28/09/2008

Moleques atrevidos e mal educados


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27/09/2008

Outsiders entre os outsiders


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22/09/2008

O grito que saiu do gelo

Brasil e Finlândia são países opostos em quase tudo. As maiores e mais claras diferenças são o clima e a situação econômica. Por isso, é ainda mais difícil explicar o por quê, mas o punk finlandês é bastante afinado com o brasileiro. Tanto que hoje existe até banda finlandesa com nome e letras em português, no caso, o Força Macabra, que já andou excursionando e gravando por aqui. Mas discos de bandas finlandesas no Brasil não é novidade desde os anos 80. Um dos primeiros singles punk independente lançado aqui foi Rajoitettu Ydinsota, do Rattus, que teve lançados ainda os LP Uskonto on Vaara e Stolen Life, ambos pela extinta New Face Records (selo criado por mim e pelo Fábio, do Olho Seco, em 1985 ou 86). A New Face lançou também o LP Black God do Terveet Kadet. Os punks brasileiros pogaram muito também ao som de Lama, Kaaos e Riistetyt.
Mas quando esse intercâmbio fonográfico entre os punks de cá e de lá começou, a Finlândia já vivia sua segunda onda de bandas punks. A proximidade com a Inglaterra e, principalmente, a turnê escandinava do Sex Pistols em 77 (que não incluiu a Finlândia, mas passou pela Suécia, Noruega e Dinamarca), proporcionaram ao gelado país do Norte Europeu uma pequena cena punk já em 1977. As principais bandas deste início foram o Briard e Pelle Miljoona & N.U.S. Como o primeiro a gravar foi o Briard, é considerado o pioneiro do punk finlandês.
Formado em 1976 pelos irmãos Ilkka e Antti Hulkko, baixista e guitarrista, respectivamente, mais o vocalista Pete Malmi e o batera Seppo “Sidi” Vainio, o Briard começou com um som mais para rock’n’roll, com uma pegada estilo New York Dolls. E, ao contrário da maioria das bandas finlandesas, as letras do Briard eram em inglês, já que Pete vivera alguns anos na Inglaterra. O primeiro registro em vinil saiu já em 77: o single I Hate Ya/I Want Ya Back. A primeira é um punk básico e a segunda, quase uma balada, com a intenção de agradar um público ainda não acostumado com a agressividade do punk rock. Pudor que foi abandonado no segundo compacto, de 78, com Fuck the Army e Product of the TV Generation. O curioso deste disco é que o baixo ficou por conta de Timo Huovinen, já que Ilkka estava servindo o exército. Fuck the army two times!
No ano seguinte lançam mais dois compactos. O primeiro com uma cover de Chirpy Chirpy Cheep Cheep, do Middle of the Road, uma banda de garagem dos anos 60, e Superstars. Na sessão deste compacto gravaram também uma música chamada Anarchy in the U.K.K., uma crítica ao presidente finlandês da época, Urho Kaleva Kekkonen. No entanto, este som seria lançado apenas anos depois, quando fizeram uma coletânea póstuma. Ilkka continuava no exército e o baixo desta vez ficou a cargo de T.B. Widow, do The Widows, outra banda seminal nos primórdios do punk finlandês. O segundo compacto de 79 foi Rockin' on the Beach/Miss World, para mim o melhor, apesar de ser constantemente comparado com Ramones. Ilkka já estava livre da farda, mas agora a banda já não tinha mais um guitarrista fixo, uma vez que Antti Hulkko – já usando o nome Andy McCoy – deixara a banda para tocar com Pelle Miljoona. Neste disco, Luumu Kaikkonen toca no lado A e Nasty Suicide, no B. Era claro que a banda estava em derrocada e, quando Sidi trocou o grupo pelo Päät, o Briard deu o último suspiro.
Aliás, penúltimo, já que em 1983, Pete, McCoy e Ilkka (agora como Jan Vincent) recrutaram o baterista Mans Kullman e registraram o som do Briard no excelente LP Miss World e deram um final menos infeliz à história da primeira banda punk da Finlândia, que àquela altura já contava com uma das cenas mais ativas do globo.
Baixe aqui a coletânea dos compactos e aqui o LP Miss World.

