27/03/2009

Os geniais artistas punks



Olá! Obrigado pelo interesse, mas o FACTOR ZERO está em novo endereço: 

https://factorzeroblog.wordpress.com

Hi! Thanx for your interest, but we've changed our address. Please visit us at 



https://factorzeroblog.wordpress.com/

17/03/2009

Eles tinham alguma coisa a dizer


THE RUTS é a banda que tinha alguns dos músicos mais talentosos da segunda onda punk inglesa. Faziam um som ao mesmo tempo pesado e bem trabalhado, com boas letras, politizadas, socialmente conscientes, mas sem panfletarismo - não eram militantes, mesmo tendo feito muitos shows no circuito Rock Against Racism. Uma das caracterísitcas marcantes do Ruts é que também fizeram alguns reggaes. A rigor, gravaram apenas duas músicas no ritmo jamaicano (Jah War e Give Youth a Chance), mas bastou para que ganhassem a fama de banda "punk influenciada pelo reggae". Na verdade, o som do Ruts era um dos mais furiosos e pesados do período 77-79. Ah os críticos musicais....
A história do Ruts começa bem antes do punk, no bairro de Hayes, zona oeste de Londres, com a amizade entre Malcom Owen e Paul Fox, companheiros de escola (incrível como a história se repete!). No início dos anos 70 os dois mudaram para uma comunidade hippie na Ilha de Anglesey, no País de Gales. O local é famoso por ter sido berço de druidas e é uma espécie de meca do misticismo celta. Lá, eles começaram a compor músicas e formaram um grupo chamado Aslan, com Paul Mattock na bateria. Faziam um som com influências do folclore celta, óbvio. Em 1975, a comunidade entrou em colapso (como 99% das comunas da época) e os três voltaram para Londres.
Na metrópole, Fox e Mattock juntaram-se ao Hit & Run, uma banda de jazz-funk comercial. Outro amigo de Paul, Dave Ruffy, logo passou a fazer parte do grupo, que vivia de shows, mas chegou a gravar um single, hoje bem raro. A essa altura, o punk rock já estava nas ruas e Malcom fazia bicos como DJ, assim estava antenado em tudo o que acontecia. Então resolveu montar uma banda e chamou o velho amigo, que levou Ruffy com ele. Em agosto de 77 nascia o The Ruts, com Malcom Owen no vocal, Paul Fox na guitarra, Dave Ruffy no baixo e Paul Mattock na bateria. Enquanto boa parte das bandas da primeira onda punk londrina ou haviam implodido ou passaram a fazer um som não-punk, o Ruts começou na contramão, com um som bem agressivo.
Um mês depois de formado o Ruts apresentou-se pela primeira vez ao tocarem três músicas no intervalo de um show do Mr. Softy, banda paralela de Paul Fox. Os três sons que fizeram chamou mais a atenção que todo o set do Mr. Softy. A seguir o grupo gravou quatro músicas em um estúdio chamado Freerange, que só seriam lançadas em 1983!


Então começaram a fazer shows, mas Mattock não queria tocar tão rápido e pediu para sair. Com isso, Ruffy foi para a batera e John "Segs" Jennings assumiu o baixo. A formação que faria história como The Ruts, enfim, estava reunida. A primeira apresentação foi como banda de abertura do Wayne County and the Electric Chairs (outra grande banda da época) em janeiro de 78.
A amizade de Malcom com o pessoal do Misty in Roots (provavelmente a melhor e mais subestimada banda de reggae da Inglaterra) que possuía um selo independente, o People Unite, ajudou no lançamento do primeiro single, com as faixas In a Rut e H-Eyes. As mil cópias do compacto, sem capa, venderam rapidamente após John Peel elogiar entusiasticamente o grupo em seu programa na rádio BBC. Ao lado do Misty, o Ruts fez diversos shows para o movimento Rock Against Racism. Foi nesse período que o grupo ganhou a influência do reggae, vendo como o Misty tocava.
A fama da banda cresceu e logo assinaram com a Virgin Records. E o primeiro fruto foi o compacto Babylon's Burning, de longe o maior "hit" do Ruts e um dos maiores clássicos do punk setentista. No lado b, Society é outra grande faixa, mas acabou ofuscada pelo brilhantismo de Babylon's. O segundo single, ainda em 79, pela Virgin foi Something That I Said/Give Youth a Chance, esta, gravada durante uma das Peel Sessions.
Apesar de relativamente novo, o Ruts entrou em estúdio para gravar seu primeiro LP como uma banda experiente e sob todas essas influências só podia sair um grande disco. E The Crack é. Em minha opinião, um dos dez melhores de todos os tempos. As porradas Backbitter, Savage Circle, Criminal Mind, I Ain't Not Sofisticated e Human Punk beiram o hardcore. Mesmo faixas mais "tranquilas", como S.U.S. e It Was Cold são consistentes.



