22/12/2008

HIJOS DE LA REPRESIÓN

Nos anos 70, a América do Sul sofria sob o peso das botas e fuzis militares. Entre as ditaduras do continente é difícil dizer qual foi a mais sangrenta e repressora, mas certamente a Argentina é forte candidata a este triste "título". Assim, por lá também foi natural o surgimento de punks, mesmo sob uma violenta repressão, que tinha olhos e ouvidos em todos os cantos do país. Obviamente que qualquer fenômeno cultural que tivesse o mínimo traço contestador era abafado. Mas, como aconteceu no Brasil, no final daquela década, os militares viram que seria difícil manter um regime tão fechado. Não que tenham resolvido ficar bonzinhos de uma hora para outra, mas os problemas econômicos tornavam-se cada vez mais evidentes e era necessário passar o bastão... e o abacaxi. Nesse contexto de uma pequena e forçada "abertura política", surgia silenciosamente - ainda que fazendo muito barulho - e quase simultaneamente nas periferias de São Paulo, Buenos Aires e Lima (no Chile, seria mais tarde um pouco), os primeiros punks da América do Sul. Isso aconteceu por volta de 78/79.
Na Argentina, a primeira banda, formada em 78, foi Los Testiculos, que em 1980 trocou o nome para LOS VIOLADORES. Da mesma época também são Los Barajas e Los Laxantes. A primeira formação dos Violadores teve o guitarrista Hari B, o baterista Sergio Gramática, o baixista Stuka e o vocalista Pil Trafa. O quarteto conseguiu firmar-se e ganhar algum nome em 81, com várias apresentações. Em 82, finalmente foram para o estúdio e gravaram um LP. Entretanto, o disco só foi lançado em 83, após as eleições que representaram o fim oficial da ditadura argentina, que, na verdade, começara a ruir com o fiasco militar da Guerra das Malvinas.
Ao contrário dos punks brasileiros, que faziam um som mais hardcore, tosco e agressivo, o Los Violadores tinha uma linha musical mais próxima do punk 77, de Clash, Buzzcocks e Sex Pistols. A produção da bolacha também foi mais cuidadosa do que as que saíam no Brasil na época. As letras, opinião minha, também eram mais elaboradas e diretamente associadas à realidade do país. É um disco histórico e raro, bastante procurado por colecionadores do mundo todo.
Após o lançamento do LP, denominado simlpesmente Los Violadores, e do fim da ditadura, Hari B, o principal idealizador do grupo e que tinha o Violadores mais como um instrumento de combate ao regime do que um grupo musical, não via mais sentido em continuar a luta e deixou a banda. Com sua saída, também mudaram os rumos musicais dos Violadores, que adotaram um estilo mais comercial já no segundo LP, com o título Y Ahora Que Pasa, Eh? de 1985. Depois disso, a banda mudou de formação diversas vezes e durou até 1992, com um total de sete álbuns, mais um ao vivo e outra coletânea. Voltaram em 2000 e estão na ativa, mas ainda com apelo mais comercial. Confira uma interessante entrevista com Pil Trafa no link http://punksunidos.com.ar/punksunidos/violadores/#3.
Muito interessante também é um manifesto publicado pela banda em 1982 (losvioladoresmanifesto.htm)
O primeiro e pioneiro LP dos Violadores pode ser baixado aqui.

VIOLADORES FACTS
  • Em diversas ocasiões se viram obrigados a mudar o nome da banda nos cartazes para Los Voladores, já que o regime não via com bons olhos um grupo com nome tão agressivo. Parece mentira, mas não é.
  • Hari B também esteve na primeira formação do Comando Suicida, talvez, a primeira banda Oi! da América Latina.
  • O final do grupo em 1992 deu-se devido às velhas e comuns "insuperáveis diferenças musicais" entre Pil Trafa e Stukas, únicos membros originais que restavam no grupo. Após o fim, Trafa formou o Pilsen e o baixista criou o Stukas en Vuelo. Em 200, entretanto, reataram a amizade e reformaram o grupo.

