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14/01/2009

Pequenos gigantes II - RAW RECORDS

Dentre os selos independentes da cena punk inglesa da década de 70, o RAW RECORDS foi um dos mais amadores e, consequentemente, apesar de ter lançado algumas gemas, não conseguiu sobreviver por muito tempo. O amadorismo de Lee Wood, fundador do selo, também acabou por prejudicar as bandas que não conseguiram boa exposição justamente no "boom" do fenômeno punk na Inglaterra. Entre os principais lançamentos da RAW, estão: THE USERS, KILLJOYS, LOCKJAW e SOFT BOYS.
Lee Wood é um desses punks de nascimento. Nos anos 60 curtia bandas de garagem e tocou em grupos obscuros como The Antlers, The Pype Rhythms, The New Generation, The Sex, e LSD. Por volta de 73 montou uma loja de discos em Cambridge chamada Remember Those Oldies, na qual vendia raridades. Quando a cena punk/new wave começou a nascer, ele foi um dos primeiros a vender os compactos independentes que pipocavam e logo pensou em também montar um selo, inspirado na Chiswick e Stiff Records (selos de que falarei nos próximos posts).
Depois de assistir a um ensaio do The Users, Lee Wood decidiu que iria produzir um disco para eles. Em maio de 1977 era lançado o single Sick of you/I'm in love with today, o primeiro do selo que a princípio se chamaria Raw Power em homengem ao disco dos Stooges, maior referência do Users. Mas acabou ficando só Raw mesmo.
O segundo lançamento do selo foi na verdade um relançamento. Trata-se do single You Really Got Me/Leaving Home, do The Gorillas, de 1974, quando ainda se chamavam Hammersmith Gorillas. Lee Wood comprou os direitos de um selo chamado Penny Farthing porque era fanático pela banda.
A essa altura, a RAW Records já recebia dezenas de demo tapes, uma vez que em cada esquina e em cada garagem do Reino Unido havia uma banda tocando. Ainda em 77, a RAW lançou mais sete compactos e a coletânea Raw Deal. Além das bandas já citadas, nesse primeiro ano de vida, saíram pelo selo: Some Chicken, The Unwanted, Matchbox, The Creation e Downliner Sect (os dois últimos, grupos dos anos 60, relançados por Lee Wood).
Em 78 foram mais nove compactos e seis LPs com grupos até hoje bem desconhecidos, uma vez que Wood ignorava completamente qualquer estratégia de marketing, queria apenas gravar os discos. Claro que teve grandes prejuízos e, em 79, ano em que colocou apenas sete compactos no mercado, pediu arrego.
Como as prensagens eram pequenas, os discos da Raw são raridades e bastante procurados por colecionadores. É um selo que não fez muito barulho, mas registrou bandas que talvez jamais gravariam não fosse o fanatismo de Lee Wood pelo genuino rock de garagem inglês.
Para conhecer o bom trabalho da RAW, reuni em dois arquivos as coletâneas Raw Deal, (Oh no it's) More From Raw e Raw Singles. Como nas três há muitos sons repetidos, fiz uma seleção que totalizou 40 faixas de 15 grupos. O arquivo está em duas partes Parte 1 aqui e Parte 2 aqui. Não dá para falar de punk 77 sem ouvir isso!