22/12/2008

HIJOS DE LA REPRESIÓN

Nos anos 70, a América do Sul sofria sob o peso das botas e fuzis militares. Entre as ditaduras do continente é difícil dizer qual foi a mais sangrenta e repressora, mas certamente a Argentina é forte candidata a este triste "título". Assim, por lá também foi natural o surgimento de punks, mesmo sob uma violenta repressão, que tinha olhos e ouvidos em todos os cantos do país. Obviamente que qualquer fenômeno cultural que tivesse o mínimo traço contestador era abafado. Mas, como aconteceu no Brasil, no final daquela década, os militares viram que seria difícil manter um regime tão fechado. Não que tenham resolvido ficar bonzinhos de uma hora para outra, mas os problemas econômicos tornavam-se cada vez mais evidentes e era necessário passar o bastão... e o abacaxi. Nesse contexto de uma pequena e forçada "abertura política", surgia silenciosamente - ainda que fazendo muito barulho - e quase simultaneamente nas periferias de São Paulo, Buenos Aires e Lima (no Chile, seria mais tarde um pouco), os primeiros punks da América do Sul. Isso aconteceu por volta de 78/79.
Na Argentina, a primeira banda, formada em 78, foi Los Testiculos, que em 1980 trocou o nome para LOS VIOLADORES. Da mesma época também são Los Barajas e Los Laxantes. A primeira formação dos Violadores teve o guitarrista Hari B, o baterista Sergio Gramática, o baixista Stuka e o vocalista Pil Trafa. O quarteto conseguiu firmar-se e ganhar algum nome em 81, com várias apresentações. Em 82, finalmente foram para o estúdio e gravaram um LP. Entretanto, o disco só foi lançado em 83, após as eleições que representaram o fim oficial da ditadura argentina, que, na verdade, começara a ruir com o fiasco militar da Guerra das Malvinas.
Ao contrário dos punks brasileiros, que faziam um som mais hardcore, tosco e agressivo, o Los Violadores tinha uma linha musical mais próxima do punk 77, de Clash, Buzzcocks e Sex Pistols. A produção da bolacha também foi mais cuidadosa do que as que saíam no Brasil na época. As letras, opinião minha, também eram mais elaboradas e diretamente associadas à realidade do país. É um disco histórico e raro, bastante procurado por colecionadores do mundo todo.
Após o lançamento do LP, denominado simlpesmente Los Violadores, e do fim da ditadura, Hari B, o principal idealizador do grupo e que tinha o Violadores mais como um instrumento de combate ao regime do que um grupo musical, não via mais sentido em continuar a luta e deixou a banda. Com sua saída, também mudaram os rumos musicais dos Violadores, que adotaram um estilo mais comercial já no segundo LP, com o título Y Ahora Que Pasa, Eh? de 1985. Depois disso, a banda mudou de formação diversas vezes e durou até 1992, com um total de sete álbuns, mais um ao vivo e outra coletânea. Voltaram em 2000 e estão na ativa, mas ainda com apelo mais comercial. Confira uma interessante entrevista com Pil Trafa no link http://punksunidos.com.ar/punksunidos/violadores/#3.
Muito interessante também é um manifesto publicado pela banda em 1982 (losvioladoresmanifesto.htm)
O primeiro e pioneiro LP dos Violadores pode ser baixado aqui.

VIOLADORES FACTS
  • Em diversas ocasiões se viram obrigados a mudar o nome da banda nos cartazes para Los Voladores, já que o regime não via com bons olhos um grupo com nome tão agressivo. Parece mentira, mas não é.
  • Hari B também esteve na primeira formação do Comando Suicida, talvez, a primeira banda Oi! da América Latina.
  • O final do grupo em 1992 deu-se devido às velhas e comuns "insuperáveis diferenças musicais" entre Pil Trafa e Stukas, únicos membros originais que restavam no grupo. Após o fim, Trafa formou o Pilsen e o baixista criou o Stukas en Vuelo. Em 200, entretanto, reataram a amizade e reformaram o grupo.

19/12/2008

Vítimas do destino

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06/12/2008

In Memorian – DARBY CRASH (26/9/1958 – 7/12/1980)


