29/03/2011

O Warsaw Pakt original



Não, este não é um texto sobre a primeira encarnação do Joy Division (que eu gosto muito), mas sim sobre o Warsaw Pakt que fez Ian Curtis e seus amigos mudarem o nome do grupo, primeiro para Warsaw e, depois, Joy Division. História bem conhecida aliás. O que não é muito comentado é a (curtíssima) trajetória do Warsaw Pakt original.
Formado em Londres no início de 77, o grupo não chegou a um ano de duração, mas escreveu seu capítulo na história do punk e do rock. E não foi só por causa do lance do nome. O único LP que lançaram, Needle Time, foi o primeiro disco de rock a ser gravado em um processo revolucionário para a época. Tudo foi feito em 21 horas, desde a gravação até a bolacha chegar às lojas. Não tenho muita certeza, mas o fato até entrou para o Guiness Book. Na verdade, eles foram cobaias da Island Records para uma experiência de gravar diretamente para o acetato, sem qualquer tipo de mixagem ou remasterização (se você não conhece o processo de fabricação de um vinil, então veja este vídeo: http://youtu.be/xUGRRUecBik). Acredito que tratou-se de um teste para lançar discos ao vivo 24 horas depois do show. Não sei o que virou a experiência depois, mas o Warsaw Pakt não foi lá muito beneficiado. Apesar de o LP ter vendido cinco mil cópias em uma semana, a Island não quis fazer outra prensagem e nem contratar a banda, além de destruir a fita master da gravação. Sem explicar nada para o grupo. Isso fez com que o disco se tornasse uma raridade muito rapidamente. No Brasil, vi uma cópia apenas (que, infelizmente não era minha). Por essas e outras que tenho certeza que a tal indústria fonográfica tem mesmo é que se foder. Usaram e abusaram do poder para lançar um monte de merda e acabar com boas bandas.

A história dos caras começou mesmo em 1975, quando o guitarrista Andy Colquhoun se juntou ao The Rockets, um grupo do circuito pub rock de Londres que tocava mais covers do que músicas próprias. A banda chegou a ficar conhecida no underground londrino, mas não resistiu às constantes mudanças na formação. Mas as coisas não iam bem para eles em 77 e Andy, juntamete com o vocalista Jimmy Coul e o guitarrista John Manly, resolveu deixar o grupo e formar o Warsaw Pakt. O baixista era Chris Underhill e no início o batera foi Wolf Marlander, mas este ficou por pouco tempo e foi substituído por Lucas Fox. Esta foi a formação que fez a história do Warsaw Pakt. Depois da experiência do "LP mais rápido do mundo", eles ainda lançaram um compacto com as faixas Safe and warm e Sick'n'tired e fizeram vários shows, inclusive abrindo para o The Clash e o Damned. Mas em março de 1978, o grupo se dissolveu. Em 1979, ex-integrantes do grupo juntaram forças e lançaram uma fita K7 com gravações raras, chamada See you in court.  


Warsaw Facts
  • Stewart Copeland tocou em alguns shows com o The Rockets e quando o Warsaw Pakt estava começando convidou Andy Colquhoun para conhecer o vocalista de uma banda que ele estava formando. Andy teria se recusado a juntar-se ao grupo. O vocalista era um tal Sting e a banda, o The Police. 
  • Antes de tocar com o Warsaw Pakt, Lucas Fox foi batera da primeira formação do Motörhead. Nos anos 80, foi baterista do Sisterhood, banda criada por Andrew Eldritch após ter saído do Sisters of Mercy.  
  • Depois do fim do WP, Andy Colquhoun integrou o Tanz Der Youth, grupo pos-punk de Brian James, o guitarrista dos dois primeiros LPs do Damned. Andy tocou ainda com o Pink Fairies e na banda do ex-MC5 Wayne Kramer.
  • O vocalista Jimmy Coul se juntou ao obscuro The Argonauts e depois se retirou do cenário musical. Dos demais ex-integrantes do grupo não consegui saber mais nada.
Para conhecer conhecer melhor esta lenda do punk rock baixe os dois únicos lançamentos clicando nos links abaixo

Warsaw Pakt - Needle Time LP
Warsaw Pakt - See You In Court K7




5 comentários:

  1. Porra! Nem sabia da existência dessa banda, pra mim o único Warsaw que existiu foi o que deu origem ao Joy Division mesmo... Aliás, creio que não é muita gente que conhece esse petardo aí.

    Baixei o LP e achei do caralho. O som é direto, cru e bastante agressivo, e também nota-se uma influência óbvia de The Who, tanto que eles até tiram um cover no LP, cover que achei ótimo, aliás. Uma pena não terem sido bem sucedidos.

    E também sou um dos que acho que a indústria fonográfica tem que tomar no cu. Ficam ditando moda e desprezando artistas honestos e fazem os mesmos se ajoelhar às suas regras, por isso mesmo simpatizo muito mais com gravadoras independentes do que com majores.

    Mas, creio que agora com o aparecimento da internet, dos MP3 e a porra toda a indústria fonográfica tende a desaparecer daqui alguns anos e o CD vai virar um item de colecionador, assim como é o LP hoje em dia.

    Abraços.

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