29 de ago de 2008

Bem vindos ao mundo punk

O Condutores de Cadáver é uma das três bandas pioneiras do punk rock no Brasil. As outras duas são Restos de Nada e AI-5. Tudo começou em 78, na zona norte de São Paulo, região da Vila Carolina e Santa Maria, próximas ao Bairro do Limão. Como acontecia em diversos bairros paulistanos daquela época, grupos de roqueiros (não gangues) reuniam-se aos finais de semana para ouvir som e beber (beber muito). Na turma da Carolina, já começava a surgir a idéia de montar bandas, uma delas era dos amigos Callegari, Hélio e Nelsinho Teco-Teco, que moravam na mesma rua. Por outro lado, algumas dessas turmas promoviam sons (de fita) em locais improvisados – algumas vezes rolava em quintais cobertos com lonas. Uma delas era “Os Ostrogodos”, que tinha entre seus integrantes Índio (se não me engano, o Fábio do Olho Seco também era dessa turma). Num dos sons os três amigos conversaram com ele sobre a banda. Surgia o NAI – Nós Acorrentados no Inferno, com Callegari na guitarra, Hélio no baixo, Nelsinho na bateria e Índio no vocal. Depois de alguns (poucos) ensaios o NAI fez sua estréia. O show, em conjunto com o Restos de Nada e o AI-5, aconteceu no Construção, salão que ficava na Vila Mazzei. O local era um dos poucos que tocava rock pesado e começava a abrir espaço para os punks. Mas a apresentação acabou sendo um desastre e eles resolveram mudar o nome da banda, com medo de que ninguém mais quisesse vê-los. Nascia então o Condutores de Cadáver, nome surgido a partir de uma letra de Índio, que falava sobre campos de concentração.
O “novo” grupo estreou em 79, já com Clemente no baixo. Com letras incomuns, longe do panfletarismo que predominaria na cena punk nacional nos anos 80, falando sobre mortos, cemitérios, carnificinas, “vivos que não viviam”, construíam um cenário tétrico e apolíptico, acusando a todos e recusando tudo. Tudo sustentado por uma potente parede sonora construída por Callegari, Hélio (depois, Clemente) e Nelsinho (depois, Marcelino), com uma guitarra distorcida ao máximo e acordes básicos de três cordas. Exatamente o que a molecada, já de saco cheio de ouvir rocks românticos e disco music, queria e precisava: punk rock visceral e autêntico.
O Condutores seguiu seu caminho no inexistente mercado para bandas desse estilo. Por isso, os shows eram raros e a chance de gravar um disco praticamente nula. Paralelamente, em 1981, o punk brasileiro começava a ganhar forma e crescia, ainda que muito modestamente em relação a países europeus e os EUA, que já viviam a “segunda onda”. Vislumbrando a chance de ocupar um espaço maior no emergente cenário punk paulistano, Clemente, influenciado pelo filme Rude Boys, do Clash, sugeriu novos rumos para a banda. Índio também, mas por outros caminhos: queria radicalizar ainda mais. No entanto, Callegari e Marcelino ficaram com Clemente e o Condutores chegava ao fim. No lugar de Índio, entrou Maurício e o nome mudou para Inocentes. Índio montou o Hino Mortal, que fazia um som hardcore, antes mesmo de existir o termo por aqui. Começava outra página da história do punk (e do) rock brasileiro. Sem ter realizado qualquer registro em vinil, o Condutores tornou-se uma banda lendária e assim permaneceu por 20 anos. Em 2001, porém, começava o justo resgate de quem plantou sementes poderosas e viu outros colherem frutos. Convidados a participar do festival “A um passo do fim do mundo”, que reuniu mais de 50 bandas em São Paulo, em dois dias, o Condutores ressurgia das cinzas. Com três membros da formação original – Índio, Callegari e Hélio – mais o baterista Babão, a banda fez um show memorável. A boa recepção do público incentivou o Condutores a gravar um compacto com quatro músicas (Alta Velocidade, Choque-choque-choque, Cemitérios de Concreto e Bem-vindos ao Novo Mundo). Até então, os únicos registros do som deles eram fitas cassete piratas, com gravações caseiras e ao vivo, editadas por pequenos selos europeus. O disco é uma raridade, pois foram prensadas apenas 500 cópias. Desde então, o grupo faz apresentações esporádicas e deve lançar em breve seu primeiro CD. Enquanto isso não acontece, baixe o EP Condutores de Cadáver, mas cinco músicas que estarão no CD, clicando no link abaixo:

http://www.mediafire.com/?229jtq59ytbutc5

Sons:
Bem-vindos ao novo mundo
Alta velocidade
Choque choque choque
Cemitérios de concreto
Futebol
Cavar seu túmulo
Condução para o inferno
Tão seco aniversário
Onde estão os vivos