Lá se vão 28 anos da morte de Jan Paul Beahm, mais conhecido como Darby Crash, o tresloucado vocalista do GERMS, uma das bandas pioneiras da cena punk californiana e precursora do que viria a ser conhecido como hardcore. Darby cometeu suicídio com uma overdose de heroína. Uma tragédia anunciada pelo estilo de vida que adotara e o vício incontrolável na mais assassina das drogas. Para acabar com qualquer suspeita de que a overdose pudesse ser considerada acidental, antes de injetar a droga, ele afixou um bilhete na parede, com a seguinte frase "Here Lies Darby Crash", depois disso mandou na veia bem mais do que precisava para morrer e deitou-se em uma posição que lembrava Cristo na cruz.
O ato todo foi realizado junto com uma garota, Casey 'Cola' Hopkins. Ela e Darby teriam comprado cerca de 400 dólares em herô e, depois de saírem de uma festa dizendo a um dos convidados que iriam se matar, trancaram-se no apartamento dele para fazer a merda toda. A versão mais divulgada é a de que os dois haviam realmente feito um pacto de morte. Mas alguns jornais da época disseram que a garota desmaiou, ou “bodeou”, e quando acordou viu Darby já morto, então tentou matar-se também injetando mais droga, mas sobreviveu.
A intenção de Darby, provavelmente por já estar em estado depressivo profundo, devido ao consumo exagerado de drogas, era tornar-se um mártir punk. Em diversas entrevistas deixara a entender que um dia se mataria e que isso não ia demorar. Com 22 anos, viveu intensamente e morreu jovem, algo muito comum no mundo do rock, desde James Dean até os dias atuais.
No palco, Darby era um verdadeiro demônio. Adepto assumido do estilo de Iggy Pop, invariavelmente cortava-se durante os shows e atirava-se sobre a platéia. As apresentações do Germs eram tão caóticas e agressivas, que a certa altura, o grupo adotou um nome fantasia (GI) para conseguir tocar, já que a maioria dos clubes de Los Angeles banira a banda.
Darby Crash fundou o Germs em 1977, junto com seu colega de escola e guitarrista Georg Ruthenberg, conhecido como Pat Smear. Sim, é o mesmo que tocou um tempo com o Nirvana e depois com Foo Fighters. Nessa época, Darby era Bobby Pyn e a banda contava ainda com a baterista Dottie Danger (na verdade, Belinda Carlisle, uma das mundialmente famosas Go Go’s) e a baixista Lorna Doom. O grupo teve ainda dois bateristas (Cliff Hanger e Nicky Beat, do Weirdos) antes que Don Bonnes assumisse as baquetas definitivamente em 78.
Em termos de vinil, o grupo estreou com um compacto terrível. Forming, o lado A, foi gravada em dois canais na garagem de Pat Smear. No lado B, Sex Boy, foi um registro ao vivo da segunda apresentação do grupo. Nas primeiras mil cópias, o aviso de que o disco “poderia causar câncer no ouvido” estampado na contracapa não era exagero. Mas a banda exigiu que a faixa fosse retirada em uma segunda prensagem. Realmente muito mal tocado e pessimamente gravado. Ainda em 77, saiu o pirata Germcide, capturado no terceiro show do grupo. Também sem a mínima qualidade. A essa altura já havia quem duvidasse que o Germs pudesse realmente tocar, que era um blefe. Mas em 78 sai o compacto Lexicon Devil, em que a banda mostra um som mais consistente e a lenda começou a ganhar corpo. Foi após este disco que Don Bonnes (também chamado Bone Breaker e baterista do X) entrou na banda.
Mas o grande momento do Germs foi o LP GI, de 79. Um disco histórico, que para mim está ao lado, em qualidade e importância, de clássicos como os primeiros do Clash e do Ramones ou o Never Mind The Bollocks. É um disco atemporal, HC antes de isso existir. Com produção de Joan Jett, a qualidade da gravação é das melhores e a banda estava em plena forma. Além disso, Darby era um letrista de primeira qualidade.
O último registro em estúdio da banda foram seis músicas que deveriam fazer parte da trilha sonora do filme “Cruising”, com Al Pacino. No entanto, apenas uma delas entrou no disco do filme. Por sorte, mais tarde acabaram saindo no CD The Complete Germs Anthology. Pouco depois, o grupo dissolveu-se, em conseqüência dos excessos de Darby, que então passou um tempo na Europa. Para amigos da época, foi nessa viagem que ele se iniciou na heroína ou, pelo menos, o vício ganhou os contornos dramáticos que o levaram a cometer o suicídio. Na volta, ele e Pat ainda formaram a Darby Crash Band, que fez alguns shows mas não entrou em estúdio. Aí aconteceu o que motivou este post.
Baixe o CD (MIA) The Complete Germs Anthology. O arquivo está em duas partes para facilitar o download. Parte 1Parte 2


CRASH FACTS
  • Antes do Germs, Darby e Pat tentaram formar uma banda com o nome Sophistifuck and the Revlon Spam Queens. Não chegaram a tocar ao vivo nem gravar nada com este nome.
  • Darby foi criado em uma família completamente desestruturada. Seu pai biológico, um marinheiro sueco chamado Bill Bjorklund, abandonou sua mãe quando soube da gravidez e ele só ficou sabendo a identidade do sujeito quando já era adolescente. A mãe era alcoólatra e seu irmão mais velho, a quem Darby idolatrava, também morrera de overdose.
  • Se quis chamar a atenção e ficar famoso com sua morte, Darby deu um tremendo azar, pois um dia após a tragédia, John Lennon foi assassinado e os jornais não deram muita bola para seu suicídio.
  • Darby tentou esconder o fato de ser bissexual, mas todos sabiam que tinha um namorado, Donnie Rose, responsável pelos teclados (?) no LP.
  • Um ritual de Darby no palco era particularmente cruel. Obcecado por círculos, ele costumava fazer a marca registrada da banda (um círculo, óbvio) no braço ou no ombro de alguém da platéia. Com um cigarro! A prática era denominada Germs Burn....
  • O filme The Decline of Western Civilization, da diretora Penelope Spheeries, lançado em 1981, após a morte de Darby, inclui performances históricas da banda. Darby aparece na capa da trilha sonora e no cartaz da película, que retrata a cena punk/hc de Los Angeles na virada da década de 70 para 80.
  • A vida e a carreira de Darby Crash estão documentadas no livro Lexicon Devil, de Brendan Mullen e Don Bolles, e também no filme What we do is secret, lançado em 2008, com direção de Rodger Grossman. O ator Shane West faz o papel de Darby.
  • Após várias tentativas de roubo de seus restos mortais, e as incessantes visitas, a mãe de Darby resolveu mudar a sepultura do filho para um local desconhecido. Descanse em paz.