Tudo ia muito bem. Bem demais para um grupo que tinha um heroinômano como vocalista e ícone. De presença marcante no palco e dono de uma voz naturalmente agressiva para uma banda de rock, Malcom Owen tinha também uma dependência antiga da droga, que escondeu por um tempo dos companheiros, mas que acabou sendo mais forte que ele e se manifestou justamente no auge do Ruts. Após um ultimato, não teve jeito e ele foi dispensado, já que a droga começara a afetar sua voz e ele não conseguia cantar. Pior, sua esposa também não o queria mais. Em depressão, foi para a casa dos pais e acabou morrendo de overdose no dia 14 de julho de 1980. Após sua morte, o grupo ainda sobreviveu por um tempo, sob o nome Ruts DC e fazendo um som mais trabalhado e bem distante do punk. Mas não deu. Em 1982 o chegou ao fim uma das maiores lendas do punk.
Baixe aqui o histórico LP The Crack.
E aqui, as Peel Sessions, com as músicas gravadas em 77 no estúdio Freerange mais o primeiro single ripado do vinil


RUTS FACTS
  • Diz a lenda que, em 77, Malcom Owen viu o Sex Pistols tocar e saiu do show convencido de que ele e Paul podiam fazer melhor. Embora haja um abismo quanto à importância histórica de uma e outra banda, Owen tinha razão.
  • Ironicamente o Ruts tem duas músicas, compostas por Owen, que criticam o uso de drogas: Dope for guns e H-Eyes (You're so young, you take smack for fun / It's gonna screw your head, you're gonna wind up dead / You scratch your nose, you're lucky when it shows / It's gonna screw your head you're gonna wind up dead / H-eyes, H-brain, in your vain / H-eyes, H-brain, it's gonna fuck your brain).
  • No álbum Animal Now, do Ruts DC, uma das músicas, Parasites, é "dedicada" à Virgin, o que teria sido a gota d'água para o selo dispensar a banda. Na verdade, estavam descontentes com as fracas vendas do grupo. Após o rompimento, Fox, Ruffy e Mattock fundaram seu próprio selo, a Bohemian Records.
  • Babylon's Burn fez parte da trilha sonora do filme Times Square, do diretor Allan Moyle, lançada por aqui em um álbum duplo, em 1981, o que tornou o Ruts uma das poucas bandas punks daquele período a terem algo lançado no Brasil.
  • Quando Malcom faleceu, a Virgin negociava o lançamento de um compacto solo dele, que teria o Ruts como banda de fundo. O que torna a cagada ainda maior.....