19/12/2008

Vítimas do destino

VKTMS é outra banda californiana, mais precisamente de San Francisco, com vocal feminino e que considero como uma das mais originais da época. Faziam um som pesado, intenso, criativo e melódico, mas com um certo tom de dramaticidade. O tipo de som que vai crescendo a cada vez que se ouve. Formado em 1978, o grupo começou com o baterista Louis Gwerder e o guitarrista Jay Davis. Depois de alguns ensaios com diferentes baixistas, George Ritter juntou-se aos dois e, por último, a vocalista Nyna “Napalm” Crawford.
Com essa formação, fizeram algumas apresentações e lançaram um compacto duplo, chamado Midget, já em 79. Pouco depois, George deixou o grupo e Steve Ricablanca assumiu o baixo. Essa formação aparece na lendária coletânea SF Underground, um compacto a que já fiz referência no post do No Alternative. A faixa do VKTMS é a criativa Ballad of Pincushion Smith.
No entanto, após o lançamento deste disco, Jay Davis também deixou a banda (na verdade, desapareceu). Em seu lugar, entrou o guitarrista John Binkov, um músico mais completo, capaz de tocar qualquer estilo de música. Com ele, o grupo ganhou em qualidade, apesar de ter perdido um pouco da agressividade. Já era 1980 e o VKTMS uma das bandas mais conhecidas da época na cena californiana. Fizeram centenas de apresentações, muitas ao lado de grandes nomes do punk rock norte-americano, como Ramones, Johnny Thunders, DOA, Agent Orange, Dead Kennedys, etc., assim como abriram shows do Stranglers, 999, Killing Joke, Bush Tretas e outras bandas em turnê pelos EUA.
Nesse período, lançaram um compacto com duas músicas (100% White Girl e No Long Goodbyes). A letra da primeira faixa causou polêmica, principalmente após uma crítica da revista Maximum Rock’n’Roll, que acusou a banda de racista. Um absurdo. Acho que a MRR era uma revista e tanto, mas também exercia um papel de policiamento, ditando o que era ou não correto. Normalmente se a revista dizia que tal banda não era “ideologicamente correta”, isso passava a ser uma verdade e, como todas as verdades, uma grande merda. Outras vítimas da revista foram o Exploited e o GBH. Particularmente, acho a letra de White Girl bem humorada, sobre uma garota branca que se sente ameaçada pelas minorias. Mas você mesmo pode tirar suas conclusões:

100% WHITE GIRL
Well I'm just a little white girl
I get hassed every day
A poor defenseless white girl
Who can't go out to play
The minorities they all threaten me
I can't defend myself
I'm a nervous wreck
I'm scared to death
They've ruined my mental health
Cuz I'm a blue-eyed, blond haired white girl
And there's no place left for me
I feel like an alien in my own society

Well I ain't no Nazi, but ya know
I ain't no martyr
I think I'm gonna start to
Wear a switchblade in my garter
Cuz I'm 100% white girl and
I ain't afraid of them
If anybody fucks with me
I'll just commit mayhem
Cuz I'm a white girl
Yeah I'm a white girl
I'm just a white girl

Entre 81 e 82, a banda foi para o estúdio e gravou um LP, apesar de não ter contrato com nenhum selo. Gravaram na esperança de vender um álbum pronto, já que tinham prestígio suficiente. Mas as coisas não foram tão bem como imaginavam e as fitas originais ficaram na gaveta por 12 anos. No verão de 82, talvez desiludidos pela dificuldade de vender o álbum, o grupo dispersou. Foi o primeiro final.
Em 1994, Steve Ricablanca conheceu Dave Elias e John Eisenhart, então em vias de fundar o selo independente Dafflespitz Records. Ambos eram fanáticos pelo punk da época do VKTMS, inclusive adoravam a banda. Ao saberem da gravação não lançada, não perderam tempo e recuperaram a fita. No início de 1995, finalmente, vem a luz o lendário LP, que recebeu o nome da banda.
As boas vendas do disco na Europa incentivaram Steve, John e Louis a procurar Nyna e o grupo voltou à ativa. Em 97, lançaram um EP duplo com material inédito e seguiram fazendo shows. Mas Nyna adoeceu e em 2000 tornou-se mais uma vítima do câncer. Foi o segundo e definitivo fim.
Reuni todas as gravações da banda em dois arquivos. Baixe aqui a parte 1 e aqui a parte 2. É mais uma raridade imperdível.


VKTMS FACTS
  • No tempo em que o VKTMS esteve inativo, Nyna tocou com o Murder e o Smashed Weekend antes de sair do circuito musical no final dos anos 80.
  • Steve e John tocaram com um grupo chamado Vauxhal, mas em 1985 abandonaram o barco. Steve entrou numa escola de culinária e tornou-se chef de cozinha. John, por sua vez, aprofundou-se nos estudos de música e formou-se na área, primeiro pela Universidade de Berkeley, depois, na UC Davis. Diplomado, tornou-se professor universitário. Já Louis, partiu para o campo das artes plásticas e trabalha com materiais não tradicionais na pintura.
  • Steve conheceu os fundadores da Dafflespitz enquanto trabalhava em um restaurante chamado Masas. Os responsáveis pela ressurreição da banda eram cozinheiros, como ele.
  • A capa do compacto White Girl/No Long Goodbyes é considerada uma obra de arte, desenhada pelo cartunista Jim Osbourne.
  • Atualmente, Steve Ricablanca ainda trabalha como chef, mas toca projetos paralelos de música eletrônica. John ainda dá aulas de música em uma universidade de Oakland e tem uma banda, chamada D’Jelly Brains, que flerta com o punk garageiro. Louis segue trabalhando com arte abstrata. Nyna, descansa em paz...