05/12/2008

O FANTÁSTICO CULTO DOS MANÍACOS


CULT MANIAX é uma banda inglesa formada em 1978 na cidade de Torrington, condado de Devon. A formação original contou com o vocalista Big Al, o guitarrista Rico Sergeant, o baixista Michael Steer e o baterista Paul Mills. O pico de atividades da banda foi entre 1980 e 86, uma autêntica banda da transição do punk 77 para o hardcore. E representa bem isso. Visualmente e na atitude parecem HC, mas o som nem tanto, com pitadas de rockabilly e até uma atmosfera psicodélica. Os temas das letras também são bastante heterogêneos, falam de problemas locais, drogas, sexo, mulheres decadentes, política, bruxas, demônios e magia negra, além de outras totalmente satíricas. O bom humor e a tiração de sarro também estavam presentes em diversas músicas. Resumindo, autenticidade era a principal característica deles.
O primeiro compacto, Black Horse (81), foi motivo de uma grande polêmica em Torrington. Na faixa que dá nome ao disco, a banda critica e, obviamente, ofende o prefeito da cidade, proprietário de um pub chamado Black Horse, um espaço para novas bandas, quase um centro cultural para a juventude local. Mas não só o CM foi proibido de tocar por lá, como os punks eram barrados sempre que tentavam adentrar com trajes “típicos”. A suprema corte do país acatou um pedido do tal Lord e todas as cópias da bolacha foram recolhidas e destruídas, assim como a gravação original. No entanto, cerca de 200 cópias já haviam sido vendidas e foi isso que restou. Mas a confusão rendeu fama à banda no país todo.
Em 82, já com Paul “Foxy” Benett no lugar de Sergeant na guitarra, saiu o clássico single com as faixas Blitz e Lucy Looe. A primeira com a tradicional temática antiguerra das bandas hardcore da época. Já a segunda é um punk com pegada rockabilly e uma letra altamente sacana. Na seqüência, ainda em 82, lançaram o terceiro compacto, com American Dream e Black Mass. A primeira um tema político e a segunda uma brincadeira com bruxas e rituais de magia negra. A produção dos dois primeiros compactos deixa muito a desejar, mas assim mesmo foram estes discos que fizeram a fama do CM no circuito punk/hc da época e abriram as portas para o grupo.
Já famosos na Inglaterra, enfim, gravaram um LP, em 1983. O que poderia ter se tornado um dos maiores clássicos do punk, entretanto, foi uma grande decepção. Não pela banda, que continuava fazendo um sonzaço, mas Cold Love foi pessimamente produzido e a mixagem reduziu a zero toda a agressividade do som deles. Basicamente, sumiram com as guitarras e o baixo, em uma masterização mais adequada para soul music. Uma pena. Apesar disso, o disco ainda é superior a muita baboseira, mesmo sem estar à altura da genialidade da banda. A responsabilidade pela cagada foi da Phonogram. O disco foi gravado em Londres e, como ficaram duas semanas em estúdio, resolveram descansar um pouco antes de retornarem para fazer a mixagem. Nesse meio tempo, o estúdio achou que poderia fazer a mixagem sem eles e deu no que deu...
Mas a vida continuou e o CM ainda lançaria dois grandes singles: o festivo e genial Full of Spunk, com três faixas na mesma linha de Lucy Looe, ainda que sem todo o brilhantismo desta, e o satírico The amazing adventures of Johnny the Duck and the bath time blues. Participaram também de uma coletânea chamada A Kick Up the Arse, com dois clássicos: Cities e Drugs - para mim as melhores músicas deles. Em 85, lançam o último vinil da carreira, Where do we all go, um EP de 12” gravado ao vivo. No ano seguinte, apesar da agenda cheia e das relativamente boas vendas para uma banda independente, já haviam perdido o tesão e decidem colocar ponto final no CM. Lendários.
Reuni tudo o que eles lançaram oficialmente. São 31 faixas. O arquivo está em duas partes para facilitar. Na parte 1, estão os três primeiros singles (Black Horse, Blitz e American Dream) e o LP Cold Love. Na segunda, as duas faixas da coletânea A Kick up the Arse, mais os compactos Full of Spunk e Johnny the Duck, além do EP Where do we all go. É um material que não existe em CD.
Parte 1 aqui e parte 2 aqui.


CULT FACTS
  • Em 87 fizeram um breve retorno com outro nome, The Vibe Tribe, e lançaram um compacto, hoje raríssimo, com o título Skylark Boogie. Mas não deu em nada.
  • Nos anos 90, Mil e Big Al tocaram juntos no Sweet Thangs, banda que lançou apenas um CD single auto entitulado.
  • Big Al ainda está mandando ver em Torrington. Ele faz dupla com um maluco chamado Math Trengove e tocam sob o sugestivo nome The Free Born Men. São músicas com letras bem politizadas. O som poderia ser descrito como country blues, seja lá o que isso for. Se tiver curiosidade visite o site http://www.dragonjury.org.uk/freebornmen/
  • Paul Mills também manteve-se no circuito musical. Após o CM, formou o The Whirliebirds e participou do The Desperate Men. Nada que tenha tido grande repercussão como os Maniax.
  • Apesar do fim oficial em 86, nos últimos 20 anos o CM fez diversas apresentações de reunião, sempre com Big Al e Mills. Paul Bennet seguiu outro caminho: é membro do poder judiciário de Torrington, o mesmo que causou tantos problemas para a banda no início da carreira!
  • Entre as muitas histórias de uma banda que fazia uma média de três apresentações por semana, sempre chapados, ficou famosa uma em que eles abriram para o Anti Nowhere League. No caminho para o show, pararam a van para mijar e viram uns cogumelos mágicos na beira da estrada. Comeram, lógico. Na segunda música, Paul achou que era o próprio Pete Towshend e acabou com a guitarra. Como não tinham outra, usaram uma emprestada, mas o som ficou péssimo e alguns skins (por que sempre eles?), irritados, iniciaram um quebra-quebra geral.
  • Outra passagem com final semitrágico foi um show que não aconteceu em Plymouth. A van da banda quebrou e eles alugaram um caminhão aberto para levar a trupe e os equipamentos. No caminho, após uma freada brusca, o caminhão saiu da estrada e tudo o que estava na carroceria saiu voando, inclusive pessoas. Claro que não houve show e muita confusão em Plymouth pela ausência da banda.

