19/09/2008

Trio visionário

--> O Suicide Commandos é mais uma daquelas bandas que existiam antes que o termo “punk” fosse criado e já faziam um som que se encaixaria no estilo. Originário de Minneapolis (EUA), foi criado em 1974 pelos amigos Chris Osgood (guitarrista e vocalista), Steve Almaas (baixista) e Dave Ahl (baterista). Na época, costumavam denominar o som que faziam simplesmente “underground”. As palavras do próprio Osgood, publicadas no jornal Twin City Readers, de 8 de Julho de 1977, definem melhor o que era o Suicide Commandos: “juntamos o menor número de pessoas possível, que eram três, tentamos fazer o máximo de barulho que dava, do jeito mais agressivo e divertido que poderíamos. Não havia uma direção a seguir, um mapa, exceto fazer todo o caminho de volta a Eddie Cochran e o início do rock’n’roll. Nós procurávamos qualquer coisa que fosse absolutamente imediata e nem queríamos muito mais que isso”.
O primeiro registro em vinil do grupo, lançado em 1976, foi o compacto Emission Control, com três músicas: a do título, mais Cliche Ole e Monster Au-Go-Go. Nesse disco o som pode ser descrito como “proto punk”, ou seja, estava mais para um rock’n’roll básico do que punk propriamente. Mas com a explosão do punk logo ganharam fama e em 77 fizeram a abertura de um show do Ramones em St. Paul (a cidade gêmea de Minneapolis). Abriram também para Iggy Pop e Patti Smith. Neste mesmo ano excursionam por toda Costa Oeste, tocam no CBGB e lançam o segundo single com Match Miss Match e Mark He’s a Terror.
A essa altura já eram bastante famosos, assinam com a Blank, selo da major Mercury Records, e começam a preparar o primeiro LP, que sai em 78 com o título Make a Record. O disco, com 15 faixas, é considerado como um dos melhores do punk norte-americano pré-hardcore. Excelente, sem dúvida.
Ainda em 78, o tecladista Mark Goldstein junta-se ao trio, que abandona o “Suicide” do nome e tenta caminhar por um caminho mais pop. Não era a praia deles, então resolvem voltar a ser um trio, reassumem o Suicide e fazem alguns shows de despedida, para dar fim a uma história curta, mas intensa. Os shows finais foram gravados e lançados em vinil com o sugestivo título The Commandos Commit Suicide Dance Concert, primeiramente em um LP simples com 20 faixas e, depois, em um álbum duplo com mais 18 sons (também lançado em CD).
Baixe Make a Record, outra gema do punk norte-americano.

COMMANDOS FACTS
  • Os primeiros e últimos shows do Suicide Commandos foram realizados no Longhorn Bar, um lendário antro de roqueiros, punks e afins de Minneapolis.
  • Após o fim do SC, Steve Almaas formou o the Crackers e, mais tarde, o Beat Rodeo, ambos com estilo pop. Depois mudou-se para a Suécia, onde é professor, mas não abandonou a música e já gravou quatro discos solos.
  • No início da carreira, Chris Osgood trabalhava como agente de shows em uma produtora e quando clientes procuravam uma banda de rock para fazer shows em universidades ele oferecia os serviços do Suicide Commandos pela metade do preço das bandas da agência. Com isso, o SC conseguia muitos shows na região de Minneapolis-St Paul.
  • Em 77, a casa que eles ensaiavam foi condenada e devia ser demolida. O proprietário resolveu queimá-la e a banda aproveitou para gravar um clip, dirigido por Chuck Statler, um dos pioneiros do vídeo-clip, com o incêndio ao fundo. A música? Burn it down, claro.
  • O nome da banda foi inspirado em um filme B filipino, de 1962, chamado Suicide Commandoes. A pelícua, do desconhecidíssimo diretor Armando Garces, rende tributo aos "valorosos soldados" daquele país.
Obs: fotos dos integrantes separados por Michael Markos

7 comentários:

  1. The Hairy Hands9/19/2008

    Outro grande Post! O Suicide foi o precursor do punk/hardcore que mais tarde derivaria para o indie rock e o grunge: Hüsker Dü, Moving Targets, Bullet Lavolta, Mission of Burma, entre outros. Têm ótimas músicas.

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  2. Mais influenciou do que colheu frutos. Eram muito rápidos para a época, sem dúvida. Os primeiros punks do Brasil também ouviram muito Suicide Commandos.

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  3. George9/24/2008

    Tô atrás desse LP há tempos... puta banda! teu blog é foda, Strongos... continue ele! abraço!

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  4. George, continue dando uma passada por aqui que tem muita coisa boa por vir.... valeu aê meu camarada!

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  5. Olá Strongos...
    Tenho o Make a Record em Lp e é uma das pérolas de minha coleção.
    Segundo registros, o S.C. foi a primeira banda de Punk Rock do interior dos E.U.A.
    Realmente o pessoal da V. Carolina cutia muito. I Need a Torch era uma das preferidas do pessoal.
    Um grande abraço
    Ariel

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  6. Este comentário foi removido pelo autor.

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  7. Grande Ariel! Me lembro de uns sons de fita (na casa de quem, não me pergunte) que rolava muito álcool e tocava Speed Twins, Suicide Commandos, Dickies, etc. Eu tinha uns 14 anos e confesso, um pouco de medo do pessoal da Carolina agitando, mas não podia mostrar, né? Bons tempos....
    Abração

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