26/01/2009

Anarquia em Paris

METAL URBAIN. O nome pode enganar, mas não tem nada a ver com heavy metal (ainda bem). Trata-se de uma das bandas pioneiras do punk rock francês. Com certeza, a mais original. Guitarras distorcidas ao máximo, vocais agressivos, letras politizadas e sintetizadores. Esse último elemento também pode enganar aos punks puristas. Apesar de não ter bateria tradicional (usavam uma eletrônica) o M.U. conseguia um som extremamente agressivo.
O grupo foi formado em 1976, em Paris, já totalmente influenciado pelo furacão punk que sacudia parte da Europa. A formação original tinha o vocalista Clode Panik, o guitarrista Rikky Darling e os tecladista Zip Zinc, que permaneceu com a banda apenas por seis meses, mais o também tecladista Eric Débris, que acabou tornando-se o "cérebro" do grupo. Em 77, Rikky deixou o M.U. e em seu lugar entraram os irmãos Hermann Schwattz e Pat Luger, ambos guitarristas.
Apesar de ter feito história, o Metal Urbain não durou muito tempo. Em 78, Clode deixou a banda e Eric também se desiludiu com a cena punk francesa, que, igualmente ao que acontecia na Inglaterra, estava em baixa. Ou seja, pouca gente nos shows, nenhuma atenção por parte da mídia e menos ainda das gravadoras. Em 79, poucos meses depois do final da banda, a revista Best Magazine publicou uma carta de Clode sobre os motivos que acabaram com o grupo. Os acusados são as gravadoras francesas, por terem se recusado a assinar com o Metal Urbain "por causa das letras, da imagem, da música e da atitude", e a imprensa - "the rock (?) press", como assinalou. Leia a carta na íntegra no site oficial do grupo. A parte em que ele acusa a imprensa é sensacional.
O fim prematuro acabou deixando o Metal Urbain esquecido por um bom tempo, mas a a banda acabou sendo "redescoberta" no final dos anos 90. Em parte pelo revival punk e pelo crescimento da vertente "industrial" do rock (bandas como Ministry e Big Black têm influência clara do Metal Urbain), já que o o som deles tem elementos dos dois estilos. O interesse pelo grupo cresceu tanto que resolveram retomar as atividades e além de fazerem shows, em 2006, lançaram um CD, com o título J'Irai Chier dans Ton Vomi, com músicas inéditas, produzido por ninguém menos que Jello Biafra, pelo selo Alternative Tentacles.
Na primeira fase, o Metal Urbain lançou apenas três compactos - brilhantes, diga-se de passagem. O primeiro single é de 77, com Panik e Lady Coca Cola. Apesar de cantarem em francês, conseguiram chamar a atenção na Inglaterra e, ainda naquele ano, saiu o explosivo Paris Maquis/Clé de Contact, pela Rough Trade, tendo a honra de ser o primeiro lançamento daquele que se tornaria o maior e mais importante selo independente do Reino Unido nos anos 80. O terceiro, e mais conhecido, compacto sairia em 78, pelo selo Radar, também inglês, com Hystérie Connective e Pop Poubele. O único LP, Les Hommes Morts Sont Dangereux, saiu postumamente em 81.
Não deixe de conhecer uma das mais originais bandas da história do punk mundial. Baixe aqui a coletânea Anarchy in Paris, uma compilação de tudo que eles fizeram nos anos 70.


URBAIN FACTS

  • O primeiro show do Metal Urbain, em dezembro de 76, acabou em uma grande confusão, já que alguns roqueiros na platéia sentiram-se insultados por algumas atitudes do grupo (anti-hippies, digamos). Após agressões mútuas a banda acabou expulsa do lugar. Brigas eram normais em quase todas as apresentações da banda em Paris.
  • Após o fim do grupo, Clode desapareceu por um bom tempo, ressurgindo das cinzas nos anos 90. Eric, Hermann e Pat fundaram o Doctor Mix & The Remix, mantendo a linha do M.U., porém com mais ênfase nos sintetizadores.
  • Eric Debris também tornou-se produtor e trabalhou com o Berurier Noir, famosa banda eletrônica.
  • Os irmão Hermann e Pat também fundaram uma banda chamada Desperados. Mas o projeto teve vida curta e, enquanto Hermann seguiu no mundo da música, tornando-se um respeitado guitarrista em solo francês, Pat manteve-se longe dos palcos até 2003, quando durante uma apresentação do Metal Urbain no Canadá, saiu do meio da platéia, subiu ao palco e tocou duas músicas com os ex-companheiros. Desde então, participa esporadicament de shows e contribuiu com algumas músicas no CD de 2006.

7 comentários:

Anônimo disse...

O Lux Interior do Cramps morreu. Sei que o Cramps não é bem uma banda punk, mas é quase isso, né?

George disse...

Strongos, pega a discografia completa do Los Crudos aqui:
http://thepiratebay.org/torrent/4145612/Los_Crudos_Discography_Discografia

Abraço!!!
PS: se não der certo, procura no piratebay que deve ter outros links...

Lucas disse...

strogos, valeu pelo trampo cara! teu blogzine tem muita informação.. to lendo tudo, : D the wipers. mto bom EIN! ; D

STRONGOS disse...

Blz moçada, valeu pelos comentários.
Anônimo, realmente o Cramps não se encaixa no que convencionalmente se chama "punk rock". Mas o cara era punk pra caraio! Autêntico e jamais mudou sua personalidade por um centavo! Uma grande perda, sem dúvida.
George, vou baixar sim. Estou curioso pra ouvir. Valeu o toque.
Lucas, continue visitando o FZ, vou tentar ser mais ergular agora que trquei mue PC! Wipers é "a" banda...
Saudações anarquistas a todos!

Luispink disse...

Olha até que enfim encontrei um blog do melhor. Aqui de Portugal vão uns sinceros parabéns

Luispink disse...

Olha até que enfim encontrei um blog do melhor. Aqui de Portugal vão uns sinceros parabéns

STRONGOS disse...

Luis, obrigado pela visita e pelos elogios. Com sinceridade digo que adoro Portugal (apesar de nunca ter aí pisado). Um dia vou por aí, com certeza...
Saudaçõs anárquicas desde este judiado Brasil!