21/11/2008

VIOLADORES DO SISTEMA D'ALÉM-MAR


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16/11/2008

RUDEZA NÓRDICA

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15/11/2008

Parede sonora

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06/11/2008

Ilusões de grandeza


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02/11/2008

Promessa é dívida


Como não sou político, sempre cumpro o que prometo, mesmo que demore um pouco. Então aqui está o Weird World vol.2, tão bom quanto o vol. 1. Diversão garantida....

29/10/2008

Mais molecagem


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28/10/2008

Ecos dos primeiros gritos suburbanos

Depois de meio ano no ar, finalmente, o FZ publica sua primeira entrevista na era digital. O entrevistado é Ariel, vocalista do RESTOS DE NADA, grupo que não tenho receio de dizer tratar-se do pioneiro do punk rock brasileiro. Particularmente, acho que foi a grande banda brasileira de todos os tempos. Ainda hoje ecoa na minha cabeça a galera completando a frase "Temos de derrubar.... a classe dominante/Temos de liquidar.... a classe dominante"! Desequilíbrio (música dos Condutores, mas que ficou famosa com eles) é outro clássico, assim como Ninguém é meu igual. "Tenho medo de olhar nas latas de lixo/ Pois dentro de uma delas eu posso me encontrar", versos de Deixem-me Viver, ainda me fazem pensar sobre minha reles condição humana. Existencialismo puro.
Boas músicas, letras engajadas e atitude. Com vocês, Restos de Nada.

FZ - É verdade que quando começaram ainda não sabiam o que era punk rock, mesmo fazendo um som que poderia ser rotulado como tal?
ARIEL - É verdade, pois quando começou a rolar uma cena de rock na Vila Carolina, ainda não havia chegado o punk rock. Mas por outro lado o que nos influenciou foi o rock de bandas como Alice Cooper, MC5, The Stooges e New York Dolls, que já eram referência do que viria a seguir e nós por aqui também começamos a fazer um som influenciado por essa safra maldita do rock’n’roll. Portanto éramos punks e não sabíamos, mas desconfiávamos que o que viria a seguir seria nessa mesma linhagem.

FZ – Por que o nome? Quem criou?
ARIEL - O nome veio de uma música do Clemente que tinha esse título. Antes do Restos de Nada, ele e o Douglas já tinham se iniciado no rock’n’roll com uma banda chamada Organus, que tinha essa música em seu repertório.

FZ - As letras do RDN são bem politizadas, com uma tendência ao socialismo. A banda era comunista? Tinham ligação com algum partido ou associação política?
ARIEL - Bem, no começo acho que as letras tendiam mais ao existencialismo, depois da saída do Clemente, em 1979, eu, o Douglas e a Irene, que havia assumido o baixo, entramos numa organização trotskista, chamada OSI, que lutava pela IV Internacional dos Trabalhadores e conhecemos a história das revoluções socialistas. Na época militávamos pela reconstrução da UNE e UMES, entidades estudantis, e dentro das fábricas por sindicatos livres. Levávamos todo esse conhecimento revolucionário para as ruas, pois vivíamos em uma ditadura militar que proibia qualquer manifestação subversiva e o Movimento Punk estava se aproximando dessas tendências revolucionárias, então chegamos a fazer muita coisa, interagindo nessas duas frentes. A banda serviu pra difundir essa mensagem de luta e rebeldia. Após isso, abandonamos essa forma de luta socialista e depois de muitas decepções adotamos um pensamento libertário.

FZ – Naquela época não havia muitos lugares para uma banda de punk (ou mesmo de rock) tocar. Como foram os primeiros shows?
ARIEL - O primeiro show punk em São Paulo, rolou em um porão de uma padaria abandonada na Zona Leste de São Paulo, onde tocaram Restos de Nada e AI-5. Depois disso rolou um som na Zona Norte, num salão de rock chamado Construção e em Sociedades Amigos de Bairro. Chegamos a fazer shows até em cima de caminhões, com “gatos” puxados de postes. Em praças públicas, com palcos montados com restos de madeiras. Foi muito foda fazer som punk naquela época. Tínhamos que carregar aparelhagem e instrumentos em ônibus, a polícia chegava e acabava com o som e por aí vai...

FZ - Vocês sofreram com a repressão política? Afinal, o Brasil vivia ainda sob a ditadura militar....
ARIEL - Sofremos muito, pois não conseguíamos mostrar nossa identidade cultural sem sermos molestados, não podíamos andar de visual que éramos parados e humilhados. Nossas letras e músicas eram censuradas. Corríamos o risco de desaparecer nos porões da ditadura, o que quase aconteceu. Éramos punks e militantes revolucionários, tínhamos muito material subversivo em mãos, portanto um perigo à sociedade.