06/12/2008

In Memorian – DARBY CRASH (26/9/1958 – 7/12/1980)


Lá se vão 28 anos da morte de Jan Paul Beahm, mais conhecido como Darby Crash, o tresloucado vocalista do GERMS, uma das bandas pioneiras da cena punk californiana e precursora do que viria a ser conhecido como hardcore. Darby cometeu suicídio com uma overdose de heroína. Uma tragédia anunciada pelo estilo de vida que adotara e o vício incontrolável na mais assassina das drogas. Para acabar com qualquer suspeita de que a overdose pudesse ser considerada acidental, antes de injetar a droga, ele afixou um bilhete na parede, com a seguinte frase "Here Lies Darby Crash", depois disso mandou na veia bem mais do que precisava para morrer e deitou-se em uma posição que lembrava Cristo na cruz.
O ato todo foi realizado junto com uma garota, Casey 'Cola' Hopkins. Ela e Darby teriam comprado cerca de 400 dólares em herô e, depois de saírem de uma festa dizendo a um dos convidados que iriam se matar, trancaram-se no apartamento dele para fazer a merda toda. A versão mais divulgada é a de que os dois haviam realmente feito um pacto de morte. Mas alguns jornais da época disseram que a garota desmaiou, ou “bodeou”, e quando acordou viu Darby já morto, então tentou matar-se também injetando mais droga, mas sobreviveu.
A intenção de Darby, provavelmente por já estar em estado depressivo profundo, devido ao consumo exagerado de drogas, era tornar-se um mártir punk. Em diversas entrevistas deixara a entender que um dia se mataria e que isso não ia demorar. Com 22 anos, viveu intensamente e morreu jovem, algo muito comum no mundo do rock, desde James Dean até os dias atuais.
No palco, Darby era um verdadeiro demônio. Adepto assumido do estilo de Iggy Pop, invariavelmente cortava-se durante os shows e atirava-se sobre a platéia. As apresentações do Germs eram tão caóticas e agressivas, que a certa altura, o grupo adotou um nome fantasia (GI) para conseguir tocar, já que a maioria dos clubes de Los Angeles banira a banda.
Darby Crash fundou o Germs em 1977, junto com seu colega de escola e guitarrista Georg Ruthenberg, conhecido como Pat Smear. Sim, é o mesmo que tocou um tempo com o Nirvana e depois com Foo Fighters. Nessa época, Darby era Bobby Pyn e a banda contava ainda com a baterista Dottie Danger (na verdade, Belinda Carlisle, uma das mundialmente famosas Go Go’s) e a baixista Lorna Doom. O grupo teve ainda dois bateristas (Cliff Hanger e Nicky Beat, do Weirdos) antes que Don Bonnes assumisse as baquetas definitivamente em 78.
Em termos de vinil, o grupo estreou com um compacto terrível. Forming, o lado A, foi gravada em dois canais na garagem de Pat Smear. No lado B, Sex Boy, foi um registro ao vivo da segunda apresentação do grupo. Nas primeiras mil cópias, o aviso de que o disco “poderia causar câncer no ouvido” estampado na contracapa não era exagero. Mas a banda exigiu que a faixa fosse retirada em uma segunda prensagem. Realmente muito mal tocado e pessimamente gravado. Ainda em 77, saiu o pirata Germcide, capturado no terceiro show do grupo. Também sem a mínima qualidade. A essa altura já havia quem duvidasse que o Germs pudesse realmente tocar, que era um blefe. Mas em 78 sai o compacto Lexicon Devil, em que a banda mostra um som mais consistente e a lenda começou a ganhar corpo. Foi após este disco que Don Bonnes (também chamado Bone Breaker e baterista do X) entrou na banda.
Mas o grande momento do Germs foi o LP GI, de 79. Um disco histórico, que para mim está ao lado, em qualidade e importância, de clássicos como os primeiros do Clash e do Ramones ou o Never Mind The Bollocks. É um disco atemporal, HC antes de isso existir. Com produção de Joan Jett, a qualidade da gravação é das melhores e a banda estava em plena forma. Além disso, Darby era um letrista de primeira qualidade.
O último registro em estúdio da banda foram seis músicas que deveriam fazer parte da trilha sonora do filme “Cruising”, com Al Pacino. No entanto, apenas uma delas entrou no disco do filme. Por sorte, mais tarde acabaram saindo no CD The Complete Germs Anthology. Pouco depois, o grupo dissolveu-se, em conseqüência dos excessos de Darby, que então passou um tempo na Europa. Para amigos da época, foi nessa viagem que ele se iniciou na heroína ou, pelo menos, o vício ganhou os contornos dramáticos que o levaram a cometer o suicídio. Na volta, ele e Pat ainda formaram a Darby Crash Band, que fez alguns shows mas não entrou em estúdio. Aí aconteceu o que motivou este post.
Baixe o CD (MIA) The Complete Germs Anthology. O arquivo está em duas partes para facilitar o download. Parte 1Parte 2


