05/12/2008

O FANTÁSTICO CULTO DOS MANÍACOS


CULT MANIAX é uma banda inglesa formada em 1978 na cidade de Torrington, condado de Devon. A formação original contou com o vocalista Big Al, o guitarrista Rico Sergeant, o baixista Michael Steer e o baterista Paul Mills. O pico de atividades da banda foi entre 1980 e 86, uma autêntica banda da transição do punk 77 para o hardcore. E representa bem isso. Visualmente e na atitude parecem HC, mas o som nem tanto, com pitadas de rockabilly e até uma atmosfera psicodélica. Os temas das letras também são bastante heterogêneos, falam de problemas locais, drogas, sexo, mulheres decadentes, política, bruxas, demônios e magia negra, além de outras totalmente satíricas. O bom humor e a tiração de sarro também estavam presentes em diversas músicas. Resumindo, autenticidade era a principal característica deles.
O primeiro compacto, Black Horse (81), foi motivo de uma grande polêmica em Torrington. Na faixa que dá nome ao disco, a banda critica e, obviamente, ofende o prefeito da cidade, proprietário de um pub chamado Black Horse, um espaço para novas bandas, quase um centro cultural para a juventude local. Mas não só o CM foi proibido de tocar por lá, como os punks eram barrados sempre que tentavam adentrar com trajes “típicos”. A suprema corte do país acatou um pedido do tal Lord e todas as cópias da bolacha foram recolhidas e destruídas, assim como a gravação original. No entanto, cerca de 200 cópias já haviam sido vendidas e foi isso que restou. Mas a confusão rendeu fama à banda no país todo.
Em 82, já com Paul “Foxy” Benett no lugar de Sergeant na guitarra, saiu o clássico single com as faixas Blitz e Lucy Looe. A primeira com a tradicional temática antiguerra das bandas hardcore da época. Já a segunda é um punk com pegada rockabilly e uma letra altamente sacana. Na seqüência, ainda em 82, lançaram o terceiro compacto, com American Dream e Black Mass. A primeira um tema político e a segunda uma brincadeira com bruxas e rituais de magia negra. A produção dos dois primeiros compactos deixa muito a desejar, mas assim mesmo foram estes discos que fizeram a fama do CM no circuito punk/hc da época e abriram as portas para o grupo.
Já famosos na Inglaterra, enfim, gravaram um LP, em 1983. O que poderia ter se tornado um dos maiores clássicos do punk, entretanto, foi uma grande decepção. Não pela banda, que continuava fazendo um sonzaço, mas Cold Love foi pessimamente produzido e a mixagem reduziu a zero toda a agressividade do som deles. Basicamente, sumiram com as guitarras e o baixo, em uma masterização mais adequada para soul music. Uma pena. Apesar disso, o disco ainda é superior a muita baboseira, mesmo sem estar à altura da genialidade da banda. A responsabilidade pela cagada foi da Phonogram. O disco foi gravado em Londres e, como ficaram duas semanas em estúdio, resolveram descansar um pouco antes de retornarem para fazer a mixagem. Nesse meio tempo, o estúdio achou que poderia fazer a mixagem sem eles e deu no que deu...
Mas a vida continuou e o CM ainda lançaria dois grandes singles: o festivo e genial Full of Spunk, com três faixas na mesma linha de Lucy Looe, ainda que sem todo o brilhantismo desta, e o satírico The amazing adventures of Johnny the Duck and the bath time blues. Participaram também de uma coletânea chamada A Kick Up the Arse, com dois clássicos: Cities e Drugs - para mim as melhores músicas deles. Em 85, lançam o último vinil da carreira, Where do we all go, um EP de 12” gravado ao vivo. No ano seguinte, apesar da agenda cheia e das relativamente boas vendas para uma banda independente, já haviam perdido o tesão e decidem colocar ponto final no CM. Lendários.
Reuni tudo o que eles lançaram oficialmente. São 31 faixas. O arquivo está em duas partes para facilitar. Na parte 1, estão os três primeiros singles (Black Horse, Blitz e American Dream) e o LP Cold Love. Na segunda, as duas faixas da coletânea A Kick up the Arse, mais os compactos Full of Spunk e Johnny the Duck, além do EP Where do we all go. É um material que não existe em CD.
Parte 1 aqui e parte 2 aqui.


CULT FACTS
  • Em 87 fizeram um breve retorno com outro nome, The Vibe Tribe, e lançaram um compacto, hoje raríssimo, com o título Skylark Boogie. Mas não deu em nada.
  • Nos anos 90, Mil e Big Al tocaram juntos no Sweet Thangs, banda que lançou apenas um CD single auto entitulado.
  • Big Al ainda está mandando ver em Torrington. Ele faz dupla com um maluco chamado Math Trengove e tocam sob o sugestivo nome The Free Born Men. São músicas com letras bem politizadas. O som poderia ser descrito como country blues, seja lá o que isso for. Se tiver curiosidade visite o site http://www.dragonjury.org.uk/freebornmen/
  • Paul Mills também manteve-se no circuito musical. Após o CM, formou o The Whirliebirds e participou do The Desperate Men. Nada que tenha tido grande repercussão como os Maniax.
  • Apesar do fim oficial em 86, nos últimos 20 anos o CM fez diversas apresentações de reunião, sempre com Big Al e Mills. Paul Bennet seguiu outro caminho: é membro do poder judiciário de Torrington, o mesmo que causou tantos problemas para a banda no início da carreira!
  • Entre as muitas histórias de uma banda que fazia uma média de três apresentações por semana, sempre chapados, ficou famosa uma em que eles abriram para o Anti Nowhere League. No caminho para o show, pararam a van para mijar e viram uns cogumelos mágicos na beira da estrada. Comeram, lógico. Na segunda música, Paul achou que era o próprio Pete Towshend e acabou com a guitarra. Como não tinham outra, usaram uma emprestada, mas o som ficou péssimo e alguns skins (por que sempre eles?), irritados, iniciaram um quebra-quebra geral.
  • Outra passagem com final semitrágico foi um show que não aconteceu em Plymouth. A van da banda quebrou e eles alugaram um caminhão aberto para levar a trupe e os equipamentos. No caminho, após uma freada brusca, o caminhão saiu da estrada e tudo o que estava na carroceria saiu voando, inclusive pessoas. Claro que não houve show e muita confusão em Plymouth pela ausência da banda.

2 comentários:

  1. Cátia Nunes12/05/2008

    Não conhecia o Cult Maniax mas, depois de ler seu texto, fiquei cheia de vontade de ouvir. Quanto à advertência que você faz na parte lateral do seu blog, concordo que "o punk era muito mais (muito mesmo)" que The Clash, Ramones e Sex Pistols. Mas a importância destas bandas é indiscutível. O que o Sex Pistols fez nesse ano, ao reformar a formação, é outra conversa! Confesso que sinto saudade de quando se falava deles para falar de anarquia e ruptura! Como se fala nesse link
    http://cotonete.clix.pt/quiosque/especiais/sex_pistols/index.asp

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  2. Cátia, como eu disse, eu respeito muito estas bandas e ouço bastante o Clash. Não questiono a importância deles, mas acho que foram apenas a ponta do iceberg...
    Valeu a visita e continue frequentando, prometo ser mais produtivo no próximo ano...
    Saudações anárquicas!

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