FZ - A letra de "Direito à Preguiça" é inspirada no livro homônimo de Paul Lafargne? Ou é mera coincidência?
ARIEL - Sim, é baseada no livro do Paul Lafargne. Conhecemos o livro através da Neli, que por sinal é a autora da letra, irmã do Douglas e quem nos levou à organização trotskista. As idéias anarquistas do autor nos levaram a várias conclusões sobre o pensamento libertário que irritava os socialistas, inclusive, o próprio Paul era desafeto de Marx, de quem era genro.

FZ – Por que o Clemente deixou a banda? Aliás, por que o grupo parou?
ARIEL - O Clemente não gostava muito do nosso envolvimento com o movimento revolucionário, estava mais preocupado em sair com o pessoal, encher a cara e brigar, vivia dizendo que não estávamos envolvidos com a cena, o que não era verdade, pois fazíamos as paradas acontecer. Onde não havia condições, arranjávamos e procurávamos reunir todo o pessoal que tinha banda ou vontade de fazer alguma coisa.
Após sair do Restos ele entrou no Condutores de Cadáver e todo mundo já conhece a história. O Restos de Nada não parou totalmente, mudou de nome para Desequilíbrio, o que acho que foi errado, deveríamos ter continuado com o nome que tínhamos adotado.

FZ - A Irene foi a primeira mina a tocar numa banda punk nacional, como isso aconteceu e como vocês viam isso?
ARIEL - Nunca na verdade nos preocupamos com isso. A banda já tinha um diferencial desde o começo, pois era metade negra e metade branca e não era grupo de pagode (rsrs). Veja bem, uma banda de punk rock com dois negros, depois uma mina tocando baixo e depois um japonês era de assustar qualquer um, concordo, mas não a nós. Com a saída do Clemente, a Irene assumiu o baixo e durou pouco tempo até aparecer o Keiji.

FZ - Como nasceu a idéia de gravar um LP após tanto tempo parados (80 a 87)?
ARIEL - A idéia era registrar algumas músicas que tínhamos apenas tocado, pois era muito difícil conseguir uma gravação decente na época e também para não deixar um material, modéstia à parte, muito precioso se perder apenas nas lembranças de quem viu a banda ao vivo na época.

FZ - E a volta atual, quando começou a ser arquitetada?
ARIEL - No ano de 2001, resolvemos fazer um festival que comemorasse os 25 anos de punk rock pelo mundo e reunimos as produções musicais atuais e do passado, com 54 bandas apenas da Capital e redondezas. Então resolvemos lançar um CD com uma gravação que tínhamos feito em 1980, num terreno baldio na Vila Carolina, para comemorar o evento e gravar quatro sons da época que não foram para o vinil de 87. Aí pensamos: por que não aproveitar e fazer alguns shows? Mesmo porque muita gente pedia. Fizemos o festival e foi simplesmente mágico.

FZ - Vocês acham que ainda tem validade a mensagem dos anos 70?
ARIEL -As músicas têm sim uma atualidade que até assusta. Você pega uma música como Deixem-me Viver, que fala de solidão e autodestruição e vê que o número de adolescentes que fazem uso de anti-depressivos aumentou consideravelmente nesses anos todos, aumentando também os suicídios. É triste, mas é a realidade.

FZ - Como percebem a reação do público atual? Que comparação dá para fazer entre os dois públicos?
ARIEL - O público de hoje conhece todas as músicas, acompanha tudo o que sai da banda, tem um respeito enorme pela história, compra material e sempre está presente quando a banda toca. A comparação com o público do passado é que éramos iguais aos caras que estavam na platéia e muitos não admitiam que aqueles caras que estavam do lado subissem no palco e tocassem como os seus ídolos estrangeiros. Tudo era novidade e surpresa em 77, portanto não dá pra ficar cobrando muito. Mas sempre tinha uns amigos que davam uma força.

FZ - Não temem que esse retorno possa ser visto como oportunismo?
ARIEL - De jeito nenhum, pois nunca nos preocupamos com isso e hoje tocamos apenas para divulgar nossa mensagem que continua atualíssima e necessária. Não estamos aqui por saudosismo, por fama ou dinheiro, portanto, oportunismo passa longe. Afinal somos apenas Restos de Nada (rsrs).

FZ - Pretendem fazer músicas novas?
ARIEL - Não pretendemos fazer músicas novas. O que tínhamos que fazer ficou registrado, finalmente, e a banda não veio para continuar, apenas para resgatar mais um pouco da história que não foi contada como se deveria, então achamos melhor voltarmos pra dizer por nós mesmos.

FZ - Quem está na formação atual? Onde estão os ex-integrantes?
ARIEL - Na formação atual contamos com Douglas na guitarra, Ariel no vocal, Luiz no baixo e Douglinhas na bateria. Bem, da primeira formação, o Douglas está terminando um curso de música numa faculdade e dando aulas de guitarra. O Clemente está com o Inocentes e, de uns tempos para cá, com a Plebe Rude. O Charles desencanou da música e toma conta de uma ONG na Zona Sul e eu continuo no punk rock com a banda Invasores de Cérebros.
Se me permite um merchand, estamos com um DVD gravado no Hangar 110 que traz todas as músicas compostas pelo Restos, mais três músicas de bônus, que são: I’m Eighteen, de Alice Cooper; 1969, dos Stooges e Ramblin’ Rose, do MC5.
Espero que o Punk Rock continue influenciando gerações a dizer não.

