17/10/2008

Jogos animais em Londres

A revista POP (Editora Abril) foi uma publicação da década de 70 destinada ao público adolescente. Era bem sonsinha e em alguns números bem "gatinha". Tem gente que a compara à Bizz dos anos 80, mas acho que ela está mais para a TodaTeen e a Contigo atuais, apenas um puco mais pop/rock. Por incrível que pareça essa coisa tão inocente acabou sendo uma das responsáveis por um dos melhores LPs de punk rock já lançados no Brasil: a coletânea A Revista Pop Apresenta o Punk Rock, com Sex Pistols, Ramones, The Jam, Eddie & The Hot Rods, London, Ultravox, Stinky Toys e Runaways. Na verdade, a POP via o punk como uma nova moda e fazia uma grande confusão a respeito do que realmente acontecia. Lembro-me de uma matéria em que tentavam vender o Made in Brazil como punk (era engraçado os caras com maquiagem simulando bocas sangrando). Mas no disco eles acertaram, com uma seleção de primeira. O petardo sonoro acabou atingindo outro público e influenciou boa parte dos primeiros punks da periferia paulistana.
Uma das minhas faixas preferidas no disco da POP é Everyone's a Winner do LONDON - afinal este post é sobre eles e não sobre a famigerada revista.
O LONDON foi uma das bandas pioneiras do punk inglês e, como o MANIACS, teve uma vida bem curta. O grupo foi formado em 1976 pelo vocalista Miles Tredinnick, que usava o apelido Riff Regan. Os outros membros entraram após atenderem anúncios de Miles no Melody Maker. O primeiro a aparecer foi o baixista Steve Voice, que compôs com Miles a maioria das músicas do grupo. Depois dele, foi a vez do baterista John Moss. A formação se completou com o guitarrista Dave Wight. Apesar de serem músicos acima da média das primeiras bandas punks, dos quatro, apenas John Moss tinha alguma experiência: estava em teste com o THE CLASH! E, ainda que vários amigos o aconselhassem do contrário, preferiu ficar no LONDON, pois não se entendia muito bem com Joe Strummer.
Antes de formar o LONDON, Miles trabalhava como asistente do produtor de cinema Robert Stigwood (Jesus Christ Superstar, Tommy, Grease, Saturday Night Fever, entre outros), assim, era um cara descolado. No show de estréia da band, na platéia estava o empresário Simon Napier-Bell, que já trabalhara com grupos como YARDBIRDS e T. REX e andava à procura de bandas da nova onda musical que começava a tomar conta da Europa. Napier-Bell gostou do que viu e em pouco tempo o LONDON já era a principal atração em shows pequenos. O grupo foi escalado para abrir os shows da tour nacional do STRANGLERS, que àquela altura já era bem conhecido por toda a Europa.
Em vinil, o LONDON não conseguiu a mesma repercussão, ou pelo menos não a que a MCA que os contratara e Napier Bell esperavam. O primeiro single foi Everyone's a Winner/Handcuffed. A bolacha teve boas vendas, porém, não chegou às paradas como desejavam os produtores. O segundo compacto foi um duplo com quatro faixas: Summer of Love, No Time, Siouxie Sue e Friday on my Mind. O máximo que conseguiram foi atingir a 52ª posição nas paradas (naquele tempo ainda contava alguma coisa). Depois de mais uma tentativa de obter um single de sucesso, com Animal Games/Us Kids Cold, chegara a hora de gravar o LP. Já no final de 1977 o LONDON entrou em estúdio e concebeu Animal Games. O disco de onze faixas (apenas seis delas inéditas) chegou às lojas no início de 78. Mas a esta altura o grupo já não existia mais. John Moss trocara a banda pelo DAMNED, em substituição a Rat Scabies. Os três remanescentes tentaram arrumar um baterista que os agradassem, mas antes que isso acontecesse decidiram dar fim ao grupo, também em função das fracas vendas e da violência que começava a rolar nos shows punks.
Baixe aqui Punk Rock Collection que reúne o LP Animal Games mais quatro faixas bonus.

LONDON FACTS

  • Depois de deixar a banda, John Moss não teve tempo nem de curtir com os novos comparsas, já que o Damned também acabou (depois retornaria e tocam até hoje). Pouco depois, entretanto, ele conheceu um certo Boy George e formou com ele o Culture Club, para azar do planeta...
  • Após o fim do LONDON, Riff Regan, ou Miles Trednnick, seguiu carreira solo. Ente 1978 e 81 lançou nada menos do que seis LPs. Todos de baixas vendas. Então passou a escrever scripts para comédias de TV, no que se deu melhor e chegou a elaborar histórias para personagens da Disney, como Mickey e Pato Donald. Também escreveu uma peça de teatro de relativo sucesso (Topless) representada em cima de um daqueles ônibus de dois andares pelas ruas de Londres.
  • Após o fim do LONDON, Dave (Colin) Wright concluiu seus estudos e fez doutorado em Política Internacional. Steve Voice formou uma banda chamada The OriginalVampires, que não deu em nada e sumiu de cena.
  • Nos shows punks de 76/77 o público tinha o nojento hábito de cuspir nas bandas. Em uma apresentação, em Birmingham, Riff Regan usou um guarda-chuva para se proteger.
  • Só para variar, Miles e Steve reformaram a banda recentemente e têm feito vários shows. Além deles, o novo LONDON tem o guitarrista Hugh O'Donell e o baterista Colin Watterston, ambos ex-The DBs.

6 comentários:

  1. The Hairy Hands10/21/2008

    Acho o London muito fraquinho. Para mim, fazem parte do triunvirato medíocre do punk inglês, junto com o Chelsea e o 999.

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  2. Ok Hairy, respeito sua opinião. Até por isso não gosto de fazer muita análise sobre o som das bandas, prefiro apenas contar a história do que falar sobre a música, pq cada um tem um gosto. Mas o London é uma banda que os próprios membros não se consideravam "punk rock" e sim "new wave". Quanto ao Chelsea, eles têm grandes sons, verdadeiros clássicos, como I'm on fire e Right to work. Não sei pq vc não curte, mas estou até preparando um post sobre eles. Sobre o 999, os primeiros singles e o primeiro LP são muito bons na minha opinião. Depois do Separates (segundo LP) acho que eles exageraram na influência sessentista.
    Mas é isso aí meu caro, som é som, ou você curte os "descurte". Mas prefiro opiniões contrárias do que apatia.
    Saudações anárquicas...

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  3. The Hairy Hands10/22/2008

    Beleza Strongos!!
    O motivo pelo qual não gosto dessas bandas é basicamente o mesmo: som frouxo, sem "pegada". Elas até têm umas duas músicas boas, cada uma. Mas falta aquele algo mais. Infelizmente (ou felizmente) o mundo é assim: existem pessoas com talento e outras que apenas seguem a onda, fazendo mais do mesmo. Interessante que as três fazem parte de uma espécie de segunda divisão do punk inglês, sendo mais conhecidas, inclusive no Brasil, do que bandas muito melhores como o Bears e o Maniacs.
    É isso aí! Saudações anarquistas!!

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  4. Eu curto o London. Principalmente a "No Time". O RDP usou um som do London como bg em um CDEP deles, acho que no "Guerra Civil Canibal"...

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  5. Pois é George, o Jão e o Gordo curtem bastante o London. Depois que a fase metaleira deles "acalmou" eles redescobriram o punk rock. Menos mal...

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  6. Anônimo10/30/2008

    London e Chelsea são clássicos.

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