CRASH FACTS
  • Antes do Germs, Darby e Pat tentaram formar uma banda com o nome Sophistifuck and the Revlon Spam Queens. Não chegaram a tocar ao vivo nem gravar nada com este nome.
  • Darby foi criado em uma família completamente desestruturada. Seu pai biológico, um marinheiro sueco chamado Bill Bjorklund, abandonou sua mãe quando soube da gravidez e ele só ficou sabendo a identidade do sujeito quando já era adolescente. A mãe era alcoólatra e seu irmão mais velho, a quem Darby idolatrava, também morrera de overdose.
  • Se quis chamar a atenção e ficar famoso com sua morte, Darby deu um tremendo azar, pois um dia após a tragédia, John Lennon foi assassinado e os jornais não deram muita bola para seu suicídio.
  • Darby tentou esconder o fato de ser bissexual, mas todos sabiam que tinha um namorado, Donnie Rose, responsável pelos teclados (?) no LP.
  • Um ritual de Darby no palco era particularmente cruel. Obcecado por círculos, ele costumava fazer a marca registrada da banda (um círculo, óbvio) no braço ou no ombro de alguém da platéia. Com um cigarro! A prática era denominada Germs Burn....
  • O filme The Decline of Western Civilization, da diretora Penelope Spheeries, lançado em 1981, após a morte de Darby, inclui performances históricas da banda. Darby aparece na capa da trilha sonora e no cartaz da película, que retrata a cena punk/hc de Los Angeles na virada da década de 70 para 80.
  • A vida e a carreira de Darby Crash estão documentadas no livro Lexicon Devil, de Brendan Mullen e Don Bolles, e também no filme What we do is secret, lançado em 2008, com direção de Rodger Grossman. O ator Shane West faz o papel de Darby.
  • Após várias tentativas de roubo de seus restos mortais, e as incessantes visitas, a mãe de Darby resolveu mudar a sepultura do filho para um local desconhecido. Descanse em paz.