Condutores Facts
  • Um dos shows lendários do Condutores aconteceu na Gruta, um dos primeiros redutos exclusivamente punk de São Paulo. Durante o show, a indiferença de alguns punks, sentados à beira do palco, de costas para a banda, irritou Índio que não teve dúvida: mijou nos caras!
  • Declarações do baixista Helinho sobre o show do Construção, ainda como NAI: "o show foi ruim de qualidade técnica e bom de empolgação. Chapei e me lembro de ter pulado como um cabrito. Acertei uma mina com o baixo e ela desmaiou no meio da platéia. Depois o namorado dela agradeceu dizendo que era uma chata. O Callegari mudou o nome da banda e me substituiu pelo Clemente. Se bem que me lembro de ter feito ao menos um ensaio como Condutores. Depois dessa fui montar o Cólera com o Redson."
  • Índio, provavelmente, foi o primeiro moicano brasileiro e, quando estreou o novo visual, ganhou de presente de Callegari uma machadinha (roubada da cozinha de sua mãe), que o fazia lembrar um apache, ameaçando o público. Callegari se arrependeria disso mais tarde, pois o instrumento tornou-se comum entre algumas gangues punks que começavam a surgir...
  • A maior influência do som do Condutores é o Speed Twins. Por coincidência, as duas bandas fizeram músicas criticando o futebol. Mas foi coincidência mesmo, já que Football Song do ST não estava no LP It's more fun to compete, que era o único vinil da banda holandesa conhecido por aqui...

25 de ago de 2008

A bela e as feras


Outra banda pioneira da cena californiana, o Avengers começou a ser formado em 76, após Daniel O’Brien, também conhecido por Danny Furious, assistir a uma apresentação do Ramones – ele era uma das cerca de dez pessoas que viram o show no Savoy Tivoli, um clube de San Francisco. Na verdade, Danny e seu amigo Greg Ingraham já haviam tentado formar algumas bandas desde 1971, sempre fazendo covers, porém, a idéia estava parada desde 74. Mas após ver o que Dee Dee e seus amigos novaiorquinos estavam fazendo, mesmo apresentando-se para dez pessoas, ele não teve dúvida em chamar Greg para uma retomada. Saíram atrás de outros membros e convidaram Penelope Houston, que estudava com eles no San Francisco Art Institute, para ser a vocalista. Danny gostava do visual de Penelope: ela usava roupas estilo anos 50 e tinha cabelos curtos e vermelhos. De cara ela recusou: queria ser atriz e não sabia nada de rock’n’roll. Exatamente o que Danny queria, aí foi só insistir. Ela indicou Jonathon Postal para ser o primeiro baixista da banda. Mas logo o novo integrante entraria em conflito com os demais, pois queria impor um estilo mais comercial, já que estava bastante influenciado pelo Blondie. Então Danny e Penelope encontraram James (Jimmy) Wilsey, que aceitou o convite. Jonathon foi dispensado, porém, se recusou a sair da banda. Mas não deu, os outros avengers passaram a evitar contato com ele, que, enfim, deixou a banda, não sem jurar vingança!
Depois disso, o Avengers finalmente começou a ensaiar e em junho de 77 realizou seu primeiro show. A partir de então, o grupo deslanchou e foi um dos mais ativos na cena da costa oeste dos EUA. Boas músicas, letras com conteúdo, músicos competentes e uma vocalista (muito) bonita. Não tinha como não chamar a atenção. Logo sairia o primeiro compacto com três sons: a clássica We are the one, mais I believe in me e Car Crash. Apesar dos muitos shows e ser reconhecido como um dos melhores grupos da Califórnia nos anos 70 (para mim, um dos melhores da história do punk rock) este seria o único disco lançado pelo Avengers enquanto esteve em atividade. Todos os demais discos saíram após o fim do grupo.
O grande momento do Avengers aconteceu em 14 de janeiro de 78, quando abriram, junto com o The Nuns, o último show da turnê norte-americana dos Sex Pistols, que também foi o último de Sid, Rotten, Jones e Cook juntos. Alguns dias depois da apresentação, emque eles estiveram muito bem no palco, eles entraram em estúdio para trabalhar em um compacto com produção de Steve Jones. Gravaram American in me, mais um clássico, talvez, a melhor música deles, além de White Nigger, Uh-Oh! e Second to none, esta, composta em parceria com Jones e regravada pelo Professionals (para quem não sabe, a banda de Jones e Paul Cook pós-Sex Pistols) com o título 1-2-3 Babe. O problema é que no meio da sessão, Sid Vicious fez a merda que todos sabem e Malcom McLaren "convidou" Steve Jones para voltar correndo para a Inglaterra: o dinheiro acabara, tinha ido todo para tirar Sid da cadeia, acusado de matar Nancy. Resultado: a produção ficou inacabada e só viria à luz anos depois, mais exatamente em 83, em um LP que reuniu tudo o que eles gravaram em estúdio (15 faixas) mais uma música ao vivo (Fuck you).
No início de 79, Greg deixou o Avengers, o que acabou sendo o início do fim. Após sua saída, Jimmy trocou o baixo pela guitarra por uns tempos, com Tony Kinman do The Dils assumindo provisoriamente o baixo, que passaria para Brad Kent (ex-D.O.A.). Mas a saída de Greg, um dos fundadores do grupo e principal compositor, abalou muito a banda e a química essencial acabara-se. Assim, oAvengers chegou ao fim em junho daquele ano. Uma pena, pois foi uma banda que merecia ter ido bem mais longe, pela qualidade do som e por Penelope, linda...