Baixe aqui o LP RESTOS DE NADA, de 1987 (ripado do vinil)

27/10/2008

Raízes Germânicas parte 2


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25/10/2008

A volta dos mortos vivos

Já há alguns anos, principalmente depois que o Green Day e outras bandas pseudo punks assolaram as paradas de sucesso, vários grupos resolveram "voltar". Desde mais famosos como Sex Pistols e Buzzcocks até menos conhecidos como No Alternative, Avengers, etc. São muitas para mencionar aqui e a discussão não é sobre quais bandas "renasceram".
Antes de continuar quero esclarecer que o próprio Factor Zero pode ser acusado de aproveitar-se do novo status do punk para, digamos, ficar famoso (não ficou e dificilmente ficará). Mas existe diferenças: não voltou para ganhar dinheiro. Na verdade, apenas resgatei um nome que eu mesmo criei e que acho apropriado para o tipo de blog que me propuz a fazer nas horas vagas. O nome original deste blog seria "Sounds of the Suburbs", mas já existe algo parecido no ar...
Voltando ao assunto. Como deixei a entender no comentário do post sobre Paul Fox, não sou muito a favor destes retornos ou "reuniões". Somos livres para fazermos o que bem entendermos. Sou fanático pelo som das bandas punks dos anos 70 e 80, mas tenho comigo que aquele foi um momento único, assim como é o momento atual (que, na verdade, nem sei o que rola em termos de som novo).
Claro que há retornos e retornos. Algumas bandas voltaram e gravaram coisas novas, originais (Buzzcocks e Radio Birdman, por exemplo) que, se é bom ou ruim, não vem ao caso. Algumas voltaram com todos os membros originais, embra apenas tocando as mesmas músicas, como os Sex Pistols. Outras com um ou dois membros da formação antiga. Dou um desconto apenas para aqueles que "retomaram" a carreira e gravam algo novo. Para os demais, acho até uma certa falta de respeito para com eles mesmos. Mas minha crítica não é por isso e sim porque visam apenas o lucro. Com isso, esvaziam um discurso que construiu toda essa coisa chamada punk, que bem ou mal revolucionou a música e até os costumes.
Que sentido tem você cantar uma música contra a opressão de um sistema desigual se faz isso para alimentar esse mesmo sistema?
Opinem, por favor.

24/10/2008

Raízes germânicas

No final dos anos 60 e início dos 70, a Europa fervia com os movimentos estudantis. Havia o pessoal do flower power, contestador e pacifista. Mas havia também vários grupos radicais e mais politizados. Na Alemanha, particularmente, a moçada partiu para a ação direta, inclusive com grupos terroristas - o mais famosos deles foi a RAF (Facção do Exército Vermelho, em português) - e squatters. No meio disso tudo a presença do rock foi natural.
Um dos grupos nascidos neste contexto e que colocou essa efervescência política nas letras e na atitude foi o TON STEINE SCHERBEN, fundado pelo guitarrista e vocalista Rio Reiser, o guitarrista Ralph Peter Steitz Lanrue, o baterista Wolfgang Seidel e o baixista Kai Schchtermann. O som é rock setentista com vocais agressivos (em alguns momentos a voz lembra bandas como Razzia). Mas o que conecta o TON STEINE com o punk são as letras e a atitude, como o fato de os dois primeiros LPs serem independentes, pelo selo David Volksmund Produktions, de propriedade deles mesmos. Anti-capitalistas e anarquistas em uma época em que a difusão da informação era bem restrita. Por isso, estão para o punk alemão mais ou menos como Velvet Underground, MC5 e Stooges para o punk nos EUA. No entanto, o descompromisso com a estética visual e o fato de as letras serem em alemão (fato raro na época entre as bandas germânicas) os deixaram à margem do cenário internacional.
O primeiro registro em vinil da banda foi um compacto com as músicas Macht Kaputt Was Euch Kaputt Macht e Wir Striken, lançado em setembro de 1970. Depois saiu o LP Wahrum geht es mir so dreckig? (Por que eu sou tão miserável?), em 1971. No ano seguinte, lançam o segundo LP, com o título Keine Macht Für Niemand. Nesse disco, devido à natureza libertária do grupo, a formação já sofreu as primeiras mudanças com a substituição de Seidel por Olav Lietzau nas baquetas. Além disso, os vocais ficaram a cargo de Nikel Pallat. Participaram também desta segunda bolacha o saxofonista Jochen Petersen e o flautista Jörg Schlotterer. Entre o primeiro e o segundo LP, lançaram dois flexi-singles, extremamente raros. A capa de Keine... também representou uma inovação, pois foi feita de papelão (veja na foto).
A repersusão destes discos no cenário underground de Berlim foi bastante forte e o grupo passou a ser o representante das facções mais radicais. Sentiram a pressão de ser porta-voz de coisas que não sabiam se realmente acreditavam, como atentados violentos, por exemplo. Assim, mudaram-se de Berlim para uma fazenda abandonada em Fresenhagen. A essa altura a banda era uma espécie de coletivo, com cerca de 20 pessoas. No local, produziram e apoiaram diversos projetos artísticos até 1985, quando as dívidas tornaram-se impagáveis e o grupo chegou ao fim. Mas depois do segundo LP o TON STEINE já havia optado por um som mais viajante, estilo jazz avant garde e com letras mais pessoais. Para muita gente, apenas hippies, mas nunca abandonaram o ideal anarquista. Por isso, muitos punks da Alemanha admiram o grupo até hoje. O recado foi dado, para quem quis entender.....