BRIARD FACTS
  • Quando começaram, o grupo se chamava Philadelphia Mother Fuckers, mas logo viram que com um nome desses não teriam muito espaço. O nome Briard é uma referência à gravidez de uma cadela de estimação de Ilkka.
  • Logo após o “fim definitivo” do Briard, Andy McCoy e Nasty Suicide fundaram o Hanoi Rocks, talvez a banda de rock mais importante da Finlândia até hoje. A dupla também gravou um LP acústico sob o nome Suicide Twins. McCoy também é fundador do Cherry Bombz.
  • Seppo “Sidi” Vainio, além do Päät, tocou ainda com o Shadowplay e o Seitsemäs Maailma, que não deram em nada. Então dedicou-se aos estudos, tornando-se um acadêmico.
  • Andy McCoy esteve no Brasil em 1988, como guitarrista de Iggy Pop na turnê do LP Instinct, do vovô dos punks. Vi dois dos três shows. O cara (McCoy) era animal. Iggy, dispensa comentários.
  • Pete partiu para a carreira solo e lançou alguns compactos e um LP (Malmi), em 1981. Já em 1997, junto com McCoy, lançou um disco com o nome Briard Revisited, com Angela Nicoletti, esposa de McCoy, nos vocais. Pete Malmi morreu em 2007. Descanse em paz.

19/09/2008

Trio visionário


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12/09/2008

Santos demônios


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04/09/2008

Camaradas, pero no mucho

Formado em 76 pelos irmãos Chip e Tony Kinman, o THE DILS foi uma das bandas mais ativas nos primórdios do cenário punk da Costa Oeste dos EUA. No início, era uma banda de rock de garagem, com quatro integrantes, mas depois que Chip e Tony assistiram um show do Damned, os rumos musicais e, principalmente, a atitude da banda mudaram. Cortaram os cabelos e passaram escrever letras politizadas, como I hate the rich, o que desagradou os outros dois integrantes: eram ricos! Então os irmãos Kinman recrutaram Andre Algover, roadie da banda, para a bateria. Chip (guitarra) e Tony (baixo) passaram a dividir os vocais. Com essa formação gravaram o primeiro single, em 77, com as músicas I Hate The Rich e You're Not Blank. Pouco depois do lançamento, Andre deixou o DILS para voltar a estudar. Em seu lugar entrou Randy McNally, que produziu o segundo single, no mesmo ano. O compacto recebeu o nome 198 seconds of the Dils, com a clássica Class War e Mr. Big no lado b. Mas Randy mexeu na equalização da gravação sem falar com os Kinman, que só perceberam as alterações quando o disco foi lançado. Demissão sumária, claro.
Ainda em 77, John Silvers, que adotou o apelido de John Dil, tal foi sua identificação com a banda, assumiu as baquetas. Curiosamente, essa formação foi a mais duradoura (um ano e meio) e a que mais shows fez, mas não chegou a entrar em estúdio. O terceiro disco sairia apenas em meados de 79 já com o batera Zippy Pinhead, que ficou com a banda apenas por três meses. Este último lançamento é um compacto duplo, não quatro faixas, mas dois vinis de 7", sendo um deles com apenas um lado gravado! A essa altura o DILS já buscava novas sonoridades, mais rock do que punk. Depois deste lançamento o grupo acabou. Após o fim da banda surgiram algumas gravações de shows que foram parar em discos, mas sem a qualidade de estúdio. A principal marca do DILS são as letras politizadas, com tendências socialistas. Em alguns shows, Chip usava uma camiseta estampada com a foice e o martelo, o que aproximou militantes comunistas do grupo. Mas eles nunca se filiaram a nenhum partido e a simpatia pelo comunismo acabou tão logo descobriram as atrocidades do regime soviético. O som, nos dois primeiros singles é o mais puro punk rock californiano, rápido e melódico, sem deixar de ser agressivo.


DILS FACTS
  • O DILS aparece (na verdade, há uma cena em que o som de fundo é a banda tocando) no filme Up in Smoke da dupla de maconheiros inveterados Cheech e Chong. A gravação foi feita no clube Whiskey e eles tocam You're not blank.
  • O grande objetivo do grupo era gravar um LP, por isso, recusaram alguns contratos, que propunham primeiro o lançamento de singles. Afinal, isso eles mesmos podiam produzir. Em 78, após abrirem um show de John Cale em San Francisco, o ex-Velvet Underground ficou impressionado com a versão deles pra What goes on e se propôs a produzir o sonhado LP. Infelizmente, isso jamais se concretizou e o mundo tem de se contentar com as poucas gravações que fizeram.
  • Após o final da banda, os irmãos Kinman formaram o Rank and File, banda que alguns críticos rotularam como "cow punk", ou seja, country music com a energia do punk rock. Já nos anos 90, criaram o Cowboy Nation, com a mesma pegada.
  • Com a onda de "reuniões" de bandas antigas, claro que o DILS recebeu vários convites. Mas os irmãos Kinman insistem em tocar apenas como Cowboy Nation. Honestos!
Baixe aqui os três compactos do DILS