AVENGERS FACTS
  • Após o fim do Avengers, Penelope Houston iniciou carreira solo e lançou mais de uma dezena de álbuns, em que colocou pitadas de folk music e pop rock, todos sem grande repercussão.
  • A banda ganhou a pecha de esnobe entre os punks dos anos 70 porque não participava das baladas juntos com os outros punks. Na verdade, os membros do grupo (ainda) não usavam drogas e não tinham clima para ficar nas festas que rolava de heroína pra cima.
  • Depois de ser dispensado, o baixista Jonathon Postal tornou-se vocalista de uma banda pop chamada Readymades e atualmente dedica-se à carreira de fotógrafo, em que teve relativo sucesso.
  • Danny Furious foi um dos primeiros integrantes do Blackhearts, a banda de Joan Jett (ex-Runaways) que fez muito barulho no início dos anos 80. No entanto, junto com o sucesso, conheceu também a heroína. Não ficou muito tempo com o Blackhears e chegou a tocar com o Social Distortion, mas o vício levou-o ao fundo do poço. Participou também de dois projetos sem qualquer repercussão: The Spiders e Belfast Cowboys. Chegou a ser convidado para tocar com o Black Flag, que quando soube que ele ainda estava se drogando, declinou. Danny mudou-se para a Suécia em 1985, onde tornou-se chef de cozinha vegetariana. Na música, ocasionalmente faz participações em bandas de country music ou rockabilly. Pelo menos, sobreviveu.
  • Jimmy Wilsey seguiu carreira de músico, primeiro, como integrante do Chris Isaak & the Sivertone, banda de muito sucesso nos anos 90. Depois trabalhou em trilhas sonoras para TV e cinema. Atualmente tenta decolar uma carreira solo.
  • Em 2004, Penelope e Greg reativaram o Avengers – com Joel Reader no baixo e Luis Illades na bateria. O grupo atual se apresenta também com o nome scAvengers (o sc é de South California, para distingui-los de uma banda de heavy metal homônima). Luis toca também com o Pansy Division, grupo assumidamente gay. Também tocou no Plus One, banda de Joel, que, por sua vez, tocou no Mr.T Experience.
  • Depois da reunião o scAvengers lançou um CD com o nome Died for your sins, com músicas antigas, releituras e algumas inéditas. A “reunião” irritou profundamente Danny e Jimmy que não foram consultados.
Baixe aqui o excelente e indispensável LP Avengers.

18 de ago de 2008

Punk Rock? Rockabilly? Punkabilly? The Nips!


Shane McGowan é muito conhecido por liderar o The Pogues e por sua acentuada tendência ao alcoolismo. Mas antes foi um punk bastante ativo no boom da cena londrina em 76-77, quando montou, juntamente com a baixista Shanne "Skratch" Bradley, o Nipple Erectors. Completavam a primeira formação o guitarrista Roger Towndrow e o baterista Arcane Vendetta. Essse quarteto realizou vários shows e gravou o primeiro single com as faixas King of the bop e Nervous Wreck. A primeira é um rockabilly, estilo que começava a ser resgatado por algumas bandas punks e a segunda, mais pesada e mais caracteristicamente "punk". Na mesma sessão eles gravaram outras duas músicas (Stavordale Road N5 e So pissed off) que seriam lançadas apenas em 87, em uma coletânea, quando a banda já não mais existia. Recentemente Shane revelou que todos estavam totalmente bêbados e drogados nas sessões: "Shanne was in a coma".
Pouco tempo depois do lançamento da pequena bolacha eles mudaram o nome para The Nips.
O segundo compacto - para mim, o melhor - saiu em 78, com as faixas All the Time In The World e Private Eye. A primeira é um verdadeiro clássico, uma daquelas composições de rara felicidade, original, tocada com rapidez e fluidez. A essa altura o grupo experimentava uma certa popularidade, mas a formação passou a ter mudanças constantes (em pouco mais de dois anos foram dez bateristas e quatro guitarristas!).
Os dois discos foram produzidos e lançados pela Soho Records e Shanne não ficou contente com o resultado. Queria um som mais rústico, menos produzido(!). Procurou a Chiswick, na época uma das independentes mais respeitadas e, em 79, saiu o terceiro single com Gabrielle e Vengeance. Shanne, mais uma vez, ficou descontente, principalmente por Gabrielle, música que chegou a tocar nas rádios e soava mais pop que os discos anteriores. Na verdade, os produtores e o restante da banda esperavam que essa música se tornasse um hit, o que não ocorreu. Logo a Chiswick também foi descartada. O quarto e último single de estúdio saiu em 80, pela TestPressing Records, com produção de Paul Weller, do The Jam, e as faixas Happy Song e I Don't want nobody to love. No entanto, antes de haver qualquer repercussão a banda acabou. No mesmo ano saiu Only the end of the Begining, LP gravado ao vivo. Em 87, a Big Beat Records lançou o LP Bops babes booze and bovver com os quatro compactos e algumas músicas de Only The end...
O som do Nips confunde um pouco, pois não é exatamente um rockabilly e, por não ter guitarras distorcidas no talo, muitos não o considerariam punk. Ou seja não é nem uma coisa nem outra e é as duas ao mesmo tempo. Particularmente penso que pela atitude são autênticos punks.

