18/01/2009

Pequenos Gigantes III - Stiff Records


A Stiff Records não foi um selo dedicado exclusivamente ao punk - aliás, bem poucos foram na década de 70 -, mas teve papel fundamental na cena londrina. Foi a Stiff que lançou o compacto de estreia da Damned, considerado como o primeiro disco "autenticamente" punk inglês.
A história deste selo começou no verão de 76 quando Jake Rivera (na verdade, Andrew Jakeman) e Dave Robinson fizeram um empréstimo de 400 libras com o volcalista do Dr. Feelgood, Lee Brilleaux, para montar um selo que pudesse lançar discos de bandas londrinas de uma cena então conhecida como "pub rock". Jake já trabalhava com o Dr. Feelgood e os havia acompanhado numa turnê pelos EUA, onde conheceu o trabalho de pequenas gravadoras (entre elas, a Bomp) e voltou ao Reino Unido convicto de que deveria enveredar por este caminho. Dave também atuava no circuito "pub rock" e trabalha em um estúdio especializado no gênero. Portanto, ambos conheciam bem o underground londrino.
O primeiro lançamento do selo foi o single So it goes/Heart of the city, de Nick Lowe, recém saído do grupo Brinsley Schwartz. A bolacha foi bem recebida pela imprensa musical e a Stiff Records ganhou fôlego. No entanto, os lançamentos seguintes (Pink Fairies, Roogalator, Tyla Gang e Lew Lewis) não foram tão bem. Por outro lado, o punk rock começava a entrar em evidência e a dupla foi rápida no gatilho: contratou o Damned e em 22 de outubro de 76 chegava às lojas o single New Rose/Help, que entraria para a história como o primeiro compacto de punk rock (embora haja muitas controvérsias) inglês. O single tornou-se um dos mais tocados no lendário programa de John Peel. Ainda em 76, a Stiff lançou na Inglaterra outro compacto punk lendário: Richard Hell and the Voidoids, com as músicas Another World, Blank Generation e You gotta lose.
Ao contrário de Lee Wood da Raw Records, Jake e Dave, além de gostar muito de bandas de vanguarda, tinham excelente tino comercial e sabiam promover os discos que lançavam. Faziam cartazes e anúncios nos jornais especializados. O próprio selo era promovido por uma camiseta que tornou-se célebre na época por usar a frase If it ain't STIFF, it ain't worth a fuck. Marketing de primeira. Com isso, conseguiam boas vendas e exposição na mídia.
O primeiro LP do selo, já em 77, também ajudou a escrever a história do punk: o histórico Damned, Damned, Damned. Mas a Stiff apareceria pela primeira vez nas listas dos mais vendidos com um certo Elvis Costello, com quem o selo ganharia muita grana. No entanto, Jake resolveu abandonar o barco no final de 77 para fundar a Radar Records e levou com ele Elvis Costello e Nick Lowe, que produzia boa parte do material no estúdio. O golpe foi sentido, mas as boas vendas de outro artista, no caso, Ian Dury, segurou a onda. Mais tarde, o selo lançaria o Madness, o grupo de ska de sucesso mundial que conseguiria manter o selo em atividade por muitos anos.
Voltando a 77, o Damned, após cinco compactos e o segundo LP, Music for Pleasure, assinou com a Chiswick. Mas a verdade é que a Stiff, embora tenha dado grande impulso para o punk, preferia bandas "new wave". As exceções, além dos já citados aqui, foram o Adverts, com o compacto One Chord Wonders, de 77, e o The Members, com o single Solitary Confinement/Rat up a drainpipe, já em 1979. No ano seguinte, a Stiff lançou o LP Live Kicks, do UK Subs, que teria circulado inicialmente como pirata. Depois, a banda negociou com a Stiff o lançamento oficial da bolacha.
Ainda na área pesos-pesados, a Stiff lançou um dos primeiros singles do Motorhead (Leavin' here/White Line Fever) e também dois compactos e um LP (No hope for the Wretched) do Plasmatics.
Em 86, com dívidas na casa dos três milhões de libras, o selo foi adquirido pela ZTT Records, que manteve o nome adormecido por mais de dez anos. Em 2001, a Stiff voltou ao mercado com diversas coletâneas e em 2007, após 21 anos, voltou a lançar um álbum original, com o The Tranzmitors.
Baixe o LP Skip off school to see The Damned, que reúne os cinco compactos do Damned pela Stiff, mais os singles do Adverts, do Members e de Richard Hell. Basta clicar aqui.
Em breve postarei o Live Kicks, do UK Subs, prometo.

3 comentários:

  1. The Hairy Hands1/19/2009

    o crássico Whole Wide World do Wreckless Eric, o Odair José britânico, também saiu pela Stiff.

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  2. A Stiff se autoproclamava "o selo mais flexível do mundo" e tinha em seu catálogo muita coisa boa, como Wreckless Eric (um dos pricipais artistas do selo, ao lado de Ian Dury e Madness), Devo, Lene Lovich, The Feelies, Dirty Looks, Theatre of Hate e The Pogues. Mas em termos de punk, acho que se tiver algo mais é bem desconhecido. O que eu nã havia citado no texto (e já acrescentei) é o Live Kicks do UK Subs.

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  3. Mike Monoman Xavier Eriksson from Sweden sends his thanks for a great blog!
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