09/03/2009

The Mekons, acima de rótulos


Uma das características do Factor Zero impresso era falar também de bandas na época chamadas "new wave". Me lembro de matérias sobre Echo & The Bunnymen, Theatre of Hate e Killing Joke. Algum tempo depois, em meados dos anos 80, surgiu o termo pós-punk, erroneamente interpretado por alguns críticos musicais tupiniquins como abreviação de "positive punk", algo que jamais existiu. Na verdade, o termo seria mesmo post-punk, para designar bandas "posterior ao punk". O que também pode ser colocado em cheque, uma vez que vários grupos assim classificados surgiram antes ou durante a explosão punk de 76-77. Hoje, fala-se até em "art-punk"....


Seja como for, são apenas tentativas de rotular bandas de estilos bem diversificados surgidas na esteira do fenômeno punk. Muitas fizeram parte da cena e apenas passaram a fazer um som mais "trabalhado", como THE FALL, WIRE, o próprio CLASH, etc. Nesse primeiro grupo também estão grupos que mudaram não só o estilo, mas o nome também, como o JOY DIVISION (ex-WARSAW). Outras, foram montadas por membros remanescentes de grupos punks que implodiram ou não, como MAGAZINE (do ex-Buzzcock Howard Devoto), PIL (do ex-Sex Pistol John Lydon, a.k.a., Johnny Rotten) e THE SOUND (dos ex-Outsiders Adrian Borland e Graham Bailey). Há também aquelas que já nasceram com um som "diferente", derivado da simplicidade garageira resgatada pelo punk, com a mesma agressividade e rusticidade, porém, sem as guitarras distorcidas no talo e a velocidade características. Algumas, como POP GROUP, DESPERATE BICYCLES e SWELL MAPS, por exemplo, eram até mais "primitivas" que os punks.
Uma das bandas pioneiras desse estilo foi o THE MEKONS, objeto deste post. Na verdade vou falar da primeira fase da banda, que durou até 1981. O grupo surgiu, ou melhor, começou a se formar, em 1976, em Leeds, na Inglaterra, e está em atividade até hoje, embora apenas com dois membros da formação original. É, certamente, um fenômeno de longevidade. Nos mais de 30 anos de carreira, lançou 24 LPs e/ou CDs e já teve em sua formação pelo menos umas 30 pessoas (em alguns discos, houve participação de 20 figuras!). Apesar disso, até hoje as letras são assinadas apenas por The Mekons. Os únicos remanescentes da primeira fase, são o ex-baterista Jon Langford e o guitarrista Tom Greenhalg.
O Mekons fazia parte de uma pequena "cena" em Leeds que tinha como expoentes ainda o GANG OF FOUR e o DELTA 5. Tinham em comum, além da amizade entre os membros das bandas e o fato de serem todos estudantes, as letras essencialmente politizadas. Mas enquanto o Gang of Four e o Delta 5 tinham uma certa noção musical, o Mekons, pelo menos nos primeiros anos, mal conseguia tocar seus instrumentos. É difícil até dizer quem eram os membros no início, já que a cada apresentação ou ensaio entrava e saía quem quisesse.
O primeiro vinil foi o compacto Never Been in a Riot (1978), uma "resposta" a White Riot do Clash. No lado B, 32 Weeks e Heart & Soul. Na época, Leeds, cidade que tem bastante faculdades, fervia politicamente e uma das lutas dos estudantes era exatamente contra o racismo, que crescia (e continua crescendo!) na Inglaterra. O som é bem primitivo e a gravação feita em dois canais. Lembra (bastante) o Crass e bandas anarquistas da década de 80. Na formação, além de Jon e Tom, estavam os vocalistas Andy Carrigan e Mark White, o guitarrista Kev Lycett e a baixista Ros Allen (que também tocava com o Delta 5). Este era o núcleo da primeira fase do Mekons. Ainda em 78 saiu o segundo single, Where were you, que considero um clássico, até porque foi através dessa música que conheci o Mekons em 1980, em uma fita gravada pelo Fábio (Punk Rock Discos). Os dois compactos foram lançados pela independente Fast Products. Depois do segundo compacto, a banda assinou com a Virgin Records e em 79 lançou Work All Week/Unknow Wrecks.
Ainda em 79 sai o já esperado LP. Com o título The Quality of Mercy is Not Strnen, a bolacha
tornou-se referência para centenas de bandas no mundo todo. Mas isso demorou um pouco para acontecer. Na verdade, o disco não foi bem recebido pela imprensa musical. Talvez pela expectativa criada em cima das incendiárias performances do grupo ou talvez não tenha sido compreendido, ja que, pelo menos na época, não era muito "fácil".
Em 1980, lançaram Teeth, um compacto duplo (dois vinis de 7"). Acabou sendo o último disco deles pela Virgin, que resolveu dispensá-los em virtude das fracas vendas. O que era compreensível, já que o som não tinha nada de comercial e nenhum dos discos sequer ameaçou figurar em listas dos mais vendidos.
Ainda em 1980 assinaram com a Red Rhino e lançaram o quinto compacto, Snow/Another one. No ano seguinte, saiu o segundo LP,
Devil, Rats and Piggies, a Special Message From Godzilla, já com tendência a um som mais pop (embora nada comercial) e predominância de teclados, assumidos pelo jazzista John Gil. Outra mudança foi a troca da baixista Ros Allen por Mary Jenner. Este disco foi relançado em CD pela Cherry Red, mas a banda contesta os direitos e deve ter razão, já que o CD foi masterizado a partir de uma cópia de vinil!
Por volta de 82-83 o grupo dispersou e foi mantido apenas por Jon, Tom e Keith, enquanto os demais membros eram, digamos, "rotativos". Em 1985, o Mekons ressurge totalmente reformado no LP Fear and Whisky, com um som, mais denso e "dark". O LP teve participação de 16 pessoas. Desde então, o Mekons tornou-se uma instituição mutante. Fizeram bons trabalhos, com estilos variados, indo do country ao eletrônico. Particularmente acho Rock'nRoll, de 1989, um grande disco. Vale a pena ouvir tudo, mas desarmado da armadura "punk", certo?
Para conhecer a primeira fase do grupo, que tem mais a ver com punk, reuni os quatro primeiros singles em um arquivo e também coloco o primeiro LP.
Mekons singles 78-80
Mekons - The Quality of Mercy is Not Strnen