Nip-facts
  • Shane era um freqüentador assíduo da King's Road, ponto de encontro dos punks e mods londrinos, fato que gerou muitas brigas - a violência na região foi tema de várias reportagens do The Times, um dos mais conceituados jornais ingleses. Em 76, apareceu numa capa do Sounds, tablóide especializado em música, ilustrando uma matéria com o título "The face of 76".
  • Antes do Nipple Erectors, Shane teve seus 15 minutos de fama por ter perdido o lóbulo de uma de suas orelhas durante um show do Clash, após uma mordida (Mike Tyson não foi o primeiro!). O fato acabou publicado pelo Sounds (veja a imagem no final do post). Na verdade, ele sangrou, mas houve um certo exagero, pois nas fotos da banda percebe-se que a avantajada orelha continua inteira.
  • Shane também participou da edição de um fanzine, em 77, chamado Bondage.
  • Em 84, a baixista Shanne Bradley ganharia fama como integrante do conceituado The Men They Couldn't Hang, que, a exemplo do Pogues, mistura elementos de folk music irlandesa com rock, mas com letras e atitudes mais politizadas. Ela saiu da banda em 85 para tocar com o tresloucado experimentalista Wreckless Eric e foi substituída pelo ex-UK Subs Ricky McGuire.
  • Em maio deste ano, o Nips fez um show de reunião no 100 Club, junto com Johnny Moped,outra peça rara da cena londrina de 77. Todos velhos, talvez, como eu!
Baixe a coletânea de singles Bops, Babes, Booze and Bovver

13 de ago de 2008

Muito, muito ódio

O Xtraverts foi criado em 1976 pelos amigos Nigel Martin (vocal) e Mark Reilly (guitarra), na cidade de High Wycombe (47km a noroeste de Londres). A primeira formação foi completada pelo baixista "Carlton" e o baterista Tim Brick. Com um som que captava muito bem o espírito de revolta no início do punk, o Xtraverts logo conquistou muitos seguidores e a fama de "Sex Pistols de High Wycombe", também pelo comportamento agressivo dos integrantes, principalmente Nigel. "Ele era capaz de iniciar uma terceira guerra mundial. Este era seu problema", conta Glen Spicer, guitarrista da banda a partir de 78. Este temperamento acabou causando o fim do Xtraverts, em 79, quando Nigel esfaqueou um mod em uma briga de rua e acabou na prisão. Antes disso, porém, eles se apresentaram em todo o circuito inglês e lançaram dois compactos (o terceiro, gravado antes de Nigel ser preso, saiu só em 81).
O primeiro, ainda com a formação original, contém as músicas Blank Generation (nada a ver com a música de Richard Hell) e A-Lad-in-sane. Bons sons, mas não tão punks quanto os das bolachas seguintes. Em 78, saiu um split com outra banda popular de High Wycombe, chamada Plastic People, que fazia um som mais new wave e foi o berço do guitarrista Glen Spicer. A faixa deles é Police State - pelo nome dá para saber que detona os tiras ingleses - bem mais pesada que as do single anterior. Nesta gravação, do line up original sobrou apenas Nigel, com Steve Westwood na guitarra, Mark Chapman no baixo e Andy Crawford na batera. O melhor single deles é o terceiro, com as faixas Speed e 1984. Neste, a formação anterior ganhou um guitarrista a mais (Spicer) e um novo batera, Tim Watts.
Em 97, o dono da gravadora Detour Records descobriu uma fita com 13 músicas que comporiam um LP e ficou esquecida após o episódio de Nigel. Claro que não hesitou em recolocar o Xtraverts no mercado. A banda até tentou retomar as atividades com o lançamente de So Much Hate, mas deu apenas para fazer alguns shows e logo viram que era inviável, pois cada integrante já havia tomado outros rumos.


XTRAVERTS FACTS
  • A banda ganhou muita fama em High Wycombe após surgirem várias pichações em prédios públicos enaltecendo as "qualidades" do grupo, o que não era muito comum na cidade naquela época.
  • Em 79, o jornal Midweek fez uma crítica irônica do compacto Police State, na qual acusava a banda de ser "plastic punk" e que na cidade de Wycombe não haveriam mais punks reais. Nos dias seguintes da publicação, receberam centenas de cartas de protesto e um abaixo-assinado com 1200 assinaturas exigindo que o jornalista reavaliasse sua opinião. O fato ajudou a elevar as vendas do compacto e a lotar a agenda de shows do Xtraverts.
  • Mark Reilly foi um dos fundadores do Matt Bianco, banda de muito sucesso na Inglaterra nos anos 80 e 90.
  • Depois do fim do Xtraverts, o guitarrista Glen Spicer formou uma banda chamada Cherry Black Dawn, que lançou apenas um compacto em 84, mas esteve na ativa até 93. Por essa época também trocou de sexo (!) e passou a atender pelo nome de Jacquie Blue.
  • Steve McCormack, baterista que tocou algumas vezes com o Xtraverts, fez o papel de Billy Idol num prgrama da TV inglesa chamado Stars In Their Eyes.
  • Já o baterista Andy Crawford foi chutado pela esposa após voltar a tocar durante a reunião da banda.
Baixe aqui as 15 faixas de So Much Hate: 1977 - 1979