DER STEINE FACTS
  • Os próprios membros da banda divergiam sobre o significado do nome TON STEINE SCHERBEN. Teria sido inspirado em uma frase de um arqueologista sobre suas primeiras impressões acerca do sítio arqueológico de Tróia (+- pedras de argila estihaçadas). A palavra ton também pode significar "som", o que traduziria o nome para "Som da pedra lascada". Também seria uma homenagem aos Rolling Stones, banda preferida de Rio Reiser. Outra versão é que era uma referência ao Partido dos Trabalhadores Alemães que se chamava Bau Steine Erden (+- Pedras da Construção da Terra).
  • A primeira apresentação da banda foi no mesmo palco onde Jimi Hendrix acabara de fazer seu último show, em um festival na Ilha de Fehmarn. Durante a apresentação ocorreu um incêndio no palco e a banda não parou de tocar, o que lhes rendeu grande fama entre os roqueiros radicais da época.
  • Imediatamente após o fim do sonho do TON STEINE na comuna de Fresenhagen, Rio Reiser iniciou uma bem sucedida carreira solo e alcançou o sucesso comercial que a banda nunca tivera. Seu maior hit foi König von Deutschland (Rei da Alemanha), curiosamente uma música escrita em 1974 para um disco do TON STEINE, mas recusada pela banda. Rio faleceu em 20 de agosto de 1996, aos 46 anos, por complicações resultantes de hepatite C. Em sua carreira solo foi acompanhado por R.P.S. Lanrue. Os dois seriam os reais fundadores do TON STEINE. O verdadeiro nome de Rio era Ralph Christian Möbius.
  • Durante o período de Fresenhagen, o TON STEINE lançou seis álbuns, alguns deles com produção de Claudia Roth, uma das fundadoras do Partido Verde Alemão.
  • Após a morte de Rio, Os remanescentes do grupo fundaram a TON STEINE SCHERBEN FAMILY e até hoje fazem shows.

22/10/2008

In Memorian - Paul Fox (11/04/1951 - 21/10/2007)

Ontem fez um ano da morte de Paul Fox, um dos mais brilhantes guitarristas da cena punk inglesa. Co-fundador do THE RUTS, junto com Malcom Owen (morto por overdose de heroína em 1980), o músico faleceu em consequência de um cancer.
Paul Fox iniciou sua carreira musical no início dos anos 70 em uma comunidade hippie de Anglesey, na Inglaterra, onde tocava em uma banda de rock progressivo chamada ASLAN. Depois que a comunidade foi pro saco, ele mudou-se para Londres e juntou-se a um grupo de funk suburbano chamado HIT AND RUN. Em 1977, com a explosão do punk, fundou o THE RUTS (aguardem post mais detalhado sobre a banda). Após a morte de Owen, a banda continuou como RUTS DC, mas acabou em 1982. Depois disso,Fox tocou em diversos grupos obscuros como CHOIR MILITTIA, DIRTY STRANGERS, SCREAMING LOBSTERS e FLUFFY KITTENS.
Deixou a esposa (era divorciado) e dois filhos, Lawrence e William.
Descanse em paz amgo....
Logo contarei a história toda do RUTS, por enquanto curta um pouco desta lendária banda no disco Live and Loud

Senha para descompactar o arquivo: borninthebasement

17/10/2008

Jogos animais em Londres


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14/10/2008

The Dogs - Walking Shadows


Recebi vários e-mails pedindo para postar algo mais sobre o The Dogs. Então, vai aqui o link para baixarem o segundo LP Walking Shadows, o disco mais punk deles. Boa diversão!

THE DOGS - Walking Shadows

10/10/2008

As armas genocidas de Johnny



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28/09/2008

Moleques atrevidos e mal educados


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27/09/2008

Outsiders entre os outsiders


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22/09/2008

O grito que saiu do gelo

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19/09/2008

Trio visionário


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12/09/2008

Santos demônios


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04/09/2008

Camaradas, pero no mucho


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29/08/2008

Bem vindos ao mundo punk

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18/08/2008

Punk Rock? Rockabilly? Punkabilly? The Nips!


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13/08/2008

Muito, muito ódio

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12/08/2008

Punkmaníacos


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11/08/2008

Peso Chicano


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09/08/2008

Uns caras estranhos...


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Buried Pagans


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08/08/2008

Pagãos americanos


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06/08/2008

Ursos insanos


The Bears é uma banda inglesa da cidade de Watford, formado em 1976 pelo ex-guitarrista do Wire, George Gill. A formação original tinha ainda o baixista Ron West, o baterista Cally Cameron e o vocalista Mike North, morto em um acidente de moto, em 1977. Com essa formação, não chegaram a gravar. O primeiro compacto, já com John Entrials no vocal, saiu apenas em 77, com as músicas On Me e Wot's up Mate. Os ótimos riffs e as letras surrealistas logo chamaram a atenção e o Bears não demorou a gravar um segundo single, com a incrível Insane, uma verdadeira gema punk, apesar de ser um tanto lenta para o gênero, e a também ótima Decisions. Sem lançar um LP, o Bears acabou em 79, quando já não contava mais com Ron e Cally, que saíram para formar o Tea Set. Em 1986 foi lançado um LP com músicas gravadas ao vivo em estúdio. Certamente o Bears merecia muito mais, pela criatividade e originalidade do som. Confira no link:

http://www.mediafire.com/?8w2cdunp1vx

04/08/2008

Tentações fuleiras

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01/08/2008

AMEAÇA PÚBLICA NÚMERO 1


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30/07/2008

MANÍACOS DE VIDA CURTA

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21/07/2008

Black Power

Death e Pure Hell são duas bandas bem desconhecidas por aqui, mas com dois aspectos em comum e, até certo ponto, raros entre os grupos de punk rock dos anos 70: ambas eram formadas apenas por negros e possuíam uma qualidade musical acima da média, ou seja, realmente sabiam tocar! Quero esclarecer que, para mim, a cor da pele não diferencia ninguém e, creio, a maioria dos punks não cultivam qualquer tipo de preconceito, pelo contrário, lutam contra eles. Mas o fato é que punk e rock não é a praia preferida dos músicos negros, talvez pela pouca habilidade, teoricamente, exigida para se tocar este tipo de música. Os músicos negros sempre preferiram ritmos mais melodiosos, isso é indiscutível.
O Death foi formado em 1974, em Detroit, e lançou apenas um compacto, com Politicians In My Eyes e Keep on Knocking. Apesar de o single ter sido lançado em 1976, de forma totalmente independente, em um selo deles mesmo (Tryangle Records), foi gravado em 1974. As duas músicas seriam parte de um LP pela Columbia Records, porém, diretores da gravadora exigiram que a banda trocasse de nome. Eles recusaram e não assinaram o contrato. Então está tudo aí: som pesado e rápido, letras contestadoras e atitude. Como dizer que não eram punks, antes mesmo do punk existir? As informações sobre o Death são pouquíssimas, mas há a possibilidade de a gravadora Livewire, que tem ligações com o filho de um dos integrantes da banda, lançar mais algumas músicas que ficaram nas mãos da Columbia e foram resgatadas recentemente. Por enquanto, o compacto segue como raridade (chega a ser cotado a US$ 700), mas no mundo virtual tudo é possível e as duas músicas rolam na rede por preços bem módicos...
O Pure Hell, também americano, foi formada em 1975 e já tinha uma atitude mais abertamente punk. Eles tocaram ao lado de gente considerada por muitos como "pioneiros" do punk, como New York Dolls, Dead Boys, Richard Hell e, pasmem, Sid Vicious (após o fimmdo Sex Pistols)! Só que o Pure Hell era ainda mais punk! Tocavam mais pesado, mais rápido e melhor. Inexplicável terem ficado à margem da história "oficial" do punk rock. Certamente um dos fatores que contribuiu, mas não justifica, para isso foi que eles lançaram apenas um EP na época, com as músicas No Rules e These boots are made for walking (um clássico pop dos anos 60, composto por Lee Hazlewood e gravado pela primeira vez por Nancy Sinatra!). O EP foi lançado durante uma turnê pela Inglaterra, quando tocaram ao lado de UK Subs, por isso, chegaram a ser confundidos como uma banda inglesa. Após a turnê eles gravaram um álbum que só seria lançado em 2004 (26 anos depois!), com o nome, mais que apropriado, Noise Addiction. A influência do glam rock da década de 70 está presente mais no visual, pois o som chega a soar hardcore em alguns momentos. Repare na música American, um petardo que se alguém disser que foi gravado recentemente ninguém duvidaria.
A formação era Stinker (Kenny Gordon) nos vocais, Chip Wreck (Preston Morris III) na guitarra, Lenny Steel (Kerry Boles) no baixo e Spider (Michael Sanders) na bateria. Grandes bandas, grandes histórias.

(Todas as fotos são do PH)

O incrível EP do Death está aqui:
http://www.mediafire.com/?ldmn5tzrjjm

E o inacreditável Noise Addicition do Pure Hell aqui:
http://www.mediafire.com/?l21ti15bryn

20/07/2008

O ANARQUISTA


Mais um livro para por a cabeça pra funcionar. Bakunin é um dos grandes arquitetos dos ideais anarquistas. Você pode até não concordar com ele, mas não poderá jamais dizer que suas idéia não têm fundamento. Neste livro, na verdade um fragmento de uma carta ou um relatório, que acaba abruptamente (Bakunin era extremamente indisciplinado), ele ataca a autoridade divina, base de toda a autoridade e fator primordial na origem e legitimação do Estado.
Bakunin é do século XIX, por isso, algumas de suas idéias podem soar ultrapassadas, afinal, ele viveu em um outro mundo. Por outro lado, não tentou prever um futuro para a humanidade, apenas lutou para provar a ilegitimidade de qualquer tipo de autoridade, portanto, seu pensamento é, em parte, atemporal. Mas postei o livro para compartilhar com quem se interessa pelo assunto uma obra difícil de ser encontrada em livrarias. São 87 páginas no total, mas o texto do autor resume-se a 77 páginas. No início há um breve resumo da vida deste grande anarquista, talvez, o maior. Baixe em formato PDF:

http://www.mediafire.com/?zx6sdnbmc3f

14/07/2008

CRIME


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10/07/2008

POLÍTICA

Noam Chomski é um dos mais ferrenhos críticos da farsa neoliberal que domina o mundo atualmente. Apesar de ser um acadêmico (é professor e teórico em lingüística) o estilo de Chomski é bastante fluido. Seus livros e artigos são fáceis de ler, mas têm profundidade e embasamento científico. Algumas bandas anarcopunks têm incluído fragmentos de livros, artigos e discursos de Chomski nos encartes dos discos.
"O Lucro ou as pessoas?" é um dos livros mais esclarecedores sobre como agem os defensores (leia-se grandes empresas e governos dos países ricos) da política neoliberal.
Não vou ficar rasgando seda pro cara, constate você mesmo. Sei que é superchato ler em tela de computador (se tiver uma grana compre os livros), mas dá também pra imprimir (são 95 páginas).

"Liberdade sem oportunidades é um presente diabólico, e a negação dessas oportunidades, um crime." (Frase de Chomski sobre a alegada liberdade dos atuais sistemas "democráticos" do ocidente.)

Site pessoal (em inglê): http://www.chomsky.info/

Para baixar "O Lucro ou as pessoas?" em PDF, clique:
http://www.mediafire.com/?z2wmyt1xnzx