e Jim Albert (bateria) para a empreitada. Mesmo com tão pouco tempo, o grupo ainda teve a substituição de Malcom por John Warner, um mês antes de acabar. Embora não tenham gravado nenhum disco, entraram em estúdio e registraram duas músicas em uma demo tape. Apenas uma delas saiu em uma coletânea chamada Last Call, lançada em 1991.
Para variar, em 2007, o grupo se reuniu para um "remember", com Chris, John e o baterista Taylor Little. Entusiasmados com a resposta do público resolveram gravar dez músicas dos bons tempos e ainda compuseram mais duas. O CD está rolando por aí (não tenho).
A título de curiosidade, após o fim da banda John e Jim mudaram-se para a Inglaterra e Jim tornou-se baterista do PIL (sim, a banda de John Lydon, vulgo Johnny Rotten), além de ter tocado no Human Condition, junto com Jah Wobble (também do PIL), e no The Pack, com Kirk Brandon (futuro Theatre of Hate) e Rab Fae Beith (The Wall). John Warner também era integrante da primeira formação do The Pack. Tem história!



THE DISHRAGS - Se a Inglaterra tinha as Slits e Toronto o The Curse, Vancouver tinha as Dishrags como pioneiras da cena punk. Nascido praticamente junto com o Furies (abriu o primeiro show deles, com o nome Dee Dee and The Dishrags, em homenagem ao guitarrista do Ramones) era um trio de garotas com idade entre 15 e 16 anos! Uma possível explicação para que existisse um grupo só de mulheres tão cedo por lá é que a vocalista e guitarrista Jade Blade, fundadora do Dishrags, era prima de Chris Arnett. A primeira formação tinha ainda a baixista Dale Powers e a baterista Scout. No início, faziam um som bem básico, primitivo mesmo, pois mal sabiam dominar seus instrumentos. Mas conseguiram evoluir e superaram musicalmente várias bandas da época. Em 78, abriram o show do Clash em Vancouver.
Em termos de gravação, participaram da histórica coletânea Vancouver Complication e lançaram dois compactos. O primeiro, de 1979, tem três faixas: Past is Past, Love is Shit e Tormented. O incrível é que o som tem uma pegada hardcore! O disco foi gravado em Seattle (que não é distante de Vancouver) no Triangle Studios, o mesmo em que mais tarde o Nirvana registraria suas primeiras canções.
Mas pouco depois de sair a bolachinha, Dale Powers deixou o grupo. Em seu lugar entrou a baixista Kim Henriksen e o grupo ainda ganhou uma guitarrista extra: Sue MacGillivray. As duas novas integrantes eram de um outro grupo só de minas, chamado Devices, que havia acabado. Agora um quarteto, elas foram para a Inglaterra gravar o segundo single, pela Stiff Records e distribuído pela RCA inglesa, já em 1980. O compacto tem quatro músicas e chama-se Death in the Family, que além da faixa-título trouxe All the Pain e Beware of the Dog. Bem diferente do primeiro, mais lento e mais apurado, mas sem concessões comerciais. No entanto, discussões internas levaram ao fim da banda, provavelmente ainda durante as gravações do segundo disco, que chegou às lojas já com a banda fora de atividade. Em 1997, foi lançado um CD com tudo o que elas gravaram (incluindo faixas de demo tapes e ao vivo), chamado Love/Hate, que ajudou a resgatar esse pedaço precioso da história não contada do punk. Em tempo: dishrag pode ser traduzido como "puta rampeira", ou algo parecido...



ACTIVE DOG - Mais um grupo de vida curta , porém, que lançou sementes fortíssimas na cena punk de Vancouver. A história deles começa em 1978 quando três integrantes do The Monitors (também conhecido como The Shits) - o tecladista Dash Ham, o guitarrista John "Buck Cherry" Armstrong e o vocalista Bill Shirt - saíram da pequena Surrey-White Rock para a vizinha Vancouver. Lá se uniram a Terry Bowes (guitarra), Ross Carpenter (baixo) e Robert Bruce e adotaram o nome Active Dog. Com essa formação tocaram por mais ou menos um ano e meio e ganharam respeito e fama na cena underground. Em 1979, pouco antes de entrarem em estúdio para fazerem suas primeiras gravações, Dash e Bruce deixaram a banda para formar o Pointed Sticks (no qual o tecladista assumiria com o nome Gord Nichol). Mesmo assim, o Active Dog gravou, mas a banda já não existia mais pra promover a bolacha quando ela saiu. Armstrong foi para o The Modernettes, enquanto Bowes e Carpenter formaram o Antheads (que nem chegou a gravar nada). Já Bill Shirt se juntou a Art Bergmann (ex-Young Canadians) no Los Popularos.