12 de ago de 2008

Punkmaníacos


Lixomania, um dos pioneiros do punk nacional, surgiu em 1979, em São Paulo. A primeira formação contava com Adauto (Adá) no baixo, Tikinho na guitarra e no vocal e Zú na bateria. Depois de algumas apresentações, Alê assumiu os vocais. Em 1980, com alguns ensaios e apenas três músicas no repertório, o Lixomania fez a sua primeira apresentação num encontro inédito de bandas punks, realizado a portas fechadas em Santo Amaro, na zona sul da cidade. Neste mesmo dia apresentaram-se Inocentes, Mack, Anarkólatras, Cólera e Olho Seco, se não me engano. Na verdade, era um barzinho com música ao vivo (MPB) e a dona da casa quis ver o que era esse tal punk rock, antes de efetivamente por todo mundo pra tocar. Não gostou do que viu, claro. No decorrer de 1980 e 1981, o Lixomania realizou diversos shows pela periferia de São Paulo e rapidamente ganhou prestígio entre os punks paulistanos.
Em 81, Alê deixou a banda e Moreno, um antigo simpatizante, assumiu os vocais. Outra mudança foi a saída do baterista Zú, substituído por Miro, ex-Guerrilha Urbana. Com essa formação, o Lixomania gravou o EP Violência e Sobrevivência, lançado em setembro de 82, financiado por Carlos Marçal Bueno, amigo e simpatizante da banda. Redson, do Cólera, e Callegari, do Inocentes, deram uma força no estúdio. O petardo contém seis faixas: Violência e Sobrevivência, Massacre inocente, O Punk Rock não morreu, Zé Ninguém, Fugitivo e Os Punks também amam. A pequena bolacha tornou-se uma raridade, apesar de na época não ter vendido muito, já que a maioria dos punks não tinha grana pra comprar e gravavam em fitas K7 (isso demonstra que o lance de "ripar" som é antigo, apenas se usava outro método).
Foi o primeiro disco individual de uma banda punk no Brasil, lançado poucos meses depois do pioneiro Grito Suburbano.
A capa do EP é uma colagem de manchetes do extinto jornal sensacionalista Notícias "espreme que sai sangue" Populares e foi realizado a seis mãos por Moreno, com auxílio do dramaturgo e escritor Antonio Bivar, autor do livro O que é Punk, e Fernando Santa Rosa. Após o lançamento do EP, o Lixomania tocou em algumas cidades do interior paulista e participou do lendário festival O Começo do Fim do Mundo, no Sesc Pompéia, em São Paulo. A banda teve uma música (Punk!) incluída no disco do festival. Nessa época, o vocalista Moreno já havia sido substituído por Alê.
Pouco depois, o Lixomania foi mais uma vez pioneiro, como a primeira banda punk paulistana a tocar fora do estado, convidados por um empresário português, que encontrou o baterista Miro por acaso no local hoje conhecido como Galeria do Rock (na época, era apenas Grandes Galerias) e perguntou-lhe se ele conhecia alguns punks que frequentavam o lugar, já com a intenção de contratar uma banda para tocar no Rio de Janeiro. Entre as apresentações do Lixo na Cidade Maravilhosa ficou marcada a do Circo Voador, que teve na abertura Paralamas do Sucesso e Kid Abelha & os Abóboras Selvagens! Também entrou para a história um show no estádio de Juiz de Fora, assistido por milhares de pessoas.
No entanto, após o festival do Sesc, o punk paulistano entrou em uma fase difícil, com o aumento da repressão policial e, principalmente, com a repercussão negativa de uma matéria completamente tendenciosa - para o lado ruim, claro - no programa Fantástico da maquiavélica Rede Globo. De uma hora para outra, todos os punks haviam se tornado assassinos e drogados, nada mais. Nunca é demais lembrar que sequer havia um circuito independente e ainda havia a falta de equipamentos (caríssimos na época) e de espaços para shows. Para piorar, as brigas constantes entre gangues e o surgimento dos carecas do subúrbio detonaram o pouco que sobrara. Uma das últimas apresentações do Lixomania dessa época, no programa Fábrica do Som, da TV Cultura, mais uma vez terminou em pancadaria entre gangues rivais. Com isso, em março de 83, o Lixomania resolveu encerrar suas atividades.
Em outubro de 2002, o grupo voltou à ativa com sua formação clássica (Moreno, Tikinho, Adá e Miro) como convidado do festival O Fim do Mundo, realizado no Tendal da Lapa, zona oeste de São Paulo, que reuniu, durante uma semana, mais de 60 bandas de todo o Brasil. A partir dessas apresentações, e do incentivo dos fãs, o Lixomania voltou a ensaiar regularmente e, em 2003, fez um show no Hangar 110.
Em 2004, a banda voltou ao estúdio para gravar três sons: OMR (Ódio, Medo e Revolta), Quero ser livre e PPP (Pare para pensar). No ano seguinte, gravaram outros 15 e lançaram o CD Não - Obrigado. São 12 inéditas mais as seis músicas do EP (regravadas). Miro conta que este deve ter sido um dos discos mais baratos da história do rock "gravamos tudo ao vivo, como se fosse um show". E ficou melhor do que muita superprodução por aí...


