19/12/2008

Vítimas do destino

VKTMS é outra banda californiana, mais precisamente de San Francisco, com vocal feminino e que considero como uma das mais originais da época. Faziam um som pesado, intenso, criativo e melódico, mas com um certo tom de dramaticidade. O tipo de som que vai crescendo a cada vez que se ouve. Formado em 1978, o grupo começou com o baterista Louis Gwerder e o guitarrista Jay Davis. Depois de alguns ensaios com diferentes baixistas, George Ritter juntou-se aos dois e, por último, a vocalista Nyna “Napalm” Crawford.
Com essa formação, fizeram algumas apresentações e lançaram um compacto duplo, chamado Midget, já em 79. Pouco depois, George deixou o grupo e Steve Ricablanca assumiu o baixo. Essa formação aparece na lendária coletânea SF Underground, um compacto a que já fiz referência no post do No Alternative. A faixa do VKTMS é a criativa Ballad of Pincushion Smith.
No entanto, após o lançamento deste disco, Jay Davis também deixou a banda (na verdade, desapareceu). Em seu lugar, entrou o guitarrista John Binkov, um músico mais completo, capaz de tocar qualquer estilo de música. Com ele, o grupo ganhou em qualidade, apesar de ter perdido um pouco da agressividade. Já era 1980 e o VKTMS uma das bandas mais conhecidas da época na cena californiana. Fizeram centenas de apresentações, muitas ao lado de grandes nomes do punk rock norte-americano, como Ramones, Johnny Thunders, DOA, Agent Orange, Dead Kennedys, etc., assim como abriram shows do Stranglers, 999, Killing Joke, Bush Tretas e outras bandas em turnê pelos EUA.
Nesse período, lançaram um compacto com duas músicas (100% White Girl e No Long Goodbyes). A letra da primeira faixa causou polêmica, principalmente após uma crítica da revista Maximum Rock’n’Roll, que acusou a banda de racista. Um absurdo. Acho que a MRR era uma revista e tanto, mas também exercia um papel de policiamento, ditando o que era ou não correto. Normalmente se a revista dizia que tal banda não era “ideologicamente correta”, isso passava a ser uma verdade e, como todas as verdades, uma grande merda. Outras vítimas da revista foram o Exploited e o GBH. Particularmente, acho a letra de White Girl bem humorada, sobre uma garota branca que se sente ameaçada pelas minorias. Mas você mesmo pode tirar suas conclusões:

100% WHITE GIRL
Well I'm just a little white girl
I get hassed every day
A poor defenseless white girl
Who can't go out to play
The minorities they all threaten me
I can't defend myself
I'm a nervous wreck
I'm scared to death
They've ruined my mental health
Cuz I'm a blue-eyed, blond haired white girl
And there's no place left for me
I feel like an alien in my own society

Well I ain't no Nazi, but ya know
I ain't no martyr
I think I'm gonna start to
Wear a switchblade in my garter
Cuz I'm 100% white girl and
I ain't afraid of them
If anybody fucks with me
I'll just commit mayhem
Cuz I'm a white girl
Yeah I'm a white girl
I'm just a white girl

Entre 81 e 82, a banda foi para o estúdio e gravou um LP, apesar de não ter contrato com nenhum selo. Gravaram na esperança de vender um álbum pronto, já que tinham prestígio suficiente. Mas as coisas não foram tão bem como imaginavam e as fitas originais ficaram na gaveta por 12 anos. No verão de 82, talvez desiludidos pela dificuldade de vender o álbum, o grupo dispersou. Foi o primeiro final.
Em 1994, Steve Ricablanca conheceu Dave Elias e John Eisenhart, então em vias de fundar o selo independente Dafflespitz Records. Ambos eram fanáticos pelo punk da época do VKTMS, inclusive adoravam a banda. Ao saberem da gravação não lançada, não perderam tempo e recuperaram a fita. No início de 1995, finalmente, vem a luz o lendário LP, que recebeu o nome da banda.
As boas vendas do disco na Europa incentivaram Steve, John e Louis a procurar Nyna e o grupo voltou à ativa. Em 97, lançaram um EP duplo com material inédito e seguiram fazendo shows. Mas Nyna adoeceu e em 2000 tornou-se mais uma vítima do câncer. Foi o segundo e definitivo fim.
Reuni todas as gravações da banda em dois arquivos. Baixe aqui a parte 1 e aqui a parte 2. É mais uma raridade imperdível.


VKTMS FACTS
  • No tempo em que o VKTMS esteve inativo, Nyna tocou com o Murder e o Smashed Weekend antes de sair do circuito musical no final dos anos 80.
  • Steve e John tocaram com um grupo chamado Vauxhal, mas em 1985 abandonaram o barco. Steve entrou numa escola de culinária e tornou-se chef de cozinha. John, por sua vez, aprofundou-se nos estudos de música e formou-se na área, primeiro pela Universidade de Berkeley, depois, na UC Davis. Diplomado, tornou-se professor universitário. Já Louis, partiu para o campo das artes plásticas e trabalha com materiais não tradicionais na pintura.
  • Steve conheceu os fundadores da Dafflespitz enquanto trabalhava em um restaurante chamado Masas. Os responsáveis pela ressurreição da banda eram cozinheiros, como ele.
  • A capa do compacto White Girl/No Long Goodbyes é considerada uma obra de arte, desenhada pelo cartunista Jim Osbourne.
  • Atualmente, Steve Ricablanca ainda trabalha como chef, mas toca projetos paralelos de música eletrônica. John ainda dá aulas de música em uma universidade de Oakland e tem uma banda, chamada D’Jelly Brains, que flerta com o punk garageiro. Louis segue trabalhando com arte abstrata. Nyna, descansa em paz...

2 comentários:

  1. Anônimo12/20/2008

    Very great band, early US punk rock, totally classic.

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    VILE76.

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  2. Could you please re-up the second part!

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