14/03/2009

Lama, a fúria finlandesa


Lama em finlandês quer dizer depressão e é também o nome da melhor banda punk originária daquele país. Apesar de ser considerado um grupo da segunda (e mais produtiva) geração de bandas punks finlandesas, o Lama começou em 1977, em Puotila, na área suburbana de Helsinque. É certo que no início não tinham mais que umas poucas músicas e só foram se apresentar pela primeira vez em 78. Os fundadores foram Epe e Eno, ambos guitarristas (depois, Epe assumiu os vocais e abandonou o instrumento). Essa formação embrionária tinha ainda um vocalista chamado Spiidy e o batera Hippo. Mas foi com a entrada de Charlie, um guitarrista que sabia tocar um pouco mais que Epe e Eno (que passou para o baixo) que o grupo começou a tomar forma, consolidada após a substituição de Hippo por Jere, bem mais consistente em termos musicais.
Em 79, o punk rock explodiu na Finlândia e o Lama foi um dos expoentes dessa cena. Provavelmente a mais famosa banda (punk, óbvio) no país naquela época. O primeiro disco saiu apenas em 1980. O excelente Totuus Löytyy Kaurapuurosta (A verdade está na farinha de aveia), com três faixas: além da que dá que título à bolacha, Buusi (Ônibus) e Raha (Dinheiro). Um clássico, com certeza.
Hoje, milhares de bandas no mundo todo fazem o que eles fizeram, mas na época era assustadora a maneira rápida e agressiva como tocavam. Não se falava ainda em hardcore. A influência do Lama sobre outros grupos finlandeses deu uma cara única ao punk daquele país, que acabou sendo um dos berços do hardcore. Mas não consigo ver o Lama como HC, o som é mesmo algo como um elo entre o "punk 77" e o HC.
O segundo compacto saiu em 81, com as faixas Nimetön (Sem Nome), Ainoo Lajissaan (algo próximo de "Uma daquelas") e Jeesukset (Jesus no plural, ou "Jesuses"). No mesmo ano, gravaram o terceiro single, com quatro faixas - Väliaikainen (Temporário), Paskaa (Merda), Anarko Marko (?) e Penisten Vapautusrintama (Frente de Liberação do Pênis, uma brincadeira com o women lib) - que seria o ultimo com Jere na bateria. Este é o mais consistente dos singles do Lama e o primeiro que chegou ao Brasil, através da Punk Rock Discos. São quatro faixas que ouvi milhares de vezes e ainda considero atuais. Além disso tem uma capa fantástica: um desenho que remete a Alice no País das Maravilhas, só que com detalhes pornográficos, como cogumelos em forma de pênis.
A essa altura o punk fervia na Finlândia e o Lama acumulava uma boa milhagem de palco. Charlie, o guitarrista conta em uma entrevista no livro Parasta Lapsille - Suomi Punk 1977-84 (Melhor para as crianças - punk finlandês 77-84), que a banda era movida a álcool, nos ensaios e nos palcos. "Nós tínhamos uma tradição quando ensaiávamos em Lepakko (um centro cultural que funcionou em Helsinque de 79 a 99). Ensaios bêbados. O sorbus (espécie de vinho finlandês extraído de fruta homônima, caracterizado por ser bem forte) era a bebida da moda na época e cada um do grupo tomava pelo menos uma garrafa nos ensaios. Ninguém podia tocar em seus instrumento antes de virar meia garrafa. Só depois disso podíamos tocar. Desde que também íamos bêbads para os shows, é certo que aprendemos a tocar bêbados."
Em 1982 sai o esperado LP, chamado simplesmente Lama. E o grupo não decepcionou. O disco é um petardo, com 15 faixas demolidoras. Como fan declarado, sou suspeito, mas algumas músicas desse disco estão entre as melhores de todos os tempos, como Tänääm Kotona (No lar hoje), que abre o disco, Koputus (Batendo), Kellot (Sinos) e Turpa kiini ja nussi (Cale-se e foda). O disco marcou também a primeira mudança na formação, com Jusa no lugar de Jere. Após o lançamento, Eno também deixou a banda e foi substituído por Rane, baixista do último vinil lançado pelo Lama, o compacto simples Ajatuksen Loppu/Mun Pelko (Pensamento final/Meu medo). Então Jusa foi para o exército e como a banda vivia uma "crise de identidade", quando descobriram que poderiam tocar e falar qualquer coisa no palco que o público simplesmente aceitaria. "As pessoas estavam bêbadas pra caralho e queriam bater a cabeça no chão. Nós achamos que eles poderiam fazer isso por conta própria, sem nossa ajuda", revela Charlie em outra parte do livro já citado. Ó último show do Lama foi em 4 de dezembro de 1982, no Lepakko. Depois disso, o fim.