LIXO-FACTS

  • O nome “Lixomania” surgiu a partir dos comentários de vizinhos da casa onde a banda realizava seus primeiros ensaios (no porão da casa do Zú, o baterista) que diziam que o som era uma sujeira, um verdadeiro lixo, como se os membros da banda tivessem mania de lixo. Inicialmente, eles cogitaram adotar o nome “Mania de Lixo”.
  • A muleta que aparece numa foto da contracapa do EP de 82, pertencia ao Adá que sofreu um acidente de moto antes da gravação e ficou sete meses com a perna engessada. Nesse estado, gravou o EP e fez suas primeiras apresentações para o lançamento do mesmo.
  • Durante show dos Ramones no Brasil, Tikinho encontrou-se com Joey Ramone no camarim e este revelou possuir o EP da Lixomania e disse que, em sua opinião, o disco era “do caralho”.
  • Em conversa com Miro, o produtor musical Paulinho Marquetti admitiu que o Legião Urbana e outras bandas de Brasília foram muito influenciadas pelo punk paulistano do início dos anos 80. Só não sei onde foi parar essa influência no som...
  • Moreno participou junto com outros punks paulistanos, a convite da TV Globo do RJ, do último capítulo da novela Eu Prometo como um dos amigos punks da filha do personagem central da novela. Nessa ida ao Rio de Janeiro, conheceu o Circo Voador, que algum tempo depois seria palco da primeira apresentação da banda na cidade.
  • Durante apresentação no Morro da Urca, no RJ, vários punks paulistanos chegaram a escalar o Morro para não pagar a entrada do show e, depois, ficaram hospedados na casa de um personagem ilustre: Ronald Biggs, o famoso assaltante do trem pagador inglês, que morava nas redondezas. É bom lembrar que o "bom ladrão", chegou a gravar com Paul Cook e Steve Jones (Sex Pistols), quando estiveram por aqui, e aprece no filme The Great Rock'n'Roll Swindle.
  • Após algumas apresentações no Rio, o Lixomania foi convidado para uma reunião com o diretor da gravadora RCA no Brasil, que propôs lançar um LP da banda. O contrato já estava pronto e previa que a gravadora poderia, por exemplo, acrescentar teclados e saxofone em algumas canções. Ou seja, queriam "limpar o Lixo". Fiel ao espírito punk, o contrato foi prontamente rejeitado pela banda. Hoje, o vocalista Moreno acha que foi um erro a recusa, pois poderia ter colocado a banda em um outro patamar na época.
  • Embora a autoria das letras e músicas de todas as canções seja creditada ao próprio Lixomania, algumas delas foram originalmente escritas por Zé (José Edmundo Sanches), irmão de Zú, primeiro baterista da banda.
  • Após o final da banda, Miro formou o 365, com um som mais pop-rock. A banda conseguiu sucesso com o single São Paulo e ainda está na ativa. Num primeiro momento, Tikinho e Adá participaram do 365, mas depois saíram.
  • Entre 94 e 96, Adá participou de bandas de garagem como Sidflex, Sobreviventes e Outsiders. Depois disso, reuniu-se novamente com Tikinho e Miro, incluindo Moniz (ex-Fogo Cruzado). A idéia era reativar o Lixomania, mas não deu certo. Tikinho saiu logo no ínicio, com isso, Moniz assumiu a guitarra e os vocais e, junto com Adá e Miro, formou um novo Fogo Cruzado e, em 97, lançou um CD que inclui a música Presidente, do Lixomania. Adá deixou o Fogo Cruzado antes mesmo do lançamento do disco e Miro, logo depois.
  • Moreno, ainda em 82, foi para o Psykóze, como baixista. No retorno do Lixomania, firmou-se como vocalista até os dias atuais.
  • Alê foi um dos fundadores do Repúblika, banda com uma sonoridade mais "limpa". Atualmente é dono de bar em São Paulo.
  • Em 2004, num acidente de trabalho, Adá tornou a quebrar a mesma perna, deixando a banda inativa por algum tempo. Júnior (ex-365) assumiu o baixo temporariamente, mas enquanto se recuperava, Adá decidiu sair da banda e Júnior foi efetivado. Outra baixa aconteceu quando o guitarrista Tikinho, aparentemente sem motivo, resolveu deixar o grupo. No seu lugar está Rogério Martins (ex-365 e Fogo Cruzado).

Obs: texto baseado no release oficial da banda, escrito por Edson Luís Rosa, baterista, sociólogo e ex-pesquisador da Folha de S.Paulo.