05/12/2008

O FANTÁSTICO CULTO DOS MANÍACOS


CULT MANIAX é uma banda inglesa formada em 1978 na cidade de Torrington, condado de Devon. A formação original contou com o vocalista Big Al, o guitarrista Rico Sergeant, o baixista Michael Steer e o baterista Paul Mills. O pico de atividades da banda foi entre 1980 e 86, uma autêntica banda da transição do punk 77 para o hardcore. E representa bem isso. Visualmente e na atitude parecem HC, mas o som nem tanto, com pitadas de rockabilly e até uma atmosfera psicodélica. Os temas das letras também são bastante heterogêneos, falam de problemas locais, drogas, sexo, mulheres decadentes, política, bruxas, demônios e magia negra, além de outras totalmente satíricas. O bom humor e a tiração de sarro também estavam presentes em diversas músicas. Resumindo, autenticidade era a principal característica deles.
O primeiro compacto, Black Horse (81), foi motivo de uma grande polêmica em Torrington. Na faixa que dá nome ao disco, a banda critica e, obviamente, ofende o prefeito da cidade, proprietário de um pub chamado Black Horse, um espaço para novas bandas, quase um centro cultural para a juventude local. Mas não só o CM foi proibido de tocar por lá, como os punks eram barrados sempre que tentavam adentrar com trajes “típicos”. A suprema corte do país acatou um pedido do tal Lord e todas as cópias da bolacha foram recolhidas e destruídas, assim como a gravação original. No entanto, cerca de 200 cópias já haviam sido vendidas e foi isso que restou. Mas a confusão rendeu fama à banda no país todo.
Em 82, já com Paul “Foxy” Benett no lugar de Sergeant na guitarra, saiu o clássico single com as faixas Blitz e Lucy Looe. A primeira com a tradicional temática antiguerra das bandas hardcore da época. Já a segunda é um punk com pegada rockabilly e uma letra altamente sacana. Na seqüência, ainda em 82, lançaram o terceiro compacto, com American Dream e Black Mass. A primeira um tema político e a segunda uma brincadeira com bruxas e rituais de magia negra. A produção dos dois primeiros compactos deixa muito a desejar, mas assim mesmo foram estes discos que fizeram a fama do CM no circuito punk/hc da época e abriram as portas para o grupo.
Já famosos na Inglaterra, enfim, gravaram um LP, em 1983. O que poderia ter se tornado um dos maiores clássicos do punk, entretanto, foi uma grande decepção. Não pela banda, que continuava fazendo um sonzaço, mas Cold Love foi pessimamente produzido e a mixagem reduziu a zero toda a agressividade do som deles. Basicamente, sumiram com as guitarras e o baixo, em uma masterização mais adequada para soul music. Uma pena. Apesar disso, o disco ainda é superior a muita baboseira, mesmo sem estar à altura da genialidade da banda. A responsabilidade pela cagada foi da Phonogram. O disco foi gravado em Londres e, como ficaram duas semanas em estúdio, resolveram descansar um pouco antes de retornarem para fazer a mixagem. Nesse meio tempo, o estúdio achou que poderia fazer a mixagem sem eles e deu no que deu...
Mas a vida continuou e o CM ainda lançaria dois grandes singles: o festivo e genial Full of Spunk, com três faixas na mesma linha de Lucy Looe, ainda que sem todo o brilhantismo desta, e o satírico The amazing adventures of Johnny the Duck and the bath time blues. Participaram também de uma coletânea chamada A Kick Up the Arse, com dois clássicos: Cities e Drugs - para mim as melhores músicas deles. Em 85, lançam o último vinil da carreira, Where do we all go, um EP de 12” gravado ao vivo. No ano seguinte, apesar da agenda cheia e das relativamente boas vendas para uma banda independente, já haviam perdido o tesão e decidem colocar ponto final no CM. Lendários.
Reuni tudo o que eles lançaram oficialmente. São 31 faixas. O arquivo está em duas partes para facilitar. Na parte 1, estão os três primeiros singles (Black Horse, Blitz e American Dream) e o LP Cold Love. Na segunda, as duas faixas da coletânea A Kick up the Arse, mais os compactos Full of Spunk e Johnny the Duck, além do EP Where do we all go. É um material que não existe em CD.
Parte 1 aqui e parte 2 aqui.


CULT FACTS
  • Em 87 fizeram um breve retorno com outro nome, The Vibe Tribe, e lançaram um compacto, hoje raríssimo, com o título Skylark Boogie. Mas não deu em nada.
  • Nos anos 90, Mil e Big Al tocaram juntos no Sweet Thangs, banda que lançou apenas um CD single auto entitulado.
  • Big Al ainda está mandando ver em Torrington. Ele faz dupla com um maluco chamado Math Trengove e tocam sob o sugestivo nome The Free Born Men. São músicas com letras bem politizadas. O som poderia ser descrito como country blues, seja lá o que isso for. Se tiver curiosidade visite o site http://www.dragonjury.org.uk/freebornmen/
  • Paul Mills também manteve-se no circuito musical. Após o CM, formou o The Whirliebirds e participou do The Desperate Men. Nada que tenha tido grande repercussão como os Maniax.
  • Apesar do fim oficial em 86, nos últimos 20 anos o CM fez diversas apresentações de reunião, sempre com Big Al e Mills. Paul Bennet seguiu outro caminho: é membro do poder judiciário de Torrington, o mesmo que causou tantos problemas para a banda no início da carreira!
  • Entre as muitas histórias de uma banda que fazia uma média de três apresentações por semana, sempre chapados, ficou famosa uma em que eles abriram para o Anti Nowhere League. No caminho para o show, pararam a van para mijar e viram uns cogumelos mágicos na beira da estrada. Comeram, lógico. Na segunda música, Paul achou que era o próprio Pete Towshend e acabou com a guitarra. Como não tinham outra, usaram uma emprestada, mas o som ficou péssimo e alguns skins (por que sempre eles?), irritados, iniciaram um quebra-quebra geral.
  • Outra passagem com final semitrágico foi um show que não aconteceu em Plymouth. A van da banda quebrou e eles alugaram um caminhão aberto para levar a trupe e os equipamentos. No caminho, após uma freada brusca, o caminhão saiu da estrada e tudo o que estava na carroceria saiu voando, inclusive pessoas. Claro que não houve show e muita confusão em Plymouth pela ausência da banda.