Baixe aqui os quatro singles do Lama
Baixe aqui o LP


LAMA FACTS

  • Apesar de ter acabado, o Lama fez uma apresentação em 1994 e outras quatro em 2005, com Charlie, Epe, Jusa e Eno. Todas em solo finlandês.
  • Após o fim da banda, Jusa, Eno e Raine tocaram no Unicef (em momentos diferentes), banda que gravou apenas um compacto e é considerada uma lenda pelos punks finlandeses. Raine tocou ainda no Smack, um grupo de glam rock. Epe foi para o Musta Paraati, banda pos-punk. Charlie tornou-se motorista de taxi.
  • Todos os membros do Lama eram muito amigos do Widows, uma das bandas pioneiras no punk finlandês. Os grupos ensaiavam e, claro, tomavam vários porres juntos. O guitarrista do Widows, Markku Manner, aka, Kellogs Bollocks, produziu o primeiro single do Lama.
  • Um pouco antes de lançar o LP, em 1981, o Lama tornou-se a segunda banda de rock finlandesa a tocar em solo inglês (a primeira teria sido o Wigwam, um grupo de rock dos anos 60/70), com três apresentações: no lendário 100 Club (Londres), em Grimsby e em Leeds, no memorável festival Christmas on Earth, ao lado de bandas como Damned, UK Subs, Chron Gen, Exploited, Black Flag, Anti-Nowhere League, Outcasts, Discharge e outras.
  • Hippo, o primeiro batera do Lama, formou o Neurovisio, que durou apenas dois anos (79-81) e só apareceu em um disco em 1995, mais exatamente na coletânea Apocalypse. Mas ele não toca em nenhuma das quatro faixas do grupo.

09/03/2009

The Mekons, acima de rótulos


Uma das características do Factor Zero impresso era falar também de bandas na época chamadas "new wave". Me lembro de matérias sobre Echo & The Bunnymen, Theatre of Hate e Killing Joke. Algum tempo depois, em meados dos anos 80, surgiu o termo pós-punk, erroneamente interpretado por alguns críticos musicais tupiniquins como abreviação de "positive punk", algo que jamais existiu. Na verdade, o termo seria mesmo post-punk, para designar bandas "posterior ao punk". O que também pode ser colocado em cheque, uma vez que vários grupos assim classificados surgiram antes ou durante a explosão punk de 76-77. Hoje, fala-se até em "art-punk"....