Baixe aqui o histórico EP Violência e Sobreviência

E aqui, o CD Não - Obrigado

11 de ago de 2008

Peso Chicano


Mais uma banda da cena punk californiana de 76-77. O The Zeros foi muito comparado aos Ramones na época, por tocarem um som pesado, simples, mas melodioso. Particularmente não acho muito parecido, mas é tão bom quanto. No entanto, enquanto Joey, Dee Dee e seus sócios produziram várias bolachas e foram contratados por uma major, o Zeros gravou pouco e manteve-se independente. Com Javier Escovedo na guitarra e nos vocais, Robert Lopez na segunda guitarra, Hector Peñalosa (tocou por um tempo com o F-Word e foi substituído neste período por Guy Lopez, irmão de Robert) no baixo e Baba Chenelle na bateria, todos mexicanos ou descendentes, eles começaram em 76 com o nome The Main Streets Brats, mas logo no primeiro show mudaram para Zeros. Bem melhor.
Reza a lenda que Escovedo formou a banda para impresionar seu irmão mais velho, Alejandro, guitarrista do The Nuns (outro que vou postar aqui em breve). O primeiro show foi em território mexicano, na cidade de Rosarito. Nos EUA, estrearam como suporte para o The Nerves, em um local chamado Punk Palace. Na mesma noite outra banda debutava: The Germs. Na platéia, estariam membros do Damned, a primeira banda punk inglesa a tocar em solo americano.
Em vinyl, o Zeros começou com o ótimo single Don't Push me Around/Wimp, em 77, no mesmo ano lançariam Beat your heart out/Wild Weekend, com produção de Craig Leon, que na época trabalhava com Ramones, Blondie, Richard Hell, entre outros. O problema é que eles odiaram o trabalho e acabaram regravando tudo. Só voltariam ao estúdio em 1980, para gravar três músicas: They say that/Girl on the block/Getting nowhere fast, que saíram em um compacto hoje raríssimo (foram prensadas apenas mil cópias), apesar de estes sons estarem disponíveis em coletâneas. Nesse período todo tocaram em tudo que é buraco de Los Angeles e San Francisco. Um dos pontos altos foi um show beneficente junto com o Clash, em 79, quando já eram um trio (Robert deixou a banda para formar o El Vez, the Mexican Elvis).
Em 81 o Zeros acabou, mas em 83 foi lançada a coletânea Don't Push me Around que reúne os singles e mais algumas músicas de demo tapes. Em 94, com a formação original, a banda voltou à ativa. Nessa fase, lançaram Knock me Dead, um LP com regravações das músicas antigas. A seguir fizeram várias turnês e, em 99, gravaram Right Now, um CD de covers e inéditas, muito bom, por sinal. Ocasionalmente o Zeros ainda faz shows, como a turnê em comemoração ao 30º aniversário da banda.
Baixe Don't Push me Around e conheça os "Ramones mexicanos":



9 de ago de 2008

Uns caras estranhos...


Demorei pra falar do Weirdos, uma das minhas bandas favoritas. Formado no final de 76, em Los Angeles, os caras tocaram regularmente por alguns anos, mais exatamente até 1981, lançaram diversos compactos mas não chegaram a gravar um LP. A primeira formação tinha os irmão John e Dix Denney, respectivamente vocalista e guitarrista, Cliff Roman na segunda guitarra e o baixista Dave Trout. Começaram sem baterista (!) e assim fizeram três apresentações até Nickey Beat assumir as baquetas. Mas a banda teve mais de uma dezena de mudanças, permanecendo sempre o núcleo dos brothers Denney e Cliff.
Além do som, eles tinham uma atitude bem punk: faziam (ou destruíam) suas próprias roupas, cortavam seus próprios cabelos e criavam as capas dos discos. Mas acima de tudo compuseram grandes músicas, como We got the Neutron Bomb, Teenage e Message from the under world.
Depois de ficarem um tempão sumidos, em 1990 eles reapareceram com o LP Condor, produzido e patrocinado por Flea, baixista do Red Hot Shit Peppers e fã da banda. Não é um disco chato como muitas produções de "reuniões" de bandas antigas. Falta a criatividade e energia dos primeiros anos, mas pelo menos não tentaram repetir uma fórmula que carece de um ingrediente essencial: o contexto, o espírito da época. Basta ouvir Weird World de 91, uma coletânea com 14 sons da primeira fase, certamente, um dos grandes disco de punk rock de todos os tempos. Em 2003, a Frontier Records lançou Weird World vol. 2, com mais sons inéditos (demo tapes e ao vivo) da fase antiga.
O som deles foi definido pelo próprio John Denney (odeio traduções, então se vira para entender): "the Weirdos were a speeded-up Rock and Roll hybrid, equal parts Stones, Faces, Who, Stooges and New York Dolls. But without a doubt, the main catalyst in the development of the Weirdos was the release of the Ramones' first album. That's what pushed us over the edge. See kids, we respect our elders." Acho que ele forçou em relação a Stones, Faces e The Who...
Baixe Weird World vol. 1 (o 2 vou postar mais na frente, prometo). Mais um indispensável .

Buried Pagans


Conforme prometido, aqui está o LP Buried Alive, do Pagans, que compila oito compactos da banda. A maior parte destas músicas estão no CD Everybody Hates You, postado abaixo, a diferença é que este aqui é ripado do vinyl (o som fica mais pesado, acreditem!). Neste disco estão os grandes momentos da banda como Not Now, No Way, Dead End America e Six and Change.

8 de ago de 2008

Pagãos americanos


The Pagans é uma daquelas bandas que se você ainda não conhece vai se perguntar como conseguiu passar todo esse tempo sem ter ouvido esses sons. Ou então terá a sensação de que já escutou em algum lugar ou algo muito parecido. Originários de Cleveland, eles começaram em 77, liderados pelo vocalista Mike Hudson. Completavam a formação o guitarrista Mike Metoff, também conhecido por Tommy Gunn, o baterista Brian Hudson e o baixista Tim Allee. Esse quarteto tocou junto até meados de 79 e gravaram pelo menos oito compactos, mas nenhum LP completo. A partir de 1980, a formação original debandou e Mike seguiu com a banda que passou a mudar constantemente - o som continuou em um bom nível, mas não tão criativo como nos primeiros anos - até acabar definitivamente por volta de 86 ou 87.
A história da banda está no livro Diary of a punk - life and death in the Pagans, publicado este ano pela Tuscarora Books e escrito pelo próprio Mike Hudson, que tornou-se jornalista.
Em 86, a Treehouse Records lançou um LP, Buried Alive, reunindo os sete primeiros singles (vou postar mais na frente, aguarde). Além desse, surgiram diversas coletâneas e gravações ao vivo. Vou deixar aqui o CD Everybody Hates You, com 29 sons (dos compactos faltam apenas três). É indispensável.

