04/06/2009

Louve ao Senhor e passe pelo (Impatient) Youth

Bill Martin on guitar, Paul Casteel on bass, Chris Coon on drums.
At the Geary Street Theatre, San Francisco, 1978

(Thanx to Chris Coon, who sent me this historical photo)


De volta ao mundo das bandas desconhecidas e não reconhecidas, o FZ relembra o (IMPATIENT) YOUTH. Trata-se de um grupo da cidade de Vallejo, ao norte de San Francisco, onde realmente se firmaram. Com um som melódico recheado de referências sessentistas, o (I.)Y. ajudou a pavimentar o caminho para o "estilo californiano". Conviveram com grupos como The Dils, Avengers, Sleepers, Dead Kennedys, entre outros. No entanto, jamais conseguiram se firmar entre as bandas consideradas de "primeira linha" (odeio categorizações, afinal música é gosto pessoal, totalmente subjetiva).
As raízes do (I.)Y. estão no ainda mais obscuro grupo de rock Faze, que tinha em sua formação o guitarrista e vocalista Bill Martin e o baterista Chris Coon. Os dois, influenciados pelas bandas pioneiras do punk da Costa Oeste norte-americana, deixaram o Faze para fazer um som mais agressivo. No início o baixista era um cara chamado Michael, que logo seria substituído por Paul Casteel, que empresariava o grupo. Essa primeira encarnação do (I.)Y. durou pouco mais de um ano, até Paul e Chris resolverem formar o Woundz (com Paul trocando o baixo pelos vocais).
Bill Martin, que era o verdadeiro fundador do grupo e quem compunha as músicas deu sequência ao trabalho com Mark Anderson no baixo e Christopher Fisher nas baquetas. Com essa segunda formação, o (I.)Y. conseguiu um pouco mais de exposição, já que a música Praise the Lord and Pass the Ammunition foi incluída na histórica coletânea Not So Quiet in The Western Front. O disco, um álbum duplo, não só apresentou ao mundo a nova safra californiana (e de Nevada), com 47 bandas - entre as quais Dead Kennedys, Social Unrest, 7 Seconds, Vicious Circle, M.I.A., Pariah, etc. - como trazia a edição zero da Maximum Rock'nRoll, revista/zine que marcou época no início dos anos 80.
Mas, talvez em consequência da explosão do hardcore, o som mais melodioso do (I.)Y. não chamou a atenção. Além disso, nunca conseguiram um bom contrato ou uma boa produção. Enquanto estiveram em atividade, além da faixa da Not So Quiet..., lançaram apenas um compacto, com seis faixas e chamado simplesmente (Impatient) Youth, patrocinado totalmente pela própria banda, que fez suas últmas aparições em 1981. Também fizeram um split de 7" com o Mutants, '78 on 45, no qual aparecem com duas faixas gravadas ao vivo.
Em 1990, o selo alemão Lost and Found resgatou gravações antigas do grupo e lançou o EP Frontline, com quatro faixas. No embalo, ainda sairia o LP Don't Listen, com 16 músicas. Uma merecida homenagem póstuma, curiosamente realizada do outro lado do Atlântico. Aliás, não consigo entender porque o (I.)Y. não teve reconhecimento em sua terra natal. A banda era bastante criativa,com ótimas letras e atitude. Talvez estivessem no lugar errado e no momento errado (nos anos em que estiveram ativos, o HC predominou nos EUA).
Depois desses lançamentos da Lost and Found, Bill Martin (desta vez, como Billy Ray Martin) tentou ressuscitar o grupo ao lado de sua esposa, Suzy Mae Martin, e do baterista Curt Anderson, que produziu o maxisingle All for Fun, com cinco faixas (nunca ouvi este disco, mas sempre li que é bem fraquinho...). Não deu em nada e a terceira encarnação também naufragou. Com tantas "reuniões" que andam ocorrendo por aí, é possível que uma quarta apareça. Difícil será conseguir recuperar a energia original das duas primeiras fases (na verdade, uma só, com duas formações diferentes).

Baixe os compactos (I.)Y., Frontline e '78 on 45 e o LP Don't Listen



(Impatient) Facts
  • O grupo deveria abrir para o The Clash no Kezar Pavillion, no giro norte-amerccano da London Calling Tour, mas na última hora o produtor da tournê, Bill Graham, comunicou a banda que não tocariam, sem maiores explicações.
  • Depois do Woundz, Paul Casteel fundou o Black Athletes. Já Chris Coon, tocou com o No Alternative. Os dois ainda estiveram juntos no House of Wheels. Ambos se mantêm em atividade. Recentemente, Paul cantou em uma das muitas aparições do Negative Trend. Longe do punk rock, Chris lançou um disco solo em 2008, chamado License to Departure, recheado de teclados, mais para o jazz ou "art-rock".
  • Muita gente pensou que Praise the Lord... fosse uma versão punk de uma canção de guerra, feita por aviadores-combatentes dos EUA durante a II Guerra Mundial, mas a letra de uma não tem nada a ver com outra, só o título.
Praise the Lord original:
Down went the gunner, a bullet was his fate
Down went the gunner, then the gunners mate

Up jumped the sky pilot, gave the boys a look

And manned the gun himself as he laid aside The Book, shouting

Praise the Lord and pass the ammunition!

Praise the Lord and pass the ammunition!
Praise the Lord and pass the ammunition and we'll all stay free!

Praise the Lord and swing into position!

Can't afford to sit around and wishin'

Praise the Lord we're all between perdition
and the deep blue sea!

Yes the sky pilot said it

You've got to give him credit
for a son-of-gun-of-a-gunner was he,
Shouting

Praise the Lord we're on a mighty mission!
All aboard, we're not a - goin' fishin

Praise the Lord and pass the ammunition and we'll all stay free!


A versão do (Impatient) Youth:
Praise the Lord and pass the ammunition!
Praise the Lord and pass the ammunition!

Praise the Lord and pass the ammunition!

God is on our side...

Battling over the book, slaughtering over the psalms

Onward Christian soldier with your sword and cross

Putting the fear of god into heathen flesh

The blood easily washed off of the Christian hand

Cleansed in the river of lies promise of salvation

From the mouth of madmen’s interpretations

Don’t forget the golden rule

The man with the gold is making the rules

Praise the Lord and pass the ammunition!

Praise the Lord and pass the ammunition!
Praise the Lord and pass the ammunition!
God is on our side...


10 comentários:

The Hairy Hands disse...

Enquanto um monte de lixo hardcore conseguiu seu lugar ao sol (pelo menos no universo punk), o Impatient Youth caiu no limbo. Uma pena. Gosto muito da banda, uma das melhores bandas poppy punk (pelo menos no som) de todos os tempos. Mereciam tocar o dia inteiro na MTV.

STRONGOS disse...

Haity, como eu disse, era a banda certa no momento errado. Com certeza, tivessem surgido nos anos 90, com um pouco mais de produção, teriam conseguido algo mais. No entanto, permanecem criminosamente esquecidos, enquanto muita baba fatura alto.
Saudações anárquicas!

The Hairy Hands disse...

Strongos, os dois links que você colocou vão para o mesmo lugar. E no arquivo não tem Praise the Lord.

STRONGOS disse...

Valeu o toque Hairy, já consertei a mancada....

Jay IRC disse...

Hey Strongos! That record was hard enough to find, but you found a lot of information too. Nice post, my friend! ;)

STRONGOS disse...

Sure Jay. And I need to say thank to Count Yorga, the hero that found this gem. And for you too...
I think Impatient is a band that deserves more than I did...
Keep in touch friend and have a nice night...

Maurício Knevitz disse...

Bem legal essa banda, não conhecia!

Que nem o Hairy disse, uma pena não terem tido o devido reconhecimento.

Strongos, se não for pedir muito, queria que você postasse o CD do Fogo Cruzado, que eles lançaram em 97. Agradeço desde já.

STRONGOS disse...

Maurício, valeu o comentário... mas vou ficar devendo o Fogo Cruzado, pq não tenho esse cd (tenho só o SUB e uns sons ao vivo que saíram na reeedição em cd do split do Olho Seco com o Brigada do Ódio)...
E parece que é difícil achar pra baixar... Mas se pintar eu coloco aqui, falou?
Saudações anárquicas!

STRONGOS disse...

Mauríco, nem é tão difícil, meu amigo Mark (http://downuderground.blogspot.com)postou o CD. o link pra baixar é:
http://www.mediafire.com/?esm55ycg2ed

Divirta-se!

Maurício Knevitz disse...

Valeu mesmo cara! o/