Seja como for, são apenas tentativas de rotular bandas de estilos bem diversificados surgidas na esteira do fenômeno punk. Muitas fizeram parte da cena e apenas passaram a fazer um som mais "trabalhado", como THE FALL, WIRE, o próprio CLASH, etc. Nesse primeiro grupo também estão grupos que mudaram não só o estilo, mas o nome também, como o JOY DIVISION (ex-WARSAW). Outras, foram montadas por membros remanescentes de grupos punks que implodiram ou não, como MAGAZINE (do ex-Buzzcock Howard Devoto), PIL (do ex-Sex Pistol John Lydon, a.k.a., Johnny Rotten) e THE SOUND (dos ex-Outsiders Adrian Borland e Graham Bailey). Há também aquelas que já nasceram com um som "diferente", derivado da simplicidade garageira resgatada pelo punk, com a mesma agressividade e rusticidade, porém, sem as guitarras distorcidas no talo e a velocidade características. Algumas, como POP GROUP, DESPERATE BICYCLES e SWELL MAPS, por exemplo, eram até mais "primitivas" que os punks.
Uma das bandas pioneiras desse estilo foi o THE MEKONS, objeto deste post. Na verdade vou falar da primeira fase da banda, que durou até 1981. O grupo surgiu, ou melhor, começou a se formar, em 1976, em Leeds, na Inglaterra, e está em atividade até hoje, embora apenas com dois membros da formação original. É, certamente, um fenômeno de longevidade. Nos mais de 30 anos de carreira, lançou 24 LPs e/ou CDs e já teve em sua formação pelo menos umas 30 pessoas (em alguns discos, houve participação de 20 figuras!). Apesar disso, até hoje as letras são assinadas apenas por The Mekons. Os únicos remanescentes da primeira fase, são o ex-baterista Jon Langford e o guitarrista Tom Greenhalg.
O Mekons fazia parte de uma pequena "cena" em Leeds que tinha como expoentes ainda o GANG OF FOUR e o DELTA 5. Tinham em comum, além da amizade entre os membros das bandas e o fato de serem todos estudantes, as letras essencialmente politizadas. Mas enquanto o Gang of Four e o Delta 5 tinham uma certa noção musical, o Mekons, pelo menos nos primeiros anos, mal conseguia tocar seus instrumentos. É difícil até dizer quem eram os membros no início, já que a cada apresentação ou ensaio entrava e saía quem quisesse.
O primeiro vinil foi o compacto Never Been in a Riot (1978), uma "resposta" a White Riot do Clash. No lado B, 32 Weeks e Heart & Soul. Na época, Leeds, cidade que tem bastante faculdades, fervia politicamente e uma das lutas dos estudantes era exatamente contra o racismo, que crescia (e continua crescendo!) na Inglaterra. O som é bem primitivo e a gravação feita em dois canais. Lembra (bastante) o Crass e bandas anarquistas da década de 80. Na formação, além de Jon e Tom, estavam os vocalistas Andy Carrigan e Mark White, o guitarrista Kev Lycett e a baixista Ros Allen (que também tocava com o Delta 5). Este era o núcleo da primeira fase do Mekons. Ainda em 78 saiu o segundo single, Where were you, que considero um clássico, até porque foi através dessa música que conheci o Mekons em 1980, em uma fita gravada pelo Fábio (Punk Rock Discos). Os dois compactos foram lançados pela independente Fast Products. Depois do segundo compacto, a banda assinou com a Virgin Records e em 79 lançou Work All Week/Unknow Wrecks.
Ainda em 79 sai o já esperado LP. Com o título The Quality of Mercy is Not Strnen, a bolacha
tornou-se referência para centenas de bandas no mundo todo. Mas isso demorou um pouco para acontecer. Na verdade, o disco não foi bem recebido pela imprensa musical. Talvez pela expectativa criada em cima das incendiárias performances do grupo ou talvez não tenha sido compreendido, ja que, pelo menos na época, não era muito "fácil".
Em 1980, lançaram Teeth, um compacto duplo (dois vinis de 7"). Acabou sendo o último disco deles pela Virgin, que resolveu dispensá-los em virtude das fracas vendas. O que era compreensível, já que o som não tinha nada de comercial e nenhum dos discos sequer ameaçou figurar em listas dos mais vendidos.
Ainda em 1980 assinaram com a Red Rhino e lançaram o quinto compacto, Snow/Another one. No ano seguinte, saiu o segundo LP,
Devil, Rats and Piggies, a Special Message From Godzilla, já com tendência a um som mais pop (embora nada comercial) e predominância de teclados, assumidos pelo jazzista John Gil. Outra mudança foi a troca da baixista Ros Allen por Mary Jenner. Este disco foi relançado em CD pela Cherry Red, mas a banda contesta os direitos e deve ter razão, já que o CD foi masterizado a partir de uma cópia de vinil!
Por volta de 82-83 o grupo dispersou e foi mantido apenas por Jon, Tom e Keith, enquanto os demais membros eram, digamos, "rotativos". Em 1985, o Mekons ressurge totalmente reformado no LP Fear and Whisky, com um som, mais denso e "dark". O LP teve participação de 16 pessoas. Desde então, o Mekons tornou-se uma instituição mutante. Fizeram bons trabalhos, com estilos variados, indo do country ao eletrônico. Particularmente acho Rock'nRoll, de 1989, um grande disco. Vale a pena ouvir tudo, mas desarmado da armadura "punk", certo?
Para conhecer a primeira fase do grupo, que tem mais a ver com punk, reuni os quatro primeiros singles em um arquivo e também coloco o primeiro LP.
Mekons singles 78-80
Mekons - The Quality of Mercy is Not Strnen


Mekons Facts
  • Nos primeiros meses de existência o Mekons usava o equipamento do Gang of Four, já que não tinha seus próprios instrumentos. Nessa fase, outra característica era convidarem pessoas na platéia a subir ao palco e tocar junto com eles. Caos total. Anarquia!
  • Mark White, um dos vocalistas e membros pioneiros do grupo, também foi fundador do Spin Doctors, banda de relativo sucesso nos anos 90.
  • Jon Langford é um dos THREE JOHNS, banda paralela criada em 1982 por ele, John Hyatt e Philipp John Brennan. Com uma bateria eletrônica e um som totalmente diferente do Mekons, os Jonhs eram bem políticos também. O grupo ficou bastante conhecido por bater forte em Maggie Thatcher e o partido conservador inglês. Acabou no início dos anos 90 quando Langford resolveu dedicar-se exclusivamente ao Mekons.
  • No LP Fear and Whisky, de 85, o ex-guitarrista do Damned, Lu Edmonds, aparece pela primeira vez como colaborador do Mekons. Com a banda até hoje, Lu tornou-se um multi-instrumentista, especializado em cordas orientais.
  • O nome da banda foi tirado dos quadrinhos de ficção científica do herói Dan Dare, "o piloto do futuro", criados por Frank Hampson. Mekon era o vilão extraterrestre, vindo do planeta Vênus, que, claro, queria dominar o universo. Esses quadrinhos foram muito populares nos anos 50 - 60 no Reino Unido.