6 de ago de 2008

Ursos insanos


The Bears é uma banda inglesa da cidade de Watford, formado em 1976 pelo ex-guitarrista do Wire, George Gill. A formação original tinha ainda o baixista Ron West, o baterista Cally Cameron e o vocalista Mike North, morto em um acidente de moto, em 1977. Com essa formação, não chegaram a gravar. O primeiro compacto, já com John Entrials no vocal, saiu apenas em 77, com as músicas On Me e Wot's up Mate. Os ótimos riffs e as letras surrealistas logo chamaram a atenção e o Bears não demorou a gravar um segundo single, com a incrível Insane, uma verdadeira gema punk, apesar de ser um tanto lenta para o gênero, e a também ótima Decisions. Sem lançar um LP, o Bears acabou em 79, quando já não contava mais com Ron e Cally, que saíram para formar o Tea Set. Em 1986 foi lançado um LP com músicas gravadas ao vivo em estúdio. Certamente o Bears merecia muito mais, pela criatividade e originalidade do som. Confira no link:

http://www.mediafire.com/?8w2cdunp1vx

4 de ago de 2008

Tentações fuleiras

Sem dúvida, o Drones é uma das melhores bandas inglesas de todos os tempos. A carreira deste grupo de Manchester data de 1975, sob o nome Rockslide, com um som mais rock'n'roll e dentro do estilo "pub-rock". Em 76, já com o novo nome, adotaram um som mais pesado, letras explícitas e visual mais agressivo. Ou seja, aderiram à onda punk que tomava conta da Inglaterra. A formação era: M. J. Drone (vocais), Gus Gangrene Callender (guitarra), Steve Whisper Cundell (baixo) e Pete Perfect Howells (bateria).
O primeiro compacto, com seis músicas (Temptations of a White Collar Worker), foi lançado em 77 através de um selo da própria banda (OHMs). A seguir saiu mais um compacto: Bone Idol, um dos grandes clássicos do punk rock, por outro selo, também independente, chamado Valer Records. No mesmo ano, o LP Further Temptations chegava às lojas. Clássico, clássico, clássico. A única definição possível para este disco.
Em 78 eles assinaram com uma major (Island) e mudaram de direção, com a adição do tecladista Mike Koman. Com esta formação lançaram mais um compacto (Can't See), em 79, e, a seguir, acabaram. Por volta de 97 o Drones voltou - sem o baixista Steve Cundell e o tecladista Mike Koman - e lançou um bom LP, estranhamente chamado Sorted, pela Captain Oi Records (98) e Dirty Bastards, pela Alternative Action, mas ambos com as mesmas músicas! Ainda em 98, a AA lançou um CD ao vivo (Take Shelter), gravado no Japão.
Baixe o histórico Further Temptations:

http://www.mediafire.com/?pmg7u7nfaup

1 de ago de 2008

AMEAÇA PÚBLICA NÚMERO 1


Cinco compactos e onze clássicos. Essa é a discografia do Menace. Se existe algo que pode ser chamado de "punk puro", seguramente é o som do Menace. Rápido, direto, pesado, agressivo e com letras ofensivas. Formado em 76, o grupo foi um dos mais ativos na explosão punk londrina de 77 e fez apresentações em todos os redutos da cena inglesa. O estilo agressivo e politizado, aliado à origem suburbana e operária dos integrantes, atraíram os punks mais radicais da época, o mesmo público que acompanhava o Sham 69 e o UK Subs. Tal postura custou o repúdio das rádios e das gravadoras da época. Em 79, após o lançamento do quinto compacto (Last years youth/Carry no banners) a banda acabou por não conseguir contrato e lugares para tocar. Com isso, não chegaram a gravar um LP, mas os cinco singles valeram muito mais: é um som melhor que o outro. A formação original tinha o vocalista Morgan Webster, o guitarrista Steve Tannett, o baixista Charlie Casey e o baterista Noel Martin. Em 97, Noel e Charlie reformaram a banda, com John Lacie e Andrew Tweedie (substituído por Oddy, em 2002) e ainda estão em atividade. O som permanece agressivo e pesado, mas a criatividade já não é a mesma. Reconheço que pode parecer saudosismo, mas até as bandas antigas soam iguais atualmente, todas as gravações parecem ter um só padrão. Baixe o Menace dos anos 70 (no link estão os cinco compactos) e ouça um pouco do que o punk inglês tinha de melhor.

http://www.mediafire.com/?n2wyyzw0ngs

Músicas:
01. Screwed Up (1977)
02. Insane Society (1977)
03. GLC (1978)
04. I'm Civilised (1978)
05. I Need Nothing (1978)
06. Electrocutioner (1978)
07. The Young Ones (1978)
08. Tomorrows World (1978)
09. Live For Today ( 1978)
10. Carry No Banners (1979)
11. Last Years Youth (1979)