O LEGADO - Dá para dizer que foi a partir dessas três bandas (mais DOA e Subhumans, claro) que a cena punk de Vancouver se desenvolveu. Não se pode falar em "explosão", como aconteceu em outros lugares, pois na verdade, não eram muitos os punks, como Joey Shithead deixou claro em seu livro. Os poucos locais que haviam para as bandas tocarem abriam e fechavam com a mesma rapidez que a molecada começava e acabava essas mesmas bandas. Vou falar rapidamente de mais alguns dos principais grupos da primeira era do punk de Vancouver.



O POINTED STICKS começou a tocar no início de 78 como um grupo punk, mas depois assumiu uma identidade "power pop". Mesmo assim, o primeiro LP deles (Perfect Youth ,1980) é excelente e foi uma das primeiras produções do hoje mundialmente famoso Bob Rock. É "punk pop" na veia. Out of Luck, música do segundo single deles, de 1979, poderia fazer parte do repertório de qualquer grupo "pos-Green Day". A formação original tinha o vocalista Nick Jones, o o guitarrista Bill Napier-Hemy, o baixista Tony Bardach e o batera Ian Tiles. Mais tarde o tecladista Gord Nicholl (ex-Active Dog) e o saxofonista Johnny Ferreira (português) juntaram-se ao grupo. Também tocaram com os Sticks o baterista Robert Bruce (ex-Active Dog) e nosso amigo Ken "Dimiwitt" Montgomery (veja os posts sobre o DOA e o Subhumans), além do baixista Scott Watson. O grupo esteve na ativa até 1981 e lançou quatro compactos e um LP. Curiosamente assinaram com a Stiff Records, da Inglaterra e eram mais famosos fora de seu país. Em 2006, a Sudden Death Records, de Joey Shithead, relançou Perfect Youth e, no ano passado, com a formação original, voltaram a gravar em estúdio e lançaram o CD Three Lefts Make a Right. Não tão bom quanto nos velhos tempos, mas ainda (muito) bom.

Outro grupo que trabalhava na fronteira entre o punk e o power pop, mas com mais peso, era o THE MODERNETTES, formado em 79 por John Armstrong, também conhecido por Buck Cherry (guitarra e vocal), Mary-Jo Kopechne (baixo) e Jughead (bateria). Armstrong também foi integrante do Active Dogs. Mary (cujo verdadeiro nome é Mary Armstrong) trocou a música por uma pacata vida na zona rural de Alberta. A curta discografia da banda inclui um single (Strictly Commercial) e dois EPs (o clássico Teen City, de longe o melhor momento deles, e View From The Bottom, um pouco mais comercial) enquanto esteve em atividade, já que acabou em março de 1981. Pouco depois do final do grupo, em outubro de 1981, saiu um EP de 12" chamado Gone... But Not Forgotten, raríssimo por sinal, mas que atualmente foi incluído na coletânea Get It Straight, da Sudden Death Records, que reúne praticamente tudo o que eles gravaram.

Também muito importante foi o I, BRAINEATER. Na verdade, este foi um dos muitos projetos de Jim Cummins, um artista plástico loucaço que visualizou na cena punk/new wave uma maneira de expressão. O cara fez as capas de vários discos, incluindo a do primeiro álbum do Pointed Sticks. Mas o I, Braineater nunca foi um grupo fixo e punk rock mesmo só na primeira encarnação que tinha além de Cummins, Dave Greg (D.O.A.) na guitarra, Art Bergmann (K-Tels) no teclado, Buck Cherry (Modernettes) no baixo e Ian Tiles (Pointed Sticks) na batera. Um supergrupo que gravou um apenas compacto. Depois, a banda teve várias formações diferentes, nas quais apareceram com mas frequência o tecladista Steve Laviolette e o percussionista Ivo Zenatta. Mas sempre com uma pegada mais experimental. Em todo caso, o início foi marcante e Cummins ajudou a desenvolver a cena de Vancouver.

O citado K-TELS teve sua importância, mas ficou mais famoso como YOUNG CANADIANS. A mudança não foi espontânea, mas sim resultado de uma ação jurídica movida pela multinacional K-Tel Inc., na época, uma gigante do entretenimento. Por um curto período chegaram a se chamar X-Tel. O grupo era um trio comandado pelo talentoso vocalista e guitarrista Art Bergmann, com Jim Boscott no baixo e voz e Barry Taylor na batera. Apesar de terem conquistado bom público e feito vários shows grandes, eles resolveram colocar um ponto final na história da banda em 1980. Lançaram dois EPs de 12" (Hawaii e This Is Your Life), ambos com produção de Bob Rock, mais um compacto de 7" (Automan), que foi distribuído junto com a primeira prensagem de Hawaii. Bergmann era a figura da banda. O cara recebeu um prêmio Juno, um dos mais importantes na música do Canadá, como artista revelação e... o trocou por drogas. Chegou a assinar com grandes selos e gravar com assistência de produtores renomados (John Cale, inclusive), mas nunca fez as concessões exigidas pelas gravadoras e, consequentemente, jamais produziu um grande "hit" para a indústria fonográfica. Jogaria no meu time, tranquilamente. Logo após o fim do YC, Art Bergmann fundou o Los Popularos, com um estilo mais rock'n'roll e que se tornou uma lenda na história do rock canadense. Na verdade, era um projeto em que ele convidava membros de outros grupos para shows e gravações em estúdio. Jim tocou em diversas bandas desconhecidas e morreu em 2005, em um acidente não esclarecido dentro de um estacionamento de carros. Após o fim do grupo, Barry se juntou ao Shanghai Dog e eventualmente toca com bandas menos famosas ainda.

Impossível falar do punk de Vancouver da década de 70 sem citar o UJ3RKS (lê-se "u jerkers"). Apesar de não serem realmente punks, acabaram adotados pela cena (o que não era raro nos primeiros anos do punk rock e aconteceu muito em outros países). A história desses malucos começa quando Frank Ramirez e Rodney Graham resolveram se apresentar em cafés de Vancouver ora como "U2" (sim!), ora, "Gentlemen2". Até que resolveram ampliar a brincadeia e convidar outros artistas. Assim, em 77, adotaram o estranho nome. Fizeram gravações, mas só começaram a se apresentar ao vivo como um grupo em 79 e foram imediatamente identificados como punks pela estranheza de suas músicas e a temática crítica das letras, embora o som estivesse mais para oque muita gente chama de "art-rock".

Por fim, é preciso falar sobre o WASTED LIVES, que começou em 1978 e acabou no ano seguinte. No início se chamavam 4 Day Wonder, mas pouco depois dos primeiros ensaios, dois integrantes deixaram o grupo (um deles era o guitarrista Brad Kent, que foi para o Avengers). A verdadeira formação da banda era: Phil Smith (voz e teclados), Colin Griffiths (guitarra), Mary J-Kopechne (baixo) e Andy Graffiti (batera).  O Wasted Lives se apresentou poucas vezes, gravou uma faixa para a coletânea Vancouver Complication e um compacto lançado postumamente com dois sons (Divorce e False Hopes), sendo que a segunda música foi creditada como de um grupo chamado Big Black Puppets, mas o que aconteceu é que eles precisavam de mais um som para lançar o single e Phil Smith e Mary chamaram amigos para gravar o lado b. Teria sido uma banda promissora, but...


Creio que, com esse post, termino a saga do punk canadense. Embora outras cidades como Montreal, Ottawa e Quebec tenham tido suas bandas e num futuro próximo falarei de algumas (como o incrível The Action, por exemplo), foi em Vancouver e Toronto que o punk surgiu no Canadá. E, pelo que vocês podem ouvir baixando esses sons, não é por acaso que ganhou respeito com o passar dos anos. Se quiser mais informações sobre a cena de Vancouver, o site Bloodied But Unbowed é a melhor fonte possível na Web. Também o site da Sudden Death Records, selo dirigido por Joey Shithead (DOA), tem bastante informações e vende material relacionado. E abaixo vão os links para conhecer o som desses verdadeiros herois do underground, pioneiros não apenas de uma cena local, mas de um novo estilo de vida. Vocês sabem do que estou falando...

The Furies
The Dishrag
Active Dog + Wasted Live
Pointed Sticks (Perfect Youth LP)
Pointed Sticks (Perfect Youth bonus tracks) 
The Modernettes
I, Braineater
UJ3RK5
K-Tels / Young Canadians
Vancouver Complication (coletânea)