Mekons Facts
  • Nos primeiros meses de existência o Mekons usava o equipamento do Gang of Four, já que não tinha seus próprios instrumentos. Nessa fase, outra característica era convidarem pessoas na platéia a subir ao palco e tocar junto com eles. Caos total. Anarquia!
  • Mark White, um dos vocalistas e membros pioneiros do grupo, também foi fundador do Spin Doctors, banda de relativo sucesso nos anos 90.
  • Jon Langford é um dos THREE JOHNS, banda paralela criada em 1982 por ele, John Hyatt e Philipp John Brennan. Com uma bateria eletrônica e um som totalmente diferente do Mekons, os Jonhs eram bem políticos também. O grupo ficou bastante conhecido por bater forte em Maggie Thatcher e o partido conservador inglês. Acabou no início dos anos 90 quando Langford resolveu dedicar-se exclusivamente ao Mekons.
  • No LP Fear and Whisky, de 85, o ex-guitarrista do Damned, Lu Edmonds, aparece pela primeira vez como colaborador do Mekons. Com a banda até hoje, Lu tornou-se um multi-instrumentista, especializado em cordas orientais.
  • O nome da banda foi tirado dos quadrinhos de ficção científica do herói Dan Dare, "o piloto do futuro", criados por Frank Hampson. Mekon era o vilão extraterrestre, vindo do planeta Vênus, que, claro, queria dominar o universo. Esses quadrinhos foram muito populares nos anos 50 - 60 no Reino Unido.

3 comentários:

luiska disse...

saludos amigo desde chile muy buena pagina se agradece skapunkviejito

Anônimo disse...

The mekons e tao fantastico!!!
"Where were you" e uma cancao que nega-se a ser esquecida!!!

STRONGOS disse...

Com certeza a melhor música deles, embora essa seja uma banda para ser ouvida sempre....